Muita gente acredita que a melhor fase ficou para trás, mas Rafael Santandreu propõe outra leitura. Para o psicólogo espanhol, a mudança começa quando a pessoa deixa de alimentar a queixa constante e volta a enxergar valor no presente.
Por que idealizar o passado pode empobrecer o presente?
A lembrança da infância ou da juventude costuma aparecer com brilho seletivo. A mente guarda cenas boas, mas esquece que essas fases também tinham dependência, insegurança, ansiedade e pouca liberdade para escolher caminhos com clareza.
Na visão apresentada por Rafael Santandreu, o problema não é recordar o passado, mas tratá-lo como único lugar possível de felicidade. Quando isso acontece, a pessoa passa a comparar a vida atual com uma versão editada da própria memória.

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O que Rafael Santandreu defende sobre a melhor fase da vida?
O psicólogo Rafael Santandreu, formado pela Universidade de Barcelona, ficou conhecido por uma abordagem direta sobre sofrimento cotidiano, crenças limitantes e força mental. Autor de seis livros, incluindo A arte de não se amargar na vida, ele defende que a melhor fase não depende apenas da idade.
A ideia central é que a vida melhora quando a pessoa corta o hábito de reclamar como reflexo automático. Em vez de fixar atenção no que perdeu, no que faltou ou no que não saiu como esperado, ela treina uma postura mais ativa diante do que ainda existe.

Como a teoria de Rafael Santandreu ganhou alcance?
A linguagem simples ajudou Santandreu a alcançar públicos fora dos consultórios e dos livros. Nas redes sociais, especialmente no Instagram, ele reúne mais de 200 mil seguidores interessados em psicologia aplicada à vida comum.
O método não propõe fingir que problemas não existem. A proposta é treinar a atenção para que a mente não transforme cada frustração em prova de fracasso, nem cada lembrança antiga em argumento contra o presente.
O que a gratidão muda na forma de viver?
A defesa da gratidão não aparece apenas como conselho motivacional. Estudos acadêmicos publicados no SciELO relacionam práticas de gratidão a mudanças na forma como a pessoa lida com sofrimento, trauma e reconstrução emocional.
Na prática, isso significa deslocar a mente de uma contabilidade permanente de perdas para uma percepção mais ampla do cotidiano. Quem vive preso à nostalgia tende a se afastar do presente; quem treina a atenção encontra pontos de apoio mesmo em fases difíceis.

Quais atitudes ajudam a parar de reclamar?
A mudança defendida por Rafael Santandreu não acontece por uma frase de efeito. Ela depende de práticas repetidas, capazes de interromper o ciclo de queixa e devolver à pessoa algum domínio sobre a própria atenção.
Entre os pilares mais coerentes com essa visão, aparecem:
- Aceitar circunstâncias difíceis quando elas não podem ser alteradas imediatamente.
- Valorizar pequenos momentos, em vez de esperar apenas grandes viradas para reconhecer bem-estar.
- Reduzir a queixa verbal, porque reclamar o tempo todo reforça a sensação de impotência.
- Treinar um olhar intencional para perceber o que ainda funciona na rotina.
Por que a melhor fase pode começar no presente?
A frase de Rafael Santandreu não promete uma vida sem dor. Ela aponta para uma escolha mais concreta: parar de entregar toda a atenção ao que falta e começar a notar o que ainda pode ser vivido, cuidado ou reconstruído.
A melhor fase, nessa leitura, não é uma idade fixa nem uma memória perfeita. Ela começa quando a pessoa abandona a reclamação como identidade e recupera a capacidade de participar do presente com mais lucidez, gratidão e responsabilidade emocional.









