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Política

As dúvidas sobre a CPI para investigar Toffoli e Moraes

Assunto entrou em pauta depois que Flávio Bolsonaro apontou irregularidades em investigações parlamentares direcionadas a pessoas

Congresso; Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI); senadores, Senado, Câmara
Fachada do Congresso Nacional | Foto: Pedro França/Agência Senado

O debate sobre o funcionamento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional depois de declarações do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nesta semana, o parlamentar comentou a tentativa de investigação dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio lembrou que a criação de uma CPI não pode ter o objetivo de investigar pessoas específicas. Tal argumento tem base em regras constitucionais e regimentais de cada Casa Legislativa, as quais disciplinam esse tipo de comissão.

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As CPIs são instrumentos de investigação do Poder Legislativo previstos na Constituição Federal. Segundo o artigo 58, parágrafo 3º, elas devem ser criadas para apurar “fato determinado” e funcionar por prazo certo. Também estabelece que a abertura da comissão depende do apoio de um terço dos parlamentares, seja da Câmara dos Deputados, seja do Senado.

Na prática, isso significa que o objeto de investigação de uma CPI precisa ser um acontecimento específico, delimitado e de interesse público. Embora pessoas possam ser investigadas ou convocadas para depor ao longo dos trabalhos, isso ocorre como consequência da apuração do fato, e não como objetivo inicial da comissão.

Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Depois de instalada, uma CPI possui poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais. Os parlamentares podem convocar testemunhas, requisitar documentos, determinar quebras de sigilo bancário ou fiscal e promover diligências.

Leia mais: “Vá em frente, ministro”, artigo de Augusto Nunes e Carlo Cauti publicado na Edição 312 da Revista Oeste

Apesar dessas amplas ações, a comissão não julga nem condena investigados. Ao final dos trabalhos, os integrantes aprovam um relatório que pode sugerir o indiciamento de pessoas e encaminhar as conclusões à Justiça.

Embate com Alessandro Vieira

Plenário do Senado; Senador
Senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

As declarações de Flávio, que foram ao ar na última quarta-feira, 11, no canal SBT News, geraram reação do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ele é o autor da proposta no Senado.

O parlamentar sergipano questionou o fato de o colega supostamente não gostar da CPI. “Alguém consegue explicar por que Flávio Bolsonaro ficou tão nervoso com uma CPI que vai investigar a conduta dos ministros Toffoli e Moraes?”, indagou, em publicação nas redes sociais. “Que ele protege os ministros, por covardia ou conveniência, a gente já sabia desde 2019, quando ele foi contra a CPI da Toga e o impeachment, mas por que esse desespero tão grande agora?”

Na entrevista ao SBT News, Flávio afirmou que “senadores como Alessandro Vieira descredibilizam o que ainda resta de credibilidade do instituto das CPIs”. “Ele correu com as assinaturas exatamente para dizer que não assinei, porque tenho algum rabo preso, o que é mentira, e ele sabe disso”, afirmou.

Ao sugerir que entrassem no escopo da CPI os nomes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad; do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; do ministro da Casa Civil, Rui Costa; e do empresário baiano Augusto Lima, Flavio questionou: “Por que o Alessandro Vieira esqueceu de chamar essa galera? Só porque ele é base do governo Lula?”.

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