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Política

Alunos da USP anunciam paralisação a favor de cotas trans

Universitários aprovaram a greve por 514 votos a 82

bandeira trans
O movimento trans abriga as pessoas transgênero, não-binárias e de outras identidades de gênero que não se alinham com o sexo atribuído ao nascer | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Diretório Central dos Estudantes Alexandre Vannucchi Leme (DCE Livre), formado por alunos da Universidade de São Paulo (USP), anunciou a aprovação de uma paralisação estudantil em apoio às cotas para pessoas trans, à permanência estudantil e à reestruturação da universidade nesta quinta-feira, 8.

A decisão foi tomada depois de um plebiscito liderado pelo Centro Acadêmico Lupe Cotrim (Calc), que representa os alunos da Escola de Comunicação e Artes, cujo resultado foi divulgado em redes sociais nesta terça-feira, 6. Segundo o centro acadêmico, a consulta obteve expressiva maioria favorável à mobilização: 514 a favor da greve, enquanto 82 foram contrários e 76 se abstiveram.

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Na legenda que acompanha a imagem, o Calc destacou que “foram 514 votos favoráveis a um dia de luta na ECA por cotas trans, por permanência e por estrutura!”. A legenda enfatiza também o caráter coletivo da ação, com o anúncio de que a paralisação está integrada ao “calendário unificado aprovado pelo DCE e com as atividades locais da ECA”.

A programação do dia de paralisação foi dividida em três turnos, com atividades ao longo de toda a quinta-feira. Pela manhã, o cronograma prevê um “trancaço” no Portão 1 da Cidade Universitária, uma ação direta de bloqueio. Às 9h30, serão formados grupos de discussão e, às 10h30, haverá uma reunião unificada da ECA.

Durante a tarde, as atividades seguem com propostas de mobilização artística e política. Às 13h00 está marcada uma oficina de cartazes com o coletivo Xica Manicongo, que reúne estudantes trans e travestis da universidade. Na sequência, às 14h00, ocorre o ato Cotas Trans Já, no prédio da reitoria, em reivindicação junto à administração central da USP.

À noite, os estudantes retomam os grupos de discussão às 19h30. Às 20h30 está agendada outra reunião unificada e, para encerrar as atividades, um evento chamado “TRANSQIB – Pós reunião – Geodésica”, sem maiores detalhes sobre o formato.

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Além da Calc, também aderiram à paralisação o Centro Acadêmico XXI de Junho, formado por alunos do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional (Fofito) e o Centro Acadêmico da Matemática, Estatística e Computação (CAMat), que reúne discentes do Instituto de Matemática e Estatística (IME).

Também confirmou seu apoio a unidade do DCE Livre no campus da USP em Ribeirão Preto (SP), bem como o Centro Acadêmico Antônio Junqueira de Azevedo (Caaja), que representa os alunos da Faculdade de Direito da cidade. No interior paulista, a paralisação contará com oficina de cartazes, panfletagem, jogral e uma aula pública.

Paralisação “não é dia de folga”, diz centro acadêmico da USP

O Calc ainda reforçou que a paralisação “não é dia de folga” e sim “um momento pensado e reservado para lutar em prol de pautas essenciais para a melhoria da Universidade”. O comunicado pede o cumprimento do acordo coletivo por parte dos estudantes e a suspensão das aulas ministradas no dia.

O Calc ainda afirmou que a paralisação foi resultado legítimo de deliberação estudantil. “A decisão de efetivar a paralisação foi tomada pelos estudantes por meio de um plebiscito, e o resultado expressou a decisão do conjunto dos estudantes ecanos”, disse. Por isso, o texto sustenta que é “crucial que todos respeitem essa decisão”.

A Cidade Universitária é o campus da Universidade de São Paulo | Foto: Divulgação/USP
A Cidade Universitária é o campus da Universidade de São Paulo | Foto: Divulgação/USP

O centro acadêmico também criticou supostos episódios de repressão. “Alguns professores têm intimidado e rechaçado os estudantes com ameaça de faltas para ‘todes’”, denunciou, ao destacar que “nenhum professor pode prejudicar a turma inteira se ninguém dessa turma for para a aula”.

O comunicado conclui com um apelo à adesão ampla e sem intimidações. “Esperamos que docentes respeitem os estudantes da forma mais orgânica, colaborativa e humana possível”, e reforça que “nenhuma pressão ou ameaça deve impedir a luta pelas cotas trans”.

Centro Acadêmico XI de Agosto se posiciona pelas cotas trans

O Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, também manifestou apoio à mobilização por cotas trans e se somou ao movimento que levou à paralisação da universidade.

Reconhecido como um dos mais antigos e tradicionais centros acadêmicos do Brasil, o XI reafirmou seu compromisso histórico com pautas de inclusão e convocou os estudantes do Largo São Francisco para participar ativamente do ato programado em frente à Reitoria da USP.

Sob o título “A Sanfran vai transicionar: por cotas trans já!”, o CA destacou que, desde 2023, “tem fomentado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco a discussão para a implementação de cotas trans” e enfatizou que se trata de uma pauta “de extrema importância que não deve ser tratada de maneira pontual, mas sim durante o ano todo”.

O coletivo União e Reconstrução, que atualmente dirige o CA, mencionou uma série de ações já realizadas, como a promoção de eventos temáticos, articulação com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (Prip) e participação na criação de uma comissão de estudos sobre o tema.

O XI também reforça a importância da presença estudantil no processo de formulação de políticas institucionais. “Por isso, o XI de Agosto convoca todo mundo a estar no ato em frente à reitoria para o dia de luta por cotas trans”, finaliza.

Leia também: “Onde os idosos não têm vez”, artigo de Tiago Pavinatto publicado na Edição 267 da Revista Oeste

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2 comentários
  1. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    Essas Universidades públicas perderam a razão de ser, os alunis trocaram o interesse pelo conhecimento por pautas esquerdistas woke.

  2. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    Por essas e outras que as universidades federais públicas são uma piada mundial.

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