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Política

Advogado de Almir Garnier critica caráter político de ação sobre suposta tentativa de golpe e prevê absolvições

Demóstenes Torres afirma que acusações contra o ex-comandante da Marinha são frágeis, aponta provas a favor do cliente e chama Mauro Cid de ‘mentiroso compulsivo’

Demóstenes Torres, advogado do Almirante Almir Garnier Santos | Foto: Extração TV Justiça
Demóstenes Torres, advogado do almirante Almir Garnier Santos | Foto: Reprodução/TV Justiça

O ex-senador Demóstenes Torres, hoje advogado do almirante Almir Garnier, afirmou nesta terça-feira, 24, que o Supremo Tribunal Federal (STF) provavelmente vai absolver alguns dos réus da ação penal por tentativa de golpe de Estado. À época dos fatos, Garnier comandava a Marinha

“Nenhum processo se perfaz só com condenações”, afirmou Torres, em entrevista ao portal Poder360. Ele disse haver acusações na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que “não se sustentam”, embora não tenha especificado quais. 

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Segundo o advogado, é natural que uma ação penal tenha condenações e absolvições, pois “para isso serve o devido processo legal”. Caso contrário, “viraria um processo soviético, um processo cubano, um processo hitlerista, da era de Mussolini”. 

comandante da marinha
O então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, durante a cerimônia que o empossou no cargo, em Brasília – 09/04/2021 | Foto: Marcos Corrêa/PR

Ele disse confiar “piamente” que haverá absolvições, com base no princípio jurídico do in dubio pro reo — expressão latina significa “na dúvida, a favor do réu”. O conceito determina que, diante de dúvidas e ausência de provas conclusivas, a decisão precisa favorecer o acusado.

Torres argumenta que, embora o tenente-coronel Mauro Cid e o ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Batista Júnior, tenham feito declarações contrárias a Garnier, “há outra meia dúzia de provas a favor”, inclusive do atual comandante, Marcos Sampaio Olsen. 

“São provas sérias, objetivas, que induzem ao in dubio pro reo. Eu não espero o in dubio pro reo, espero a absolvição, porque o Ministério Público não provou a sua acusação”, disse na entrevista. “Mas se isso não acontecer, o in dubio pro reo também faz parte do jogo do processo penal.”

O advogado afirmou, porém, acreditar que haverá condenações. “Esse é um processo, infelizmente, bastante político. Mas o meu viés de defesa sempre foi bastante jurídico”, comentou. “Eu não acusei ninguém, não busquei fazer chicana ou atrasar a instrução, porque a verdade está do lado do almirante Garnier.”

Na entrevista, Torres classificou ainda o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, como um “mentiroso compulsivo”, que já apresentou mais de dez versões dos mesmos fatos. “Eu não sei como o Supremo vai lidar com isso, mas acredito que, no fim, vai invalidar essa delação.” 

O tenente-coronel Mauro Cid, uma das testemunhas do julgamento sobre o suposto golpe de 8 de janeiro de 2023: respostas favorecem Bolsonaro, avalia Guzzo | Foto: Ton Molina/STF
O tenente-coronel Mauro Cid, uma das testemunhas do julgamento sobre o suposto golpe de 8 de janeiro de 2023 | Foto: Ton Molina/STF

PGR acusa Garnier de ser único comandante a apoiar golpe

A PGR sustenta que Garnier foi o único comandante das Forças Armadas a apoiar a suposta tentativa de golpe, em reunião com o então presidente Jair Bolsonaro depois do segundo turno das eleições de 2022. Na ocasião, Bolsonaro teria cogitado decretar Garantia da Lei e da Ordem, estado de defesa e estado de sítio para impedir a posse de Lula. 

Segundo o depoimento do então chefe da Força Aérea Brasileira, Batista Júnior, Garnier teria colocado as tropas da Marinha à disposição do então presidente, enquanto os demais comandantes se opuseram, o que teria sido crucial para impedir o plano. Durante seu interrogatório no STF, o almirante confirmou a reunião, mas negou ter oferecido apoio militar.

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