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Política

'A liberdade de expressão não pode ser invocada a todo momento', diz ministro do TSE

André Ramos Tavares argumenta que, 'mesmo nos EUA, a doutrina entende que certas palavras e certas publicações podem gerar instabilidade e desordem e colocar em risco a própria nação'

As declarações de Tavares, sobre a liberdade de expressão, foram feitas no contexto das eleições municipais de outubro | Foto: Divulgação/USP
As declarações de Tavares foram feitas no contexto das eleições municipais de outubro | Foto: Divulgação/USP

O ministro André Ramos Tavares, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relativizou a liberdade de expressão durante uma palestra no Fórum Municipal de Direito Eleitoral de Fortaleza, no Hotel Gran Mareiro, no Ceará. No evento, realizado na sexta-feira 24, o magistrado disse que o direito à livre manifestação de ideias não é absoluto.

Segundo o jornal O Povo, Tavares afirmou também que o ordenamento jurídico brasileiro possui mecanismos eficazes para garantir a integridade das eleições.

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O discurso do ministro do TSE

“Mesmo nos Estados Unidos, a doutrina entende que certas palavras e certas publicações podem gerar instabilidade e desordem e colocar em risco a própria nação”, disse o ministro. “A liberdade de expressão não pode ser invocada a todo momento.”

As declarações de Tavares foram feitas no contexto das eleições municipais de outubro. Durante a palestra, o magistrado disse que a Justiça Eleitoral já está trabalhando para combater “desinformação” e para assegurar a lisura do pleito.

Juristas defendem a liberdade de expressão

Na contramão de Tavares, o Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) realizou, em 16 de maio, um evento para discussão sobre o livro Liberdade de Expressão e Direito à Informação. A sessão contou com a presença do presidente do IASP, Renato de Mello Jorge Silveira, e da ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon. Oeste esteve na conferência.

“Não se deve cair na tentação de um discurso fácil, de cerceio da liberdade”, afirmou o presidente do IASP, sobre a importância de lutar pela liberdade de expressão. “Pelo intelectual cabe o questionamento e o perene questionamento. Essa é a nossa missão. Essa é a missão do Instituto dos Advogados de São Paulo. Não de hoje, mas de sempre.”

Carlos Alberto Dabus Maluf, professor titular sênior de Direito Civil da USP e conselheiro da IASP, falou sobre o histórico da liberdade de expressão. Aos 77 anos, compartilhou suas próprias vivências sobre esse tema tão importante na vida das pessoas.

“Sei o que se passou no Brasil nos últimos 60 anos”, afirmou Maluf. “Estava na faculdade. Não é que ouvi. Eu estava e vivi os anos de 1966, 1967 e 1968.”

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O advogado e também conselheiro da IASP Ricardo Peake Braga complementou a fala de Maluf. De maneira sucinta, o jurista explicou o que é o que não é a liberdade de expressão. Braga também percorreu pela história da humanidade e explicou que o direito de fala foi conquistado pelos povos com o passar dos anos.

“Na antiguidade não havia esse conceito de liberdade de expressão”, afirmou o jurista. “Exemplos mais conhecidos que temos disso é a condenação de Sócrates justamente por crime de opinião. E também de Jesus Cristo de certa maneira. Os puritanos na Inglaterra se viam ameaçados pela poderosa Igreja Católica, e de outro lado pela já poderosa Igreja Anglicana. Embora fossem em grande quantidade, eles se viam ameaçados por essas duas instituições. Então se tornaram grandes defensores da liberdade de expressão e da crença.”

O apresentador também citou uma frase de Cecília Meireles, na qual diz que a “liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique, não há ninguém que entenda”. No entanto, segundo ele, todos sabem o que é sentir a liberdade.

“A liberdade está na base de toda a teologia cristã”, afirmou o advogado. “No livro Gênesis, quando Adão e Eva cometem o pecado original, estão cometendo uma liberdade que foi concedida a eles, porque Deus entendeu que só fazia sentido para o ser humano existir corretamente sendo livre, tomando sua decisão com base na sua liberdade.”

Ao citar uma passagem da mitologia grega, o profissional afirma que a liberdade de falar e se expressar é um direito de todos, independentemente do cargo exercido. “Não existe alguém que vale a mais do que o outro, porque esse dom foi distribuído indistintamente”, afirmou o conselheiro. “Isso é muito importante, ao contrário do que pensam alguns dos nossos ministros do Supremo Tribunal Federal. Eles não são mais iluminados que os outros.”

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5 comentários
  1. Jackson Silva Ferreira
    Jackson Silva Ferreira

    Então está valendo o que Lula disse: a democracia é relativa, seguindo por esse caminho então a liberdade de expressão também será relativa. Acabou a democracia e a liberdade de expressão, estamos na ditadura.

  2. ELIAS
    ELIAS

    Sem tergiversar, a liberdade de expressão que não pode ser invocada é o mesmo que censura. O pavor que os “donos do poder” têm em relação à manifestação livre de pensamento e opinião é diretamente proporcional às inclinações totalitárias que buscam perpetuar cargos e por extensão, privilégios que vem sendo empilhados em favor de membros dos três poderes da república. E as redes sociais tiveram o papel de revelar toda a sujeira em que chafurda a elite do poder anulando o poder da imprensa tradicional comprada.

  3. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    Erramos terrivelmente!!!
    Entregamos, ou nos foram tomadas, as chaves e os segredos dos cofres, por um bando de fugidios de matemática, física, química, ciências naturais, lógica, etc., que, de tão limitados e incapazes, tentam determinar à todos, a despeito inclusive da Constituição, o que entendem por tudo.
    Loucura!

  4. saul simões junior
    saul simões junior

    Que vergonha desses professores da outrora defensora da liberdade, as antigas arcadas. Em troca de uma boquinha, enxovalham a memória de Gofredo e demais PROFESSORES de direito e nao de fato!

  5. FATIMA
    FATIMA

    Ministros das cortes superiores perderam, ou preferem esconder, opiniões próprias e pessoais.
    É obviamente impossível que, de repente, a maioria dos ministros das cortes passassem a pensar com precisão exata e todos da mesma maneira, sobre direitos humanos inalienáveis como a liberdade de expressão, por exemplo.
    Essa gente preferiu alinhar-se ao autoritarismo absoluto do chefe moraes pra garantir seus gordos salários e privilégios, do que se manterem fiéis aos seus princípios pessoais e democráticos.

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