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Política

A onda azul e o crepúsculo do Foro

Articulação da direita latino-americana mira o Brasil como peça decisiva para enfraquecer a esquerda

'Em outubro, saberemos se o país fecha o cerco — ou se segue como a última trincheira do socialismo latinoamericano', escreve Flávio Gordon | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
'Em outubro, saberemos se o país fecha o cerco — ou se segue como a última trincheira do socialismo latinoamericano', escreve Flávio Gordon | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

Javier Milei confirmou: no dia 25 de julho, estará em São Paulo para o ato que oficializará a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. De lá, seguirá a Brasília para visitar Jair Bolsonaro, antes de prestigiar as posses de Keiko Fujimori, no Peru, e de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e de encontrar Daniel Noboa, no Equador. Para quem tem olhos de ver, o roteiro não se reduz a uma agenda diplomática. Ele traça um mapa. Nesse mapa, como disse Flávio ao argentino, o Brasil é a última peça que falta.

Já se ouve, previsivelmente, o coro dos petistas e de suas linhas-auxiliares (que, curiosamente, conta com gente da direita): “Ingerência estrangeira”. O súbito pudor comoveria, não fosse a amnésia que o sustenta. Em 2022, houve ingerência — e da grossa. O governo Biden despachou ao Brasil não apenas o seu Departamento de Estado, mas o diretor da CIA e emissários do Pentágono, com a missão de pressionar as nossas Forças Armadas a aceitar, sem piscar, o resultado que interessava a Washington. Pela Usaid, rios de dólares irrigaram o ecossistema político-midiático que trabalhou pela vitória da esquerda. E, em coordenação com o TSE, montou-se a máquina de censura que amordaçou a direita e enviesou o debate em favor do PT. Isso foi feito nos porões. Milei subirá num palanque, à luz do dia, diante das câmeras. Quem confunde as duas coisas está, obviamente, tentando manipular o debate público.

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Convém lembrar de onde viemos. Em 1990, órfãos do Muro de Berlim, Lula e Fidel Castro — com Hugo Chávez agregado depois — fundaram o Foro de São Paulo, a internacional que coordenou por três décadas o projeto continental de poder do chamado “socialismo do século 21”: chegar pelo voto, corroer as instituições por dentro e jamais sair. Venezuela, Nicarágua e Bolívia foram os laboratórios. O bloco caracterizou-se pela mistura inextricável entre política e narcotráfico.

A ofensiva da direita contra o Foro de São Paulo

Contra essa arquitetura ergue-se agora o Escudo das Américas, a frente internacional de partidos e movimentos conservadores e liberais que, sob a liderança de Donald Trump, propõe-se a desmontar o tabuleiro do Foro e recolocar o continente na rota das democracias liberais. E aqui é preciso fazer justiça: se o Brasil tem chances de integrar essa frente anti-Foro, isso se deve em grande medida ao trabalho paciente (e frequentemente desmerecido) de Eduardo Bolsonaro, que costurou, em Washington, Buenos Aires, Madri e Budapeste, a inserção da direita brasileira na rede que faltava — a resposta, enfim, à internacional socialista que operava havia décadas sem contraponto.

Milei está convencido de que a onda azul chegará ao Brasil neste ano. Em outubro, saberemos se o país fecha o cerco — ou se segue como a última trincheira do socialismo latinoamericano.

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