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Bolsonaro, os militares e a ‘crise’ do Brasil de ontem

'Golpe militar, em nosso século 21, tornou-se uma dessas coisas que não se fazem mais', escreve J. R. Guzzo em artigo publicado na Revista Oeste
Leitura de grande parte da imprensa sobre a troca dos comandantes das Forças Armadas não encontra respaldo na realidade
Leitura de grande parte da imprensa sobre a troca dos comandantes das Forças Armadas não encontra respaldo na realidade | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em artigo publicado na Edição 54 da Revista Oeste, J. R. Guzzo explica por que, hoje, nem o presidente Jair Bolsonaro, muito menos os ex-comandantes das Forças Armadas ou os que foram para o lugar deles podem dar qualquer tipo de “golpe” — pelo menos não no mundo das realidades.

Leia um trecho:

“O presidente Jair Bolsonaro, obviamente, não quis mais saber do seu ministro da Defesa e dos chefes das três Forças — cansou de olhar para o lado deles, buscando apoio contra os inimigos do seu governo, e ver que não havia ninguém em casa. Os comandantes, por sua vez, deixaram mais do que claro que não querem dar nem sequer uma volta no quarteirão para ajudar o presidente a reforçar a sua autoridade. A tese preferida na oposição, junto aos professores de ciência política e entre os economistas de centro-esquerda, é que Bolsonaro queria dar algum tipo de ‘autogolpe’ e que os ‘militares’ se recusaram a participar, em obediência às suas convicções democráticas. Disso estaria resultando uma crise política descomunal — e essa crise, além do mais, poderia dar ruim para o presidente, pois a ‘tropa’, indignada com as ameaças à democracia por parte do governo, iria tomar alguma providência.

O problema dessas histórias, contadas pelos peritos que a mídia vai buscar nas universidades para dar entrevistas e participar de mesas-redondas, é que nem Bolsonaro, nem os militares demitidos, nem os que foram para o lugar deles podem dar golpe nenhum — não no mundo das realidades. O presidente pode se livrar, como se livrou, de todos os generais, almirantes e brigadeiros que lhe faziam cara feia. Mas golpe militar, em nosso século 21, tornou-se uma dessas coisas que não se fazem mais. Nem é uma questão de ser a favor ou contra, de acreditar ou não no estado de direito, na Constituição e nas ‘instituições’ — é que, na prática, não dá para fazer. ‘Botar a tropa na rua’, fechar o Congresso e tomar a torre de transmissão da Globo depende de várias coisas: nenhuma delas está disponível no momento. Golpe, venha de onde vier, precisa de liderança clara nos quartéis. Precisa de uma lista muito exata das coisas que serão feitas na vida real, imediatamente depois do golpe. Precisa de um programa de governo. Precisa de apoio, ou da indiferença, internacional. Precisa de ideias. Nada disso existe.”

Revista Oeste
Além do artigo de J. R. Guzzo, a Edição 54 da Revista Oeste traz reportagens especiais e textos de Augusto Nunes, Guilherme Fiuza, Ana Paula Henkel, Dagomir Marquezi, Silvio Navarro e Rodrigo Constantino.

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