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Política

Abin quer ampliar poder de atuação e propõe legalizar espionagem sigilosa

Minuta entregue à Casa Civil prevê uso de técnicas intrusivas, mudança na hierarquia de comando e proteção à identidade de agentes

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Fachada da Abin, em Brasília | Foto: Reprodução

Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entregaram nesta semana à Casa Civil, no Palácio do Planalto, uma proposta que amplia o poder de atuação da agência. A minuta de projeto de lei sugere alterações na Lei nº 9.883/1999, que criou o Sistema Brasileiro de Inteligência, e busca reforçar o amparo legal para ações sigilosas e tecnologias com poder de invasão.

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O documento tem três páginas e propõe autorizar a Abin a conduzir operações com uso de vigilância física e virtual, disfarces, recrutamento de fontes humanas e outras práticas comuns em serviços secretos. Também prevê o uso de ferramentas tecnológicas intrusivas, sem detalhar limites técnicos ou operacionais.

Proposta tenta legalizar o que já ocorre na prática

Segundo servidores da própria agência, esse tipo de operação já acontece na rotina da inteligência brasileira, ainda que sem uma base legal clara. O objetivo da proposta seria dar maior “transparência” e segurança jurídica às ações, mas críticos apontam riscos de abuso de poder, monitoramento político e espionagem interna.

A minuta define como “meios sigilosos” as ações que não permitem rastreabilidade tradicional. O texto também propõe blindagem da identidade dos agentes envolvidos, sob o argumento de garantir a segurança pessoal dos servidores e a eficácia das operações.

Texto retira poder do GSI e fortalece Abin

Uma das mudanças mais sensíveis é a tentativa de transferir competências hoje atribuídas ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Atualmente, o artigo 9º da lei determina que o chefe do GSI é o responsável por compartilhar os dados da Abin. Pela nova proposta, essa atribuição passaria a ser do diretor-geral da própria agência, o que significaria maior autonomia operacional e redução do controle externo sobre a inteligência.

O GSI, questionado pela imprensa, não se manifestou sobre a proposta, nem sobre o possível esvaziamento de suas atribuições. Fontes do Planalto avaliam a minuta com cautela e consideram que o cenário diplomático atual dificulta o avanço do projeto, conforme informou a CNN.

Denúncia de espionagem internacional acende alerta

O debate sobre a proposta ganhou força depois de uma reportagem do portal UOL revelar uma suposta operação de espionagem contra o Paraguai. Um servidor da própria Abin denunciou que houve invasão de sistemas paraguaios com o objetivo de obter dados sigilosos sobre a Usina de Itaipu, alvo de negociações bilaterais.

Integrantes da agência negaram a acusação. Segundo fontes ligadas à inteligência brasileira, o país teria apenas reagido a tentativas de espionagem paraguaias. Ainda assim, o caso gerou desconforto e reforçou o debate sobre os limites legais das atividades da Abin — especialmente no campo da espionagem internacional.

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2 comentários
  1. Carlos Augusto Olivé Malhadas
    Carlos Augusto Olivé Malhadas

    legalizar a ilegalidade “do bem”. Cretinos

  2. Liberta Brasil
    Liberta Brasil

    Verificar legalmente a origem e saída de dinheiro das contas bancarias do STF e seus familiares ninguém quer. Mas quando é pra violar a vida do cidadão comum tá tudo certo. Entrar em favelas não pode mas mesmo sendo ilegal pode monitorar o que as pessoas dizem na internet. O ESTADO VIROU CLEPTOCRACIA! SÓ FORMATANDO E COLOCANDO OUTRO SISTEMA OPERACIONAL.

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