Brasil não é mais o principal parceiro comercial da Argentina

Brasil deixou de ser o principal parceiro comercial da Argentina para a China
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Bandeira da Argentina | Foto: Bernardo Brandolin/Pexels
Bandeira da Argentina | Foto: Bernardo Brandolin/Pexels

A China tomou a dianteira; para economista, será difícil reverter o quadro brasileiro no curto prazo

Argentina
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O Brasil não é mais o principal parceiro comercial da Argentina. Desde o fim de 2019, a China está na liderança, o que nunca tinha acontecido.

Para o economista Miguel Daoud, essa nova configuração é estrutural e o Brasil não deve conseguir recuperar o protagonismo no curto prazo. “A China evidentemente tem interesse em exportar para a Argentina e a questão da importação se dá nas principais commodities agrícolas”, destaca Daoud.

Em abril deste ano, a Argentina exportou US$ 509 milhões para a China, principalmente em soja e carne bovina, um aumento de 50,6% em relação ao mesmo período de 2019.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística da Argentina, as vendas totalizaram US$ 393 milhões para o Brasil, enquanto no mesmo mês de 2019 tinham alcançado US$ 907 milhões, ou seja, houve queda de quase dois terços.

Leia também, na edição desta semana da Revista Oeste, “Argentina e o fantasma da venezuelização”

“A China vem enfrentando uma queda em sua produção de alimentos e, por isso, está comprando de vários países. Pequim pretende ascender para o mercado de consumo em torno de 400 milhões de chineses. É o dobro da população do Brasil”, afirma Miguel Daoud.

No mesmo período, a Argentina importou mais do Brasil do que da China, mas os chineses encerraram o mês com saldo positivo de US$ 98 milhões no comércio bilateral, enquanto que o Brasil teve déficit de US$ 132 milhões.

Crise na Argentina e competitividade brasileira

Miguel Daoud destaca a importância do mercado argentino na exportação de automóveis, calçados e manufaturados brasileiros, que são produtos de maior valor agregado.

“Isso tudo acabou por algumas razões: a Argentina passa por uma crise econômica duradoura, está quebrada e renegociando sua dívida, e nossa indústria perdeu toda a competitividade”, diz o economista. Ele considera que a reforma tributária é imprescindível para que o Brasil volte a ser competitivo.

Questão ideológica

Outro aspecto que merece destaque é a maior proximidade ideológica entre a Casa Rosada e Pequim. Desde que o presidente de esquerda Alberto Fernández assumiu o governo, os acenos para a China aumentaram.

Leia mais: “Presidente da Argentina decide congelar preços”

“Pelo viés ideológico do governo da Argentina, a China também tem interesse em manter essa relação. Também há reciprocidade da Argentina”, destaca o economista.

Segundo Daoud, por mais que o Mercosul facilite a questão tributária e outros temas, é muito difícil que o Brasil volte a ser o principal parceiro da Argentina.

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2 comentários

  1. Faço uma singela pergunta, muito simples: O que vocês entendem por parceiro comercial? Ao que me consta, esses chineses querem é estabelecer estados vassalos aqui na América do Sul, em destaque para a Argentina e Venezuela e possivelmente o Brasil; porém se chegar nesse nível de vassalagem, creio que os americanos do norte não ficarão dando de ombros, ainda mais em seu quintal. Por aqui, ao menos já temos um preposto dos chineses, ocupando cargo muito importante no atual governo, é dispensável maiores apresentações, todos já sabem de quem se trata.

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