publicidade
Política

Ataque hacker em MT: Saúde ignorou alertas de backup por 2 anos

Invasão cibernética sequestrou 200 terabytes de dados, incluindo relatórios da CPI da Saúde; criminosos pediam US$ 500 mil em bitcoins

ses-mt
Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso | Foto: Reprodução/Secom-MT

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) afirmou em nota nesta terça-feira, 2, que o recente incidente cibernético em sua infraestrutura tecnológica não comprometeu a base de dados da instituição. Segundo a pasta, o episódio não causou prejuízos à continuidade dos serviços prestados à população.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

Contudo, os dados oficiais divergem das apurações do portal PNB Online. O veículo teve acesso aos arquivos sequestrados. A investigação revelou que a invasão destruiu cerca de 200 terabytes de dados. Ao todo, o ataque corrompeu mais de 300 mil documentos da administração pública.

A apuração jornalística revelou uma sucessão de falhas administrativas que facilitaram a entrada dos criminosos na rede da SES-MT:

  • Demora de dois anos: em 2024, a Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI) enviou um e-mail em que solicitava autorização para avançar com o backup da pasta da Saúde. A coordenação de TI da secretaria levou mais de dois anos para responder, consentindo com a medida apenas em 13 de fevereiro deste ano;
Fachada da Secretaria de Saúde de Mato Grosso | Foto: Divulgação/Secom-MT
Fachada da Secretaria de Saúde de Mato Grosso | Foto: Divulgação/Secom-MT
  • Canais de internet vulneráveis: dos 40 links de comunicação da secretaria, 13 faziam parte de um contrato operado pela Oi e gerenciado pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Esses canais estavam totalmente sem suporte técnico e sem licença ativa;
  • Apagão contratual de proteção: o ataque ocorreu justamente em um intervalo de tempo em que os sistemas de defesa da rede estadual estavam desprotegidos, decorrente da suspensão de uma licitação da MTI.

A superintendência de TI da SES-MT emitiu um comunicado interno no dia 13 de fevereiro. O aviso alertava os servidores de que as pastas compartilhadas ficariam visíveis “apenas para consulta”. Essa restrição de edição é uma marca típica de redes congeladas por ransomware.

Chantagem milionária e deboche na deep web

A gangue digital LockBit executou a ação criminosa. O grupo usou um software de resgate para bloquear os sistemas da secretaria. Os criminosos exigiram US$ 500 mil em bitcoins para liberar o acesso aos dados.

Leia mais: “Ataque hacker apaga milhares de arquivos da Secretaria de Saúde de Mato Grosso

Mesmo sem o pagamento do resgate por parte do governo, os invasores publicaram a estrutura e os títulos dos arquivos na deep web. O grupo ironizou a vulnerabilidade do Estado em uma mensagem direta:

“Trate esta situação como um treinamento pago para seus administradores de sistema, pois foi a configuração incorreta da sua rede corporativa que nos permitiu atacá-lo”, afirmou a gangue LockBit.

Os arquivos expostos trazem relatórios, auditorias e planilhas que abastecem a CPI da Saúde. A lista inclui registros de empresas investigadas na Operação Espelho. Entre elas estão LGI Médicos, Bone Medicina Especializada e Intensive Care. Há também dados do Hospital Regional de Cáceres, alvo da Operação Panaceia contra fraudes na pandemia.

O posicionamento oficial da Saúde de MT

A reportagem cobrou comprovações documentais que atestassem a recuperação total das informações perdidas, mas a secretaria não apresentou os comprovantes. Em nota oficial enviada ao veículo, a pasta justificou suas ações em tópicos:

  • Silêncio de três meses: a SES-MT argumentou que concentrou os esforços iniciais na contenção da ameaça, preservação de provas e restabelecimento seguro dos sistemas corporativos antes de falar publicamente;
  • Mudança de classificação: o caso foi inicialmente registrado como “incidente de dados” e depois corrigido para “incidente de segurança da informação” com base no avanço das análises técnicas;
  • Investigação policial: a pasta informou que os primeiros indícios práticos da invasão surgiram em março de 2026, momento em que o caso foi levado ao conhecimento da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos, que conduz o inquérito sob sigilo;
  • Garantia de integridade: a instituição sustenta que os arquivos originais foram resgatados por meio de rotinas próprias de contingência e redundância da secretaria, descartando qualquer prejuízo às investigações da CPI da Saúde;
  • Isenção de gestores: a nota conclui ao informar que notificou a Agência Nacional de Proteção de Dados e que não existem elementos que apontem responsabilidade direta do ex-secretário Gilberto Figueiredo ou do atual chefe da pasta, Juliano Melo, pelo incidente.

Leia mais: “Governo Lula ameaça reação comercial contra os EUA

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.