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Política

Defesa de Bolsonaro cita agravamento de saúde e pede prisão domiciliar

Pedido menciona intervenções cirúrgicas recentes

Cirurgia do ex-presidente Jair Bolsonaro durou mais de três horas | Foto: Reprodução/Instagram
Cirurgia do ex-presidente Jair Bolsonaro durou mais de três horas | Foto: Reprodução/Instagram

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou, nesta quarta-feira, 31, mais um pedido de prisão domiciliar, no qual cita o agravamento do quadro de saúde depois de uma série de intervenções cirúrgicas recentes. O documento é destinado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em mensagem divulgada na rede social X, o advogado Paulo Cunha Bueno afirmou que o pedido considera “a atualização e agravamento do quadro médico” e menciona riscos decorrentes da “falta de cuidados adequados”. Segundo ele, a solicitação também leva em conta “o paradigma da recente concessão do mesmo benefício ora pleiteado, pelo mesmo ministro relator, ao presidente Fernando Collor de Mello”.

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A defesa destacou a conclusão de relatório médico assinado pelos médicos Claudio Birolini e Leandro Echenique. O documento ressalta que, “considerando a idade do paciente e as comorbidades conhecidas e documentadas”, a não adoção das medidas indicadas pode gerar “risco de incidência de sérias complicações”, entre elas pneumonia broncoaspirativa, insuficiência respiratória, acidente vascular cerebral, risco de quedas com traumatismos, piora da insuficiência renal, crises hipertensivas e declínio funcional.

O advogado João Henrique de Freitas, que também defende Bolsonaro, informou a solicitação de “prisão domiciliar humanitária” e citou como precedente o caso de Collor. Segundo ele, “o quadro de apneia severa e pós-operatório complexo torna a custódia na Polícia Federal incompatível com o seu quadro de saúde”. Na mesma publicação, afirmou que “a manutenção da prisão comum colocaria a vida dele em risco”.

Bolsonaro passou por diversas cirurgias

Bolsonaro está internado no Hospital DF Star, em Brasília, desde o dia 24. No dia seguinte à internação, passou por uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral, procedimento que durou cerca de três horas e meia.

No dia 27, o ex-presidente voltou ao centro cirúrgico para a realização de um bloqueio do nervo frênico direito, intervenção indicada para interromper crises persistentes de soluços. O procedimento consiste na aplicação de anestesia local guiada por ultrassom para reduzir a atividade do nervo responsável pelo diafragma, utilizado quando tratamentos convencionais não apresentam resultado.

No dia 29, foi realizado um segundo bloqueio, desta vez no lado esquerdo do nervo frênico, depois de o primeiro procedimento não surtir o efeito esperado. Segundo boletim médico, Bolsonaro apresentou nova crise de soluços e elevação da pressão arterial, em condição estável. A equipe informou que a sequência das intervenções não alterou, até então, a previsão de internação, estimada em sete dias.

Já no dia 30, a mulher do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, informou a realização de mais um procedimento, descrito como um “reforço no nervo frênico”, por causa da volta das crises de soluços. A condição hospitalar passou a ser reavaliada depois dessa nova intervenção.

Bolsonaro já passou por 15 cirurgias desde o atentado sofrido em 2018, em Juiz de Fora (MG), quando foi esfaqueado durante a campanha eleitoral. Parte das intervenções está relacionada a complicações abdominais e às consequências de procedimentos anteriores.

Collor cumpre prisão domiciliar

A defesa de Bolsonaro menciona a decisão recente do STF que concedeu prisão domiciliar a Collor. No caso, Moraes autorizou o regime domiciliar depois da comprovação de diagnóstico de Parkinson, além de outras comorbidades, como privação de sono crônica e transtorno bipolar. A decisão determinou o uso de tornozeleira eletrônica, suspensão do passaporte e restrições a visitas.

Collor foi condenado em 2023 a oito anos e dez meses de prisão por desvios na BR Distribuidora, antiga subsidiária de distribuição de combustíveis da Petrobras. Com o trânsito em julgado do processo, o ex-presidente passou a cumprir a pena, mas teve a custódia convertida para o regime domiciliar.

A defesa de Bolsonaro afirma aguardar que, “diante desse estado de coisas”, seja garantida ao ex-presidente a permanência em sua residência, sob cuidados médicos. Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão no processo que apura uma suposta trama golpista e cumpre pena em cela da Superintendência da Polícia Federal.

Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste

3 comentários
  1. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Bolsonaro pede apenas prisão domiciliar.Apelo que concedam pelo amor de Deus.

  2. Luiz fernando Chalet ferreira
    Luiz fernando Chalet ferreira

    Estão quase conseguindo realizar o que Adélio começou

  3. Sérgio Tostes de Escobar
    Sérgio Tostes de Escobar

    Muito triste, ter que enfatizar e solicitar por diversas vezes algo que é um direito. No Brasil, dominado por corruptos, aquele que luta contra a corrupção não tem o s direitos respeitados. Triste, muito triste!😢⚖️👹🤬

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