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Política

A democracia do tapetão

Sem maioria no Congresso, o governo Lula aposta na canetada do STF para impor sua agenda

O pessimismo também marca as expectativas da população em relação ao futuro do governo | Foto: Reprodução/Flickr/Lula Oficial
O pessimismo também marca as expectativas da população em relação ao futuro do governo | Foto: Reprodução/Flickr/Lula Oficial

(J. R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 2 de julho de 2025)

O Brasil vive hoje a maior mentira de sua história. Há uma mentira-em-chefe, ou a mãe de todas as mentiras: a de que está em vigor por aqui uma democracia, com liberdades públicas e direitos individuais, plena separação de poderes e um Estado que se subordina à vontade da maioria, expressa em eleições livres. Segue-se inevitavelmente uma corredeira de sub mentiras, todas derivadas da primeira. A mais agressiva delas sustenta que o Congresso virou um inimigo do povo.

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O Congresso Nacional pode ser um dos piores do mundo, mas há em torno dele dois fatos indiscutíveis. O primeiro é que este Congresso é o único que o Brasil tem na vida real; não há um outro, mais qualificado, esperando no banco para entrar no jogo. O segundo é que o crime do qual se acusa os parlamentares é o próprio absurdo em termos: aprovaram uma lei que o governo Lula não quer. E daí? Não faz nexo impedir que cumpram o seu dever constitucional número um.

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Não interessa se a lei é boa ou é ruim. Ela é perfeitamente legítima, e isso basta — se o governo, a extrema esquerda e os professores da USP não gostam, paciência. Deveriam, nesse caso, ter trabalhado mais e melhor no plenário para ganhar a votação, e não perder por prodigiosos 383 a 98. Como é possível mudar o resultado depois de uma surra dessas? É óbvio que o Congresso não quer o que governo está querendo — a única saída aí é tentar de novo, de outro jeito. Ponto final.

Como o governo Lula burla a democracia

Mas o governo Lula não quer tentar de novo, nem amanhã e nem nunca, porque sabe que vai perder outra vez. Querem aumentar o IOF, com a infame desculpa de que isso vai atingir só os “ricos”. Para começo de conversa, é falso. Não há imposto sobre a face da Terra que pegue “só os ricos”; se é imposto, pega todo mundo, pois é automaticamente repassado para baixo. Em segundo lugar, se querem taxar os ricos, deveriam buscar o dinheiro que estão querendo nos seus próprios cofres — não há ninguém mais rico neste país que o Estado.

O governo Lula quebrou o Brasil, por gastar de forma celerada, maliciosa e intencional, e na hora em que precisa de dinheiro não lhe passa pela cabeça cortar R$ 1 dos seus gastos. Só pensa naquilo — aumentar imposto, embora o Estado vá arrecadar R$ 4 trilhões em 2025. Não daria, por exemplo, para deixar de trazer uma ladra peruana com avião da FAB, ou conter os salários de paxá das castas supremas do funcionalismo? Não. Tem de aumentar o IOF. Tudo ou nada.

O Supremo como aliado

O “nada”, no mundo das realidades objetivas, é fechar o Congresso Nacional para todos os efeitos práticos. É o que o governo Lula está fazendo neste momento. O Congresso permanece aberto, para efeitos de cenário, fantasia e adereços. Pode, aliás, continuar gastando R$ 15 bilhões por ano e, sobretudo, pode continuar traficando “emendas” com o governo. Mas tem de fazer tudo o que Lula quer — senão, ele vai reclamar no STF e anular o que o Congresso aprovou.

“Se eu não for à ‘Suprema Corte’, eu não governo este país”, disse Lula a respeito do seu recurso à decisão do Congresso. Eis aí — é ele mesmo, e não a oposição, quem está dizendo isso. Quer dizer: ele já dá como certo que o STF decida em seu favor, sem a menor tentativa de disfarçar a fraude ora em andamento. A esquerda diz o mesmo: não dá para a gente ficar perdendo todas. Melhor assim, talvez. Pior seria fingir que o Congresso existe, porque não existe.

O inimigo do Congresso

E daí, se o governo “perde todas”? Que trate de construir suas vitórias no plenário — e não correr para a saia do STF, mendigando dos ministros os votos que não tem no Congresso. Há na praça, como consequência da ficção que é hoje a democracia brasileira, uma comédia em que o enredo narra uma “divergência” entre dois Poderes da República — e a “convocação” do STF como árbitro imparcial da disputa. “Que vença quem tiver a melhor razão jurídica”, alegam os comediantes. “Tenha dó”, diria Alexandre de Moraes.

É ele mesmo, o ministro Moraes, quem vai relatar o processo movido pelo governo. O que mais se poderia dizer? Moraes é o inimigo número 1 do Congresso Nacional dentro do Supremo. Com uma ou outra exceção, todo o STF, na verdade, acha que o Congresso é um estorvo para o regime. Não aprova as leis que os ministros querem. Aprova leis que não querem. É de direita. É um reflexo dos “213 milhões de pequenos tiranos” que formam o povo brasileiro. Quer a anistia. Não serve para o Brasil “recivilizado”.

3 comentários
  1. Daniel BG
    Daniel BG

    É o nazo-nazi-nojento de sempre. O meninão malandro cresceu e se acha sincero. Uma sinceridade sinistra, ladra e porca.

  2. ROBERTO MIGUEL
    ROBERTO MIGUEL

    e os 213 pequenos tiranos pagando a conta, cada vez mais alta,

  3. Marcos Antônio de Carvalho
    Marcos Antônio de Carvalho

    Enquanto isso, 150 grandes autoridades brasileiras correm para prestar continência, obediência e vassalagem ao Gilmar Mendes, o poderoso mandatário da país! Inclusive os Governadores de São Paulo e de Goiás!!! Nada existe de mais constrangedor que isso. É a podridão de caráter aflorando!

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