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Política

Declaração antiga de Moraes volta à tona: juiz não pode participar do processo, segundo o ministro

O assunto voltou a circular nas redes sociais por causa da atuação do magistrado em inquéritos contra Bolsonaro

Alexandre de Moraes condenou Sérgio Amaral Resende a 16 anos de prisão em razão dos atos do 8 de janeiro | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Fala de Moraes entra com contradição com a sua própria atuação | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Em 2017, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a Constituição de 1988 impôs uma mudança clara ao sistema acusatório brasileiro. Em resumo, a Carta Magna proibiu a participação do juiz na condução do processo penal para garantir sua imparcialidade.

Leia também: “Na justiça do STF, o que vale é a força armada”

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“A Constituição de 1988 mudou claramente do sistema inquisitório para o sistema acusatório ao fortalecer o Ministério Público e dar a privatividade da acusação penal pública ao Ministério Público”, afirmou o ministro, em uma palestra. “Era um sistema inquisitório, o próprio juiz podia tocar. Foi uma opção, a meu ver corretíssima, da Constituição, de que não se pode permitir que o juiz participe, porque senão a sua imparcialidade, obviamente, acaba ficando corroída.”

A declaração ressurgiu em meio às críticas sobre o papel desempenhado por Moraes em investigações que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. Assista:

Moraes é vítima, acusador e juiz

A atuação de Moraes em processos ligados ao STF contradiz sua antiga declaração. No meio jurídico, especialistas questionam se é legítimo que o ministro atue como vítima, acusador e juiz simultaneamente.

Moraes é relator de um inquérito da Polícia Federal, com 884 páginas, que apura a suposta tentativa de golpe de Estado e o envolvimento de 36 pessoas, incluindo Bolsonaro. O documento cita inclusive um suposto plano para assassinar autoridades, entre elas o próprio Moraes.

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Na terça-feira 22, durante julgamento que tornou réu Filipe Martins, ex-assessor especial da Presidência, o ministro negou que esteja impedido de conduzir o julgamento.

“Se me permite esclarecer algo que já foi muitas vezes esclarecido, mas principalmente às denominadas milícias digitais, que continuam insistindo que sou o relator, o juiz e a vítima”, disse o ministro, ao começar o discurso. “É importante deixar muito claro que a denúncia aqui não se refere à tentativa de homicídio. Aqui é atentado contra as instituições democráticas. O investigado não escolhe o juiz que o julgará.”

Ele ainda classificou as acusações de suspeição como tentativas de obstruir as investigações já em curso há mais de três anos.

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3 comentários
  1. Aldo Oliveira da Silva
    Aldo Oliveira da Silva

    será que estes ministros acreditam mesmo no que falam ? não perceberam que pegaram as narrativas e fizeram uma peça teatral que destruíram a vida de muitas pessoas? um golpe com mil e poucas pessoas com bíblia na mão ,garrafas de água, algodão doce ,alguns entrando em prédios ,depois de a polícia jogar bombas ,em um domingo que não tinha ninguém dentro deles , com um governo que já tinha assumido o poder e com toda força armada ao seu dispor ? e um ministro da justiça vendo tudo ,sem interferir e depois convenientemente sumiu as câmeras de vídeo ?

  2. Filipe Drumond Costa
    Filipe Drumond Costa

    A justiça brasileira não tem balança, mas sim dois pesos e duas medidas!

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