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Política

Amorim diz que nova eleição na Venezuela é uma 'ideia', mas nega ter feito proposta

Segundo o ex-chanceler, 'o curioso de novas eleições é que, tanto um quanto outro poderiam aceitar facilmente'

A eventual sugestão de Amorim foi publicada pelo jornal O Globo, na terça-feira 13 | Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, chanceler Celso Amorim, negou ter proposto novas eleições na Venezuela, mas destacou que a sugestão é uma “ideia que está aí”. Apesar disso, Amorim explicou que a possibilidade não está sendo discutida.

“Eu não fiz, nós nunca fizemos uma proposta de novas eleições”, disse Amorim aos senadores. “É um tema. Ouvi isso a primeira vez, não posso dizer de quem, mas não era de um brasileiro. Acho que o curioso de novas eleições é que, tanto um quanto outro poderiam aceitar facilmente. Se todos ele dizem que ganharam, ganhariam de novo.”

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Na ocasião, o ex-chanceler respondia a um questionamento da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que o interpelou se essa seria uma sugestão que ele faria se o pleito fosse no Brasil com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa.

“Se houvesse novas eleições, teria que ser com supervisão robusta, mas é uma ideia, que está aí”, continuou Amorim, sugerindo que a União Europeia pudesse supervisionar a possível nova disputa. “Achávamos muito importante, e isso fazia parte do Acordo de Barbados, uma supervisão internacional forte”, prosseguiu o ex-chanceler.

A eventual sugestão de Amorim foi publicada pelo jornal O Globo, na terça-feira 13. Segundo o veículo, a sugestão do ex-chanceler teria sido levada a Lula. Seria uma espécie de segundo turno do pleito de 28 de julho, que declarou o ditador Nicolás Maduro reeleito na Venezuela. A sugestão teria sido levada em “caráter informal”.

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Aos parlamentares, Amorim destacou que o papel do Brasil no conflito na Venezuela é promover o “diálogo”, a mediação e a paz. Além disso, que a situação no país é “perigosa”.

O Brasil não reconheceu a reeleição do ditador Nicolás Maduro na Venezuela, mas continua cobrando a apresentação das atas eleitorais. Apesar disso, também não reconheceu a vitória de Edmundo González, principal opositor a Maduro nas urnas.

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Ainda ao colegiado nesta manhã, Amorim destacou ter recebido González durante sua estadia em Caracas, capital venezuelana. O assessor especial, porém, ressaltou que não se encontrou com a líder da oposição María Corina, pois “alguém deveria manter contato com o governo”.

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Foto: Reprodução/Twitter/X

Em 29 de julho, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) declarou oficialmente o ditador Nicolás Maduro reeleito, com pouco mais de 5 milhões de votos, apesar de a oposição falar em fraude eleitoral. Conforme os opositores do regime chavista, González, venceu, com 70%.

A oposição e demais candidaturas independentes na Venezuela não aceitaram de forma consensual o resultado. A comunidade internacional também fez críticas. Após a reação negativa de sete países latino-americanos, Maduro expulsou o corpo diplomático da Argentina, do Chile, da Costa Rica, do Panamá, do Peru, da República Dominicana e do Uruguai.

Em nota divulgada após o pleito, o Brasil, por sua vez, informou que “saúda o caráter pacífico da jornada eleitoral de ontem na Venezuela e acompanha com atenção o processo de apuração”. O presidente Lula disse não ver nada de “anormal” na eleição” e cobrou a apresentação das atas eleitorais.

O CNE da Venezuela apresentou, na primeira semana, as atas à Justiça do país, mas a Corte é alinhada ao regime chavista. A Corte informou que a decisão sobre o pleito vai ser “inapelável”.

Ainda de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o Palácio do Planalto reafirmou “o princípio fundamental da soberania popular, a ser observado por meio da verificação imparcial dos resultados”. Segundo o Itamaraty, é essencial que o CNE da Venezuela publique os dados, “desagregados por mesa de votação”, para o processo ter transparência.

Parlamentares, contudo, cobram uma posição mais contundente do governo federal, que ainda aguarda a divulgação das atas por parte do CNE venezuelano para ter um posicionamento oficial sobre o pleito.

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