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Política

Defesa de acusado usa O Senhor dos Anéis em julgamento dos 'kids pretos'

Advogado usa referência de Tolkien para tentar afastar acusações contra militar ligado ao grupo

Os hobbits Merry e Pippin foram citados no julgamento dos 'kids pretos' no STF | Foto: Reprodução/Warner Bros.
Os hobbits Merry e Pippin foram citados no julgamento dos 'kids pretos' no STF | Foto: Reprodução/Warner Bros.

A 1ª Turma do STF começou nesta terça-feira, 12, o julgamento dos réus do núcleo 3 do caso dos “kids pretos”. O grupo reúne dez acusados, a maioria formada por militares de forças especiais. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), eles participaram do planejamento de um golpe de Estado depois das eleições de 2022.

A PGR afirma que os “kids pretos” elaboraram o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin.

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Entre os réus está o tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros. De acordo com a PGR, ele divulgou uma carta que pressionava comandantes do Exército a aderirem à tentativa de golpe. O órgão também o acusa de tentar enfraquecer oficiais que rejeitavam o movimento.

Cavaliere confirmou à Polícia Federal que havia militares insatisfeitos com o comando de Lula e interessados em uma “saída compulsória”.

Sustentação cita Tolkien

Durante o julgamento dos “kids pretos”, o advogado de defesa de Cavaliere, Igor Vasconcelos Laboissierre, fez uma analogia com O Senhor dos Anéis, clássico de J.R.R. Tolkien.

Nos dois minutos iniciais da sustentação, que durou cerca de 40 minutos, ele mencionou um diálogo entre os personagens Merry e Pippin e uma árvore ambulante. No trecho, eles discutem o significado da palavra “morro”. “É uma palavra apressada demais para descrever o tamanho e a história dessa montanha”, parafraseou o advogado.

Laboissierre associou a analogia ao julgamento. Segundo ele, “o processo não pode ser incoerente, como o morro é”.

Defesa nega que Cavaliere seja dos ‘kids pretos’

O advogado negou que o cliente tenha participado da carta ou das articulações atribuídas ao núcleo dos “kids pretos”. Disse que Cavaliere não é membro das forças especiais, não tem treinamento tático nem posição de comando que o vinculasse às ações investigadas.

A defesa também afirmou que o militar não participou da reunião realizada em 28 de novembro, em Brasília, onde a carta teria sido redigida. Laboissierre concluiu que, assim como o “morro” da obra de Tolkien, a história de Cavaliere deve ser contada de forma completa e coerente.

Leia também: “Mendonça cobra Lula em ação que pede mulher negra no STF”

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