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Política

CGU identifica sobrepreço em computadores de ONG-alvo da PF

Órgão aponta aluguel superfaturado de artigo de informática pela Associação Moriá, que recebeu R$ 53 milhões em emendas

Sede da Controladoria-Geral da União (CGU), em Brasília: mais de R$ 900 para entidades que não tinham funcionários sob registro trabalhista | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Sede da Controladoria-Geral da União, em Brasília | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que a Associação Moriá, investigada pela Polícia Federal (PF), alugou computadores gamers por valores quase duas vezes maiores que o preço de compra desses equipamentos.

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Segundo relatório da CGU, a entidade, contratada pelo Ministério dos Esportes, utilizou recursos de emendas parlamentares para locar aparelhos destinados a um evento de esportes digitais no Distrito Federal (DF).

O documento, finalizado no fim do ano passado, detalha que o custo de locação de cada computador por 49 dias alcançou R$ 8.183. Enquanto isso, a compra de um equipamento similar custaria, em média, R$ 4.554,65, de acordo com pesquisa em sites especializados. Até o momento, a Associação Moriá não se manifestou sobre as informações.

CGU mostra falta de critérios e risco de sobrepreço

Computador gamer | Foto: Reprodução/Pixabay

A CGU também apontou ausência de critérios e padrões na aprovação dos planos de trabalho submetidos pela instituição. “Nota-se que não há um padrão e, também, não há critério claro por parte do gestor federal para aprovação e análise dos planos de trabalho, mesmo se tratando de itens idênticos”, relataram técnicos do órgão. “O que demonstra subjetividade e ausência de análise crítica do gestor (supervisão) na aprovação dos orçamentos encaminhados pelos proponentes.”

Essas apurações ocorreram depois de decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Ele determinou revisão detalhada das emendas parlamentares repassadas a organizações não governamentais (ONGs).

Leia também: “O Brasil sem GPS — e sem rumo”, reportagem de Dagomir Marquezi publicada na Edição 279 da Revista Oeste

A Associação Moriá recebeu aproximadamente R$ 53 milhões de parlamentares do Distrito Federal ao longo de dois anos. Desse total, R$ 15 milhões estão sob investigação da Polícia Federal e da CGU.

Alvo de investigação e operação policial

Em nota publicada nesta terça-feira, 29, a CGU declarou que “as investigações buscam esclarecer possíveis irregularidades na execução de cerca de R$ 15 milhões em recursos públicos federais, repassados a uma associação do Distrito Federal por meio de termos de fomento com o Ministério do Esporte, financiados com emendas parlamentares, para a realização de jogos estudantis de esportes digitais (Jedis) entre 2023 e 2024.”

O órgão de controle ainda verificou supostos problemas em dois convênios relacionados à realização de jogos estudantis digitais no Distrito Federal e no Espírito Santo. O financiamento teria ocorrido por emendas do senador Izalci Lucas (PL-DF) e da ex-senadora Rose de Freitas (ES), que não são alvos da investigação.

Leia também: “Mais gente precisa ter coragem”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 279 da Revista Oeste

Na operação, a Polícia Federal cumpre 16 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, no Acre, no Paraná e em Goiás, com a anuência do Supremo Tribunal Federal. Entre os alvos estão a Associação Moriá, dirigentes, empresas subcontratadas e sócios. O STF também determinou o bloqueio de contas e o sequestro de bens dos envolvidos, que totalizam R$ 25 milhões.

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