Uma pesquisa do Ranking dos Políticos revelou que parlamentares enxergam de maneira distinta a atuação do Banco Central (BC) e do Supremo Tribunal Federal (STF) no episódio da liquidação do Banco Master. Enquanto a autarquia recebe avaliações majoritariamente positivas, a Corte acumula críticas contundentes, especialmente entre deputados.
O levantamento mostra que cerca de 70% dos deputados classificaram a atuação do BC como excelente, boa ou regular. No Senado, o índice chegou a 77%.
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Por outro lado, o STF enfrenta um cenário completamente diferente. Mais da metade dos deputados classificou a atuação da Corte como ruim ou péssima, sendo que 34,3% escolheram a pior avaliação possível. No Senado, a reprovação também aparece em destaque, com 63% de respostas negativas.
Entre parlamentares de direita, a opção “péssima” dominou: alcançou 75% na Câmara e 83,3% no Senado. No centrão, prevaleceu uma crítica fragmentada, com porcentuais semelhantes entre as avaliações regular, ruim e péssima. Na Câmara, 24,1% dos deputados de esquerda atribuíram a pior nota ao STF.
Câmara dos Deputados:
- Direita
- 75% a avaliaram como péssima20%, como ruimApenas 5%, como regular
- Nenhuma avaliação positiva (0% em boa ou excelente)
- Centro
- 30% a classificaram como regular30%, como ruim26%, como péssima14%, como boa
- Nenhum deputado avaliou como “excelente”
- Esquerda
- 31% a avaliaram como boa27,6%, como regular24,1%, como péssima10,3%, como ruim
- 7%, como excelente
Senado Federal:
- Direita
- 83,3% a avaliaram como péssima16,7%, como ruim
- Nenhuma avaliação positiva ou intermediária (0% em regular, boa ou excelente)
- Centro
- 36,8% a classificaram como ruim26,4%, como péssima10,5%, como regular10,5%, como boa
- 15,8% não responderam
- Esquerda
- 40% a avaliaram como boa20%, como regular20%, como ruim20%, como excelente
- Nenhuma resposta em “péssima” ou NS/NR
Ranking indica crise de confiança no Judiciário
Para o diretor do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, os dados indicam uma preferência clara do Congresso por instâncias técnicas. Segundo ele, a pesquisa mostra que parlamentares enxergam o BC como mais confiável do que o STF, especialmente quando decisões judiciais geram efeitos econômicos sensíveis.
“Mesmo fora do campo ideológico mais crítico, o Supremo não consegue construir uma percepção amplamente positiva”, declarou. “Isso sinaliza um incômodo institucional que vai além da polarização política.”
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Segundo Arruda, o grau de insatisfação pode impulsionar propostas que visam a restringir competências do Judiciário. Essas medidas buscariam dar maior previsibilidade às decisões e estabelecer limites à sua atuação em temas econômicos.
Realizado entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro, o levantamento ouviu 108 deputados federais de 18 partidos e 30 senadores de 12 siglas. A margem de erro é de 6,5 pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%.
No estudo, os partidos foram classificados por espectro ideológico:
Câmara dos Deputados
- Direita: PL e Novo
- Centro: Avante, Cidadania, MDB, Podemos, PP, PRD, PSD, PSDB, Republicanos, Solidariedade e União
- Esquerda: PCdoB, PDT, PSB, Psol e PT
Senado Federal
- Direita: PL, Novo e Republicanos
- Centro: MDB, PP, Podemos, PSD, PSDB e União
- Esquerda: PDT, PSB e PT
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