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Política

Decisão de Moraes que proíbe protestos foi tomada no inquérito das fake news

Investigação, aberta de ofício pelo STF há mais de seis anos, foi usada para coibir ação de deputados que protestavam contra o ministro

Lula
Moraes é o relator do inquérito das fake news, instaurado há 6 anos de ofício pelo STF | Foto: Victor Piemonte/STF

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou parar os protestos na Praça dos Três Poderes nesta sexta-feira, 25, foi tomada no inquérito das fake news, aberto de ofício pelo STF, o que é proibido pela legislação em qualquer país democrático, há mais de seis anos e que até hoje não tem conclusão.

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Dezenas de juristas já indicaram diversas irregularidades no inquérito, e a principal constatação é de que ele serve como um “guarda-chuva” para inibir e coibir quaisquer condutas que da direita que o STF considere inapropriadas, ainda que garantidas por lei. Ministros do STF já admitiram que o inquérito virou um “escudo” para proteger a Corte.

Decisão foi tomada no Inquérito das fake news | Foto: Reprodução
Decisão foi tomada no Inquérito das fake news | Foto: Reprodução

No caso da proibição das manifestações, o direito é garantido pela Constituição Federal. Nas redes sociais, deputados, juristas e analistas postaram o inciso XVI do artigo 5º, onde está expresso que “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”.

A decisão de Moraes tomada no inquérito das fake news

A decisão, além de parar a manifestação — “potencialmente criminosa”, segundo Moraes —, também estabeleceu a proibição da formação de novos acampamentos a um raio de 1 quilômetro da Praça dos Três Poderes, incluindo a Esplanada dos Ministérios e áreas próximas a quartéis das Forças Armadas. Moraes afirmou que a medida buscava evitar episódios semelhantes ao ocorrido em 8 de janeiro de 2023, quando houve invasão aos prédios públicos.

Ainda na noite de sexta, o ministro ameaçou o grupo de deputados — Hélio Lopes (PL-RJ), Sóstenes Cavalcante (PL-AL), Cabo Gilberto Silva (PL-PB), Coronel Chrisóstomo (PL-RO) e Rodrigo da Zaeli (PL-MT) — com a prisão caso permanecessem ou voltassem ao local. Gilberto Silva e Sóstenes nem mesmo estavam em Brasília.

  • A) Remoção imediata e proibição de acesso e permanência dos Deputados Federais Hélio Lopes, Sóstenes Cavalcante, Cabo Gilberto Silva, Coronel Chrisóstomo e Rodrigo da Zaeli, assim como de quaisquer outros indivíduos que se encontrem em frente ao Supremo Tribunal Federal participando de possível prática criminosa.
  • B) Prisão em flagrante com base na prática de resistência ou desobediência ao ato de autoridade pública, a fim de garantir a efetividade das probabilidades e a preservação da ordem pública na hipótese de resistência de indivíduos que, mesmo após intimados, insistirem em permanecer na via pública em manifestação de oposição à ordem.

Num despacho complementar, ele também proibiu manifestações e acampamentos num raio de um quilômetro da Praça dos Três Poderes.

“Em complemento a decisão anterior, pelos mesmos fundamentos, para garantir a segurança pública e evitar novos eventos criminosos semelhantes aos atos golpistas ocorridos em 8/1/2023, DETERMINO A PROIBIÇÃO DE QUALQUER ACAMPAMENTO EM UM RAIO DE 1KM DA PRAÇA DOS TRÊS PODERES, ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS E, OBVIAMENTE, EM FRENTE AOS QUARTÉIS DAS FORÇAS ARMADAS.”

A decisão de Moraes atendeu a pedido da Procuradoria Geral da República. O ministro intimou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) para atuar imediatamente contra os deputados por sua conduta “potencialmente criminosa”.

O protesto começou quando o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) instalou uma barraca no local, usando esparadrapo na boca em protesto contra restrições judiciais a Jair Bolsonaro. Moraes proibiu o ex-presidente de dar entrevistas que sejam compartilhadas por terceiros nas redes sociais. Então, os colegas do PL aderiram ao protesto.

Helio Lopes é confrontado pela PMDF durante protesto | Foto: X/Reprodução
Helio Lopes é confrontado pela PMDF durante protesto | Foto: X/Reprodução

Ibaneis Rocha foi pessoalmente à praça para negociar a retirada dos deputados. Assim que concordaram em remover as barracas e se deslocar para outro ponto da Esplanada, foram informados de novo despacho proibindo acampamentos no raio determinado por Moraes. Durante a conversa, o governador admitiu desconforto: “Eu não concordo com as coisas que estão acontecendo”, disse o governador, segundo o Estadão.

5 comentários
  1. Maria Antonieta Borges Lopes
    Maria Antonieta Borges Lopes

    Se isto não é ditadura, estou precisando de rever meus conceitos. A qual artigo da Constituição devo recorrer???

  2. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    Como disse o ministro hoje aposentado, Marco Aurélio De Mello, é o inquérito do fim do mundo !
    Mas hoje está mais pro fim do Brasil !
    Esse cara tem de ser levado , e rápido, pro hospício !
    É o verdadeiro Napoleão de hospício !
    Melhor seria o capeta vir busca-lo…

  3. Ayrton Flores Nunes
    Ayrton Flores Nunes

    Quando é que nossa liberdade voltará, o que esse cara fez com nosso direito de ir e vir.

  4. Lourdes Grasel Barbosa
    Lourdes Grasel Barbosa

    É uma vergonha as autoridades (parlamentares) ficar refém a um mero ministro, não eleito pelo povo. Reajam representantes ou o Brasil td naufragará. A Constituição é clara e não é um ministro colado a um PGR
    Incompetente que vai desrespeitar um país inteiro 🤑

  5. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Devido a incompetência, e inoperância de nossos parlamentares, somente uma águia americana para conter está insanidade.

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