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Política

Alvo da CPI da Covid atua em empresas concorrentes e ganha contratos milionários do SUS

A Star Pharma, ligada à farmacêutica Emanuela Medrades, firmou acordo de R$ 127 milhões para fornecer insulina ao governo federal

A farmacêutica Emanuela Medrades depôs no caso da Coxavin | Foto: Pedro França/Agência Senado
A farmacêutica Emanuela Medrades depôs no caso da Coxavin | Foto: Pedro França/Agência Senado

A farmacêutica Emanuela Medrades, envolvida no caso Covaxin durante a CPI da Covid, participou de processos licitatórios milionários no Ministério da Saúde, no governo Lula (PT), relativos à compra de insulina para o Sistema Único de Saúde (SUS). Os documentos são de 2024.

A informação é do jornal Folha de S. Paulo. Apesar de não aparecer como sócia da Star Pharma, empresa vencedora da disputa, Emanuela exerce funções técnicas desde 2023 e mantém ligação direta com a gestão da companhia.

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A Star Pharma assinou dois contratos, totalizando R$ 127,4 milhões, para fornecimento do medicamento ao SUS, depois da concorrência que envolveu oito empresas.

Na mesma licitação, uma das concorrentes derrotadas, a Medicpharma, passou a ter como proprietário Matheus Scarlatte, advogado de Emanuela e da própria Star Pharma, poucos meses antes do certame.

Alvo de CPI da Covid incentivou funcionária a se passar por outra pessoa

A atuação de Emanuela nas duas concorrentes é reforçada pelo cruzamento de mensagens registradas pelas empresas em sistemas eletrônicos.

Mensagens anexadas a uma ação trabalhista mostram que Emanuela Medrades orientou uma funcionária da Star Pharma a se passar por representante da Medicpharma para pedir mais prazo ao Ministério da Saúde em uma licitação. Minutos depois, o pedido foi feito formalmente pela Medicpharma.

A lei proíbe empresas com vínculos de disputarem o mesmo certame. Emanuela, a Star Pharma e o advogado Matheus Scarlatte negam irregularidades, afirmando que as propostas foram independentes e representavam laboratórios diferentes.

A Star Pharma, que venceu a disputa, representava uma empresa portuguesa com insulina fabricada na China. Já a Medicpharma, desclassificada, ofereceu um produto egípcio. Os contratos, de R$ 63,7 milhões cada, foram assinados por Vitor Duarte, companheiro de Emanuela.

Embora não seja sócia formal, Emanuela aparece em mensagens coordenando pagamentos, contratações e reuniões com a Anvisa. Foi chamada de “CEO” por uma ex-funcionária.

Defesas e histórico

Fachada do Ministério da Saúde
Ministério da Saúde diz que não pode investigar os representantes das empresas | Foto:
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Scarlatte indaga a autenticidade das mensagens, que tramitam sob segredo de Justiça. O Ministério da Saúde afirma que seguiu as regras e obteve economia para o SUS. A pasta não pode investigar individualmente os representantes das empresas.

Relatórios mostram atrasos na entrega de insulina, atribuídos pela Star Pharma a ajustes no cronograma. Outros laboratórios foram incluídos nos contratos.

Emanuela também esteve à frente da Precisa Medicamentos, envolvida na negociação da Covaxin com o governo Bolsonaro durante a pandemia de covid-19. Foi alvo de investigações, mas nega crimes. Em 2025, seu nome foi retirado da dívida da empresa com a União.

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