publicidade
Política

Comissão aprova anistia de Dilma e indenização de R$ 100 mil

Pedido havia sido rejeitado em 2022, durante o governo Bolsonaro

A ex-presidente Dilma Rousseff é, atualmente, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento | Foto: Arquivo/Agência Brasil
A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) é, atualmente, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento | Foto: Agência Brasil

A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu, nesta quinta-feira, 22, a ex-presidente Dilma Rousseff como anistiada política. O colegiado aprovou, por unanimidade, o pedido apresentado pela defesa da petista. Também autorizou uma indenização em parcela única no valor de R$ 100 mil, o teto legal definido pelas novas regras de 2023.

Dilma foi presa em 1970, aos 22 anos, por integrar grupos de luta armada durante o regime militar. Ela alega que, durante a prisão, foi submetida a sessões de tortura. A defesa diz também que ela foi impedida de retomar os estudos na Universidade Federal de Minas Gerais e forçada a deixar um cargo público por ordem do Serviço Nacional de Informações.

Receba nossas atualizações

Leia mais: “O mundo invertido do presidente do IBGE e de Dilma Rousseff”

“A cada transferência, eram novas torturas e sempre pelos mesmos fatos investigados”, afirmou o relator do caso, conselheiro Rodrigo Lentz. “Foi condenada à prisão e teve direitos políticos cassados. (…) Teve que prestar novo vestibular e sendo obrigada a cursar novamente todas as disciplinas. Atrasou sua formação como economista.”

Pedido de Dilma tramitava desde 2002

Dilma protocolou o pedido de anistia em 2002, mas ele foi suspenso enquanto ela ocupava cargos no governo federal. Em 2016, depois do impeachment, ela solicitou a retomada do processo. A comissão negou o requerimento em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. A defesa recorreu, e o caso voltou à pauta neste ano.

No voto, Lentz leu trechos do depoimento da ex-presidente sobre a alegada tortura. Disse que ela sofreu perseguição. “Já no trabalho, era perseguida pelo passado de prisão e posição política.”

“Esta comissão, pelos poderes que lhe são conferidos, lhe declara anistiada política brasileira”, diz a declaração oficial de anistia lida pela presidente da Comissão, conselheira Ana Maria Lima de Oliveira. “E, em nome do Estado brasileiro, lhe pede desculpas por todas as atrocidades que lhe causou o Estado ditatorial.” Ao final, os conselheiros aplaudiram e houve gritos de “Dilma, presente”.

A ex-presidente, que atualmente vive na China e preside o Novo Banco de Desenvolvimento, acompanhou a sessão de forma remota. Segundo seu advogado, Danilo Fernandes Machado, ela não pôde comparecer devido a compromissos internacionais.

Comissão de Anistia

As deputadas Maria do Rosário (PT-RS), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Erika Kokay (PT-DF) acompanharam a votação.

Foto de Dilma ao ser presa no regime militar
Foto de Dilma na prisão durante o regime militar | Foto: Arquivo Público de São Paulo

Segundo a coordenação da Comissão, Dilma já havia recebido R$ 72 mil em indenizações por anistia nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Ela doou os valores a instituições sociais.

A Comissão de Anistia é o órgão responsável por analisar pedidos de reparação de perseguidos políticos durante o regime militar (1964-1985). O colegiado integra o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

A sessão desta quinta-feira analisou 96 requerimentos. O caso de Dilma foi o segundo da pauta. O rito prevê fala de até dez minutos para o requerente ou seu representante, seguida da votação dos 21 conselheiros.

Em fevereiro de 2023, a Justiça Federal já havia reconhecido Dilma como anistiada política e determinado indenização de R$ 400 mil por danos morais. A Comissão de Anistia, no entanto, é o órgão oficial responsável por definir a política pública de reparação.

Leia também:

3 comentários
  1. João José Augusto Mendes
    João José Augusto Mendes

    Em algum momento foi citado que o grupo ao qual ela pertencia assassinaram o soldado Kozel de 18 anos que fazia guarda no quartel da rua Tutoia? Porque para os bandidos e comunistas há anistia e para as pessoas do 001 o Motta engavetou o processo? Sabem porque? Porque o stf ameaçou o pai dele prefeito de uma das capitanias hereditárias do nordeste. Hoje o Senador Seif de SC, declarou com todas as letras que o foro privilegiado em uma maneira do stf dominar o congresso. .

  2. João José Augusto Mendes
    João José Augusto Mendes

    Em algum momento foi citado que o grupo ao qual ela pertencia assassinaram o soldado Kozel de 18 anos q

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade