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Política

A pedido do TCU, Ministério do Trabalho vai prestar contas de repasses do Sistema S

A pasta criou um grupo para discutir regras de transparência sobre mais de R$ 1 bilhão destinados a confederações e federações patronais

No centro da foto, ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho
No centro da foto, ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho | Foto: Allexandre Silva / MTE

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) criou um grupo de trabalho para desenvolver um sistema de prestação de contas dos recursos recebidos por confederações e federações patronais no âmbito do Sistema S. A decisão atende a um pedido do Tribunal de Contas da União (TCU).

As entidades da indústria e do comércio recebem cerca de R$ 1,6 bilhão por ano em recursos públicos provenientes do Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Social do Comércio (Sesc) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) para a gestão do Sistema S.

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Os valores, que hoje não estão sujeitos a prestação de contas, financiam mais de 70% das atividades dessas organizações. Ao considerar que as contribuições têm natureza pública e, portanto, devem ser passíveis de auditoria em caso de denúncias, o TCU recomendou, em acórdão publicado no ano passado, a criação de regras de transparência para confederações e federações.

A pedido do TCU, Ministério do Trabalho vai prestar contas de repasses do Sistema S
Instituições que compõem o Sistema S | Foto: Reprodução/Sesi-CE

Para atender à recomendação, o MTE instituiu, em 21 de outubro, um grupo de trabalho formado por técnicos da pasta. O prazo inicial para a definição dos parâmetros terminou nesta quarta-feira, 21, e foi prorrogado por mais 90 dias, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

Os repasses às entidades patronais variam de 1% a 7% do total arrecadado, conforme a instituição, e têm origem nos cerca de R$ 30 bilhões anuais recolhidos pelo Sistema S por meio de contribuições compulsórias incidentes sobre a folha de pagamento. As alíquotas podem chegar a 2,5% e são pagas pelas empresas para financiar serviços de educação profissional, saúde, cultura, lazer e apoio ao empreendedorismo.

Participantes das discussões afirmam que um dos primeiros passos para ampliar a transparência seria a separação contábil entre os recursos recebidos pelas federações e confederações do Sistema S e outras fontes de financiamento. Outro ponto central é a definição clara da finalidade desses valores, pagos como taxa de administração superior pela gestão dos serviços.

Sede do Tribunal de Contas da União, em Brasília: alerta de irregularidades e risco de novo prejuízo aos cofres públicos
Sede do Tribunal de Contas da União, em Brasília | Foto: Divulgação: Portal de imagens do TCU

O tema é sensível, porque as próprias instituições do Sistema S já dispõem de recursos expressivos para autogestão. Em 2024, por exemplo, o departamento nacional do Sesi teve orçamento de R$ 1,1 bilhão, mesmo depois das transferências aos órgãos regionais. Um modelo considerado positivo é o do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que não financia entidade superior e é administrado por um conselho não remunerado.

Os montantes transferidos são elevados. Em 2024, o Sesi repassou R$ 761 milhões a entidades patronais e ao seu Conselho Nacional. O Senai destinou R$ 174 milhões à Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a federações.

No comércio, o Sesc e o Senac transferiram, respectivamente, R$ 455,5 milhões e R$ 262,9 milhões à Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a federações no ano retrasado. Somados, os repasses às entidades da indústria e do comércio chegaram a R$ 1,65 bilhão em 2024.

Prédio do CNI
Confederação Nacional da Indústria engloba Sesi, Senai, IEL e outras instituições | Foto: Divulgação/CNI

Para o economista Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica, “um pedaço do Sistema S é abocanhado pelos sindicatos patronais, que possuem monopólio e recebem esse dinheiro, que é um tributo da sociedade”, disse à Folha. “E não prestam contas sobre isso.”

Segundo ele, os repasses representam mais de 70% do financiamento das entidades patronais, o que acaba desviando recursos destinados à formação profissional e ao lazer dos trabalhadores. Lisboa destaca que estudos internacionais revelam que contribuições compulsórias tendem a reduzir salários, pois, embora incidam formalmente sobre as empresas, seu impacto econômico recai sobre a renda dos trabalhadores.

Na avaliação do economista, entidades patronais deveriam ser financiadas diretamente pelas empresas, como ocorre com a Federação Brasileira de Bancos, e não por contribuições obrigatórias. Ele defende uma gestão independente para Sesc, Sesi, Senai e Senac, sem repasses a federações e confederações.

O ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Josué Gomes da Silva também se posicionou contra os repasses e defendeu a ideia de que eles sejam zerados. Para ele, eventuais desperdícios no Sistema S estão concentrados na taxa de administração, que, embora legal, não é tratada com transparência.

Entidades comentam prestação de contas de recursos do Sistema S

Em nota, a CNI afirmou que não existe obrigação legal de prestação de contas por confederações nem federações em relação aos recursos recebidos do Sesi e do Senai, por terem natureza remuneratória, vinculada à administração superior.

A entidade sustenta que, na ausência de lei específica, a prestação de contas só ocorre em situações excepcionais, como denúncias, e que os recursos têm natureza privada, não estando sujeitos ao controle estatal, sob pena de violação da liberdade sindical.

Brasil Prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na Avenida Paulista, em São Paulo | Foto: Centro Cultural Fiesp
Prédio da Fiesp, na Avenida Paulista, em São Paulo | Foto: Centro Cultural Fiesp

A CNC declarou que exerce há mais de 70 anos a gestão superior do Sesc e do Senac, cujos recursos e atuação estariam submetidos à fiscalização permanente. Segundo a entidade, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, os recursos deixam de ter natureza pública após incorporados ao patrimônio das instituições.

A entidade também afirmou que o TCU já reconheceu a legalidade dos valores destinados à administração superior e questionou a necessidade de novas normas infralegais.

Em nota à Folha, o MTE informou que o grupo de trabalho está em funcionamento e dispõe de prazo de 90 dias, prorrogáveis, para concluir os trabalhos. Dez dias depois do encerramento, o relatório final será encaminhado ao ministro Luiz Marinho, que decidirá sobre as medidas a serem adotadas.

1 comentário
  1. Doutor Adão
    Doutor Adão

    Turma de pilantras !! A bhosta do tal Sistema S tem mais de 50 anos e só agora o Sr. TCU viu a irregularidade ? O problema é que os auditores do TCU trabalham muito e recebem uma tutameia ….. Trabalham dois dias na semana e ganham só 50 conto…Brasilzinho de Mierda…

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