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Política

Sem citar Flávio, Lula diz que 'traidores da pátria' tentam prejudicar Brasil por eleições

Presidente criticou brasileiros que, segundo ele, incentivam embate comercial com os EUA

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião ministerial | Foto: Captura de tela/ YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 3, que brasileiros estão atuando para estimular medidas comerciais dos Estados Unidos contra o Brasil por interesses eleitorais. Sem citar nomes, ele classificou a atuação desses grupos como uma “traição da pátria”.

A declaração ocorreu durante a abertura da reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto, em Brasília. Lula comentou a investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano e a possibilidade de imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros.

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“Confesso a vocês que fiquei surpreso com a decisão dele, fiquei triste”, afirmou o petista, sobre o presidente dos EUA, Donald Trump. “E fiquei mais triste ainda porque tem brasileiros, que não vou citar nomes, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente ele vai prejudicar nossa campanha à Presidência da República.”

O presidente não citou ninguém diretamente, mas dá a entender que se refere ao senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao grupo que o apoia.

“Um imbecil desses não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula”, alegou o petista. “(…) Em qualquer outro país do mundo ou momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria, isso é o que eles fizeram. Não tem explicação na sociologia o comportamento de um grupo de irresponsáveis como esses. “

Lula promete reagir e enviar nova carta a Trump

Em resposta, Lula afirmou que pretende enviar uma nova carta a Trump e intensificar sua defesa do Brasil com a imprensa internacional. “Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump”, disse aos ministros. “Vou escrever quantos artigos precisar escrever na imprensa americana e mundial para mostrar que eles estão errados.” Em seguida, Lula confirmou que participará da próxima reunião do G7.

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Além disso, o petista acrescentou que o Brasil buscará novos mercados caso os Estados Unidos reduzam as compras de produtos brasileiros. “Se os EUA não quiserem comprar, nós vamos vender para quem quiser comprar”, afirmou. “Somos um país soberano. Por isso, este país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências.”

O relatório dos EUA

Os comentários ocorreram depois de o governo dos EUA concluir uma investigação comercial iniciada em julho do ano passado. O relatório norte-americano afirma que determinadas práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem o comércio dos EUA”. O Brasil está entre os 60 países citados na investigação.

Como resultado, o documento propõe tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros. O governo norte-americano também anunciou uma proposta de tarifa adicional de 12,5% para países que, na avaliação de Washington, não adotam medidas suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Ainda na reunião desta quarta-feira, Lula pediu para que seus ministros não apresentem “nada de novo” até as eleições. O petista é pré-candidato à reeleição.

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