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Política

'Reciprocidade' do governo Lula atingiu dois policiais dos EUA

Michael William Myers atuava como adido civil na área de segurança

Expulsão de Marcelo Ivo, delegado da PF que atuava nos Estados Unidos, provocou reação do governo brasileiro | Foto: Reprodução/Linkedin
Expulsão de Marcelo Ivo, delegado da PF que atuava nos Estados Unidos, provocou reação do governo brasileiro | Foto: Reprodução/Linkedin

A medida de “reciprocidade” do governo Lula aos Estados Unidos atingiu dois funcionários do Departamento de Segurança Interna dos EUA lotados no Brasil.

Um deles, Michael William Myers, teve sua expulsão decretada e deixou o país depois de receber ordem oficial.

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Myers atuava como adido civil na área de segurança, credenciado pela embaixada norte-americana desde setembro de 2024, em Brasília.

Outro agente policial dos EUA chegou a ter suas credenciais suspensas temporariamente pela PF, mas sua identidade não foi divulgada.

Posteriormente, a corporação reviu a decisão e devolveu o acesso ao agente.

“São duas coisas”, explicou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. “Cortei temporariamente o acesso de um funcionário dos EUA à PF, até o Ministério das Relações Exteriores definir qual medida adotaria. A segunda situação foi a determinação que Myers saísse do Brasil, o que ocorreu hoje.”

Decisão do governo norte-americano

A suspensão das credenciais impediu o agente de acessar instalações e sistemas da PF, situação semelhante ao que ocorreu com Ivo em Miami, onde atuava como oficial de ligação junto ao ICE, órgão de imigração dos EUA.

O governo Donald Trump decidiu pela expulsão, mesmo prestes a ser substituído pela delegada Tatiana Alves Torres, nomeada em março.

Ivo foi acusado pelo Departamento de Estado norte-americano de tentar “manipular o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos EUA”. A Casa Branca comunicou a decisão pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental e pediu publicamente sua saída do país.

O delegado brasileiro fornecia informações ao ICE sobre Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência no governo Jair Bolsonaro. Ramagem, condenado a 16 anos de prisão por envolvimento na suposta tentativa de golpe, viajou para a Flórida com passaporte diplomático, depois cancelado, e foi considerado foragido da Justiça brasileira. 

Ele foi detido nos EUA por questões migratórias e, ao ser liberado depois de dois dias, relatou ter entrado com visto válido e solicitado asilo político.

A reação brasileira e a condução diplomática

A suspensão do acesso de um dos agentes norte-americanos ocorreu antes da expulsão de Myers. Contudo, esse funcionário permanece no Brasil. O Itamaraty aguardou 24 horas antes de anunciar publicamente a decisão. A diplomacia brasileira buscou ressaltar diferenças de tratamento e seguir protocolos diplomáticos adequados em relação aos EUA.

O Ministério das Relações Exteriores utilizou uma nota publicada no X, na quarta-feira 22, para informar sobre a “interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro”.

Diretor da PF comenta a retirada do agente dos EUA

No mesmo dia, antes do anúncio oficial, o diretor da PF já havia comunicado em entrevista à GloboNews a retirada das credenciais de acesso à corporação de um agente de imigração dos EUA, que não era Myers, mas outro servidor. Rodrigues também criticou a ausência de comunicação formal do governo Trump sobre a expulsão de Ivo, prática considerada desnecessária por diplomatas brasileiros para a resposta recíproca.

Os desdobramentos da crise e o futuro da cooperação entre os dois países seguem indefinidos. O governo brasileiro, por meio de declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Andrei Rodrigues, afirmou que espera retomar o diálogo e manter a parceria entre as polícias.

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