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Política

Além de Moraes, Lei Magnitsky evidencia insegurança jurídica do Brasil, diz constitucionalista

A Oeste, André Marsiglia explica como as sanções podem comprometer ainda mais a credibilidade do país internacionalmente

Ministro Alexandre de Moraes foi sancionado com a Lei Magnitsky nesta quarta-feira, 30 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro Alexandre de Moraes foi sancionado com a Lei Magnitsky nesta quarta-feira, 30 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As consequências reais da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 30, ainda não foram totalmente desdobradas. Entretanto, além dos efeitos diretos para a pessoa de Moraes, a imagem do Brasil ante o mundo pode piorar, principalmente se Moraes for mantido no poder.

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Conforme explica o advogado constitucionalista André Marsiglia, todos os outros países que tiveram magistrados punidos pelos EUA — como Rússia, Venezuela e Irã — viram sua credibilidade jurídica cair, o que repercute na segurança jurídica do país. Dessa forma, a economia também pode ser impactada por consequência, uma vez que a segurança jurídica é crucial para o fluxo de investimentos estrangeiros.

“O país que não tem segurança jurídica não é um bom país para investir, para fazer negócios, para ter empresa, para ser sócio de alguém e assim por diante. Então a ausência de segurança jurídica significa eu não ter previsibilidade do investimento financeiro”, disse Marsiglia a Oeste.

André Marsiglia é advogado constitucionalista, professor e palestrante | Foto: Reprodução/Redes sociais
André Marsiglia é advogado constitucionalista, professor e palestrante | Foto: Reprodução/Redes sociais

Todas as nações politicamente problemáticas ou com um Judiciário sem credibilidade têm repercussões financeiras graves, afirma. No Brasil — onde investidores estrangeiros já reclamam da falta de segurança jurídica mesmo antes da imposição de sanções contra Moraes —, pode acontecer o mesmo, explicou Marsiglia.

Moraes pode ser barrado na Europa depois da Magnitsky

As sanções pela Lei Magnitsky restringem acesso dos sancionados a serviços de empresas norte-americanas, inclusive quando operam fora dos Estados Unidos. Mesmo empresas brasileiras que têm alguma relação com essas empresas estrangeiras ou que tenham relação com a estrutura, por exemplo, do sistema financeiro norte-americano são englobadas.

Dessa forma, bancos brasileiros que usam o sistema financeiro norte-americano não podem oferecer serviços aos sancionados. Dentre eles, o Banco do Brasil, que é o banco que paga o salário dos ministros da STF, ressalta Marsiglia.

Ele observa que, em tese, Moraes não teria restrições na Europa se não houver sanção local. Entretanto, há países europeus que já aplicaram medidas semelhantes à Lei Magnitsky, para barrar a entrada de sancionados.

“Há precedentes de países que não deixam os sancionados pela Magnitsky entrarem no seu território. Isso é muito caso a caso, não é algo geral, mas há precedentes de países que já fizeram isso, mesmo na Europa”, afirmou a Oeste.

Horas depois do anúncio das sanções dos EUA, um grupo de 16 deputados do Parlamento Europeu enviou carta à alta representante da União Europeia para Relações Exteriores e Segurança, Kaja Kallas, para pedir que o bloco adote sanções contra Moraes e outros juízes da Corte.

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