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Política

Guerra comercial entre EUA e China traz incertezas ao Brasil

Segundo analistas, a valorização do dólar tem sido uma das maiores preocupações

Donald Trump, dos EUA, se encontra com Xi Jinping, presidente da República Popular da China, durante reunião na Cúpula do G20 no Japão | Foto: Shealah Craighead/White House
Donald Trump se encontra com Xi Jinping, presidente da República Popular da China, durante reunião na Cúpula do G20 no Japão | Foto: Shealah Craighead/White House

O Brasil ainda permanece fora das tarifas iniciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, os impactos indiretos dessas medidas podem atingir a economia nacional, principalmente em áreas como câmbio, juros e comércio exterior.

Especialistas destacam que a guerra comercial entre Estados Unidos e China exige do Brasil prudência e um rigoroso controle fiscal.

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Segundo analistas, a valorização do dólar tem sido uma preocupação, especialmente depois da retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e de propostas de sobretaxar importações do México e Canadá. A intenção de Trump de implementar tarifas de 10% sobre produtos chineses adiciona novas incertezas ao cenário global.

Estratégias e oportunidades para o Brasil

Em entrevista ao jornal O Globo, a pesquisadora Lia Valls, da Fundação Getulio Vargas – FGV Ibre, enfatiza que a possibilidade de novas tarifas não pode ser negligenciada. Ela afirma que “Trump pode usar essa ameaça como uma estratégia de pressão durante as negociações”, disse ela.

O professor Roberto Dumas Damas, do Insper, observa que, apesar dos riscos, a guerra comercial pode também criar oportunidades para o Brasil. Contudo, o país deve estar vigilante e preparado.

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A decisão de Trump de aumentar as tarifas sobre México e Canadá busca, em parte, levar a uma renegociação do acordo comercial entre os três países, prevista para 2026. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, já afirmou que o Canadá está disposto a retaliar. Ele sugere o aumento das tarifas sobre produtos norte-americanos, o que intensificaria a disputa comercial.

Impactos econômicos e previsões futuras

Analistas projetam que um cenário mais claro sobre a adoção de novas tarifas deve surgir a partir de abril. Até lá, os estudos solicitados por Trump devem estar prontos. Luis Otavio Leal, economista-chefe da 5G Partners, alerta para o fato de que um aumento nas tarifas poderia fortalecer o dólar globalmente. Isso poderia gerar efeitos inflacionários nos Estados Unidos e, indiretamente, no Brasil.

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Já o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros adverte que o modelo de gestão econômica de Trump pode causar um desequilíbrio global. Segundo ele, os riscos são comparáveis à crise de 2008.

Apesar da participação limitada do Brasil no comércio norte-americano, a incerteza no comércio exterior preocupa, especialmente em setores como siderurgia e agronegócio, essenciais para a economia nacional.

Reações do mercado brasileiro

Notas de Real e Dólar | REUTERS/Amanda Perobelli/Illustration
Notas de Real e Dólar | Amanda Perobelli/Reuters

Recentemente, a ausência de novas tarifas proporcionou um certo alívio ao mercado cambial brasileiro, com queda do dólar para R$ 6,03 e elevação do Ibovespa. Especialistas de instituições como UBS e Rio Bravo Investimentos ressaltam a importância de controlar a inflação e manter a saúde das contas públicas. Só assim seria possível enfrentar os desafios que o cenário internacional apresenta.

O Bank of America sugere que, embora haja ceticismo em relação aos mercados emergentes, muitos riscos já estão precificados. Assim, as moedas desses mercados, como o real, podem estar subvalorizadas, oferecendo oportunidades de recuperação nos primeiros meses do ano.

Leia também: “Mineradora saudita nega investimento de R$ 8 bi no Brasil divulgado pelo governo Lula”

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1 comentário
  1. Jorge Fernandes
    Jorge Fernandes

    Crise contratada é crise entregue, infelizmente 🙁

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