Ao comentar o voto auditável, Barroso cita ‘confusão’ e ‘golpe’

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral defende o software das urnas eletrônicas; especialista levanta dúvidas
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O ministro chamou a medida de 'inferno administrativo'
O ministro chamou a medida de 'inferno administrativo'

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, fez novos comentários sobre o voto auditável. “Tem os de boa fé que defendem o voto impresso; os que desconhecem o sistema; os que dizem que não precisa, mas não custa nada; e tem os de má-fé que querem criar confusão mesmo para poderem tentar melar o jogo e dar golpe”, afirmou o ministro, em entrevista à GloboNews, na terça-feira 29.

Barroso citou os motivos pelos quais defende o modelo atual, como supostas dificuldades para pôr em vigor a impressão do comprovante do voto. O custo seria de R$ 2 bilhões, além do “inferno administrativo” de se fazer licitação para a compra de 500 mil impressoras. “Em terceiro lugar, há risco imenso de quebra de sigilo do voto, além do risco de judicialização”, disse o magistrado. Barroso também citou o impacto na logística de 150 milhões de votos impressos que precisariam ser transportados para a apuração.

Especialista levanta dúvidas sobre o software das urnas

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Amílcar Brunazo, engenheiro especialista em segurança de dados e voto eletrônico, afirmou que a confiabilidade das urnas eleitorais é duvidosa. De acordo com ele, o equipamento pode ser objeto de fraude. “O software é desenvolvido no TSE seis meses antes das eleições, compilado com 15 dias de antecedência, transmitido por internet pelos tribunais regionais e por cartórios, e gravado num flashcard [uma espécia de pen drive]”, explicou Brunazo, no mês passado, durante audiência pública em comissão especial da Câmara dos Deputados.

“A equipe do professor Diego Aranha, dentro do TSE, mostrou ser possível pegar esse cartão, inserir nele um código espúrio, que não foi feito pelo TSE, e colocar na urna eletrônica”, salientou o especialista, ao mencionar que os brasileiros acabam tendo de confiar no servidor que vai pôr o dispositivo na máquina. “Muitas vezes é um profissional terceirizado. Realmente, o processo eleitoral brasileiro depende da confiança de todos os funcionários envolvidos. Isso é um equívoco”, lamentou Brunazo.

Leia também: “O que você precisa saber sobre o voto impresso”, reportagem publicada na Edição 54 da Revista Oeste

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