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Política

A Geração Z virou à direita

Nascidos durante os governos petistas, jovens entre 16 e 29 anos hoje se identificam majoritariamente com a direita

celulares - juventude fútil - artigo de pedro henrique alves
A Geração Z, é formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2012 | Foto: Reprodução/Freepik

Em duas décadas, Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, reeleito, preso, solto e eleito novamente. Nesse percurso, o voto dos jovens esteve entre os pilares de suas vitórias, segundo levantamentos de intenção de voto e avaliações de governo da época. Mas o tempo passou, e quem nasceu durante os governos petistas já poderá votar em 2026.

Quem nasceu entre 1997 e 2012 compõe a chamada Geração Z. Essa geração cresceu durante a era do lulismo e agora começa a exercer influência decisiva nas urnas. No Brasil, seus integrantes já estão em idade eleitoral.

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Em 2002, ano da primeira vitória de Lula, o Datafolha mostrava que o petista tinha 43% das intenções de voto entre jovens de 16 a 20 anos. O índice era praticamente o mesmo da população geral.

Quatro anos depois, na reeleição de 2006, o apoio entre os jovens de 16 a 24 anos marcava 45%, mas apenas 12% davam nota máxima ao desempenho do governo. Nos anos seguintes, Lula não concorreu, mas conseguiu emplacar Dilma Rousseff como sucessora.

A década seguinte, porém, foi marcada por escândalos de corrupção, pelo impeachment de Dilma Rousseff e pela prisão do ex-presidente. Quando voltou ao Planalto, em 2022, Lula reencontrou apoio entre os jovens. Segundo o Datafolha, 51% dos eleitores de 16 a 29 anos votariam nele em um eventual segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL), que registrava 20%.

A história mudou

Quatro anos depois, o cenário é outro. Concorrendo pela quarta vez, Lula enfrenta agora Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada em abril, Flávio aparece numericamente à frente de Lula pela primeira vez, impulsionado justamente pelo avanço entre os jovens de 16 a 34 anos — 46% apoiam Flávio, contra 38% de Lula.

Em março de 2026, a Atlas/Intel também mostrou que aproximadamente 73% dos jovens de 16 a 24 anos desaprovam o governo Lula.

Pesquisas recentes mostram que a Geração Z tem se distanciado da esquerda. Um levantamento da AtlasIntel divulgado em 2025, por exemplo, mostrou que 52% desse grupo se identifica como de centro-direita ou direita. Tradicionalmente associada a pautas “progressistas” e a comportamentos contestadores, parte dessa juventude hoje demonstra posições mais conservadoras, influenciada por fatores como religião, redes sociais e descrença na política tradicional.

O Censo do IBGE de 2022 já mostrava o crescimento dos jovens evangélicos. De acordo com o levantamento, 31,6% dos jovens, na faixa de 10 a 14 anos, se declararam evangélicos. Uma pesquisa internacional da London School of Economics em 2023 revelou que a Gen Z é mais conservadora que os baby boomers em temas como papeis de gênero e família.

Partidos tentam ganhar terreno com a Geração Z

Enquanto isso, partidos e candidatos tentam se aproximar dessa geração. Lula aposta em alianças com lideranças mais jovens, como Guilherme Boulos (Psol-SP) e Erika Hilton (Psol-SP), e busca espaço nas redes sociais.

A geração Z da questão
O governo bateu um recorde de investimento em publicidade online em 2025, investindo mais de R$ 130 milhões | Foto: Reprodução/ Instagram e X

Mesmo com o investimento pesado na publicidade nas redes sociais, Lula enfrenta o desafio de ser o candidato mais velho da disputa, apoiado por uma bancada envelhecida.

Já os conservadores se fortalecem com a linguagem digital e com pautas que ressoam entre jovens evangélicos e conservadores. Eles contam com parlamentares que entendem esse público, como Nikolas Ferreira (PL-MG), segundo político com o maior número de seguidores nas redes sociais, atrás apenas de Jair Bolsonaro. 

Nesta semana, Flávio encorajou os jovens a regularizarem a situação eleitoral e a votarem nas eleições. É uma atitude pensada, com o objetivo de atrair um público que poderá mudar o resultado das eleições.

O prazo para a regularização do título de eleitor junto ao Tribunal Superior Eleitoral terminou na última quinta-feira, 6. Segundo o órgão, Estados como São Paulo e Rio de Janeiro registram alguns dos menores índices de alistamento eleitoral do país: apenas 11,7% e 11,3% dos adolescentes de 16 e 17 anos, respectivamente, possuem o título.

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2 comentários
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Flávio Bolsonaro não é o ideal, nem de longe. Mas, é o que temos. Neste momento, o que importa é alijar o PT e toda a esquerda entreguista e corrupta do poder. Depois, se tivermos uma faxina eficiente, é tentar retornar ao Ocidente, resgatar nossas origens da cultura greco-romana, nossa moral judaico-cristã. Talvez seja sonhar demais. Mas, se a geração Z vem com esse espírito, talvez tudo dê certo.

  2. Carlos Soares
    Carlos Soares

    Não entendo como vocês da Revista Oeste (e outros competentes analistas) estão confiando plenamente no processo eleitoral.

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