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Política

Derrite: ‘Megaoperação no litoral paulista não tem prazo para acabar’

Secretário de Segurança Pública de São Paulo participou do Oeste Sem Filtro desta quinta-feira, 3

Megaoperação - derrite
'O confronto é sempre uma opção do criminoso', segundo Derrite | Foto: Reprodução/YouTube

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, disse que a megaoperação contra o crime organizado no litoral paulista deve continuar por tempo indeterminado. Ele proferiu a declaração nesta quinta-feira, 3, durante entrevista ao programa Oeste Sem Filtro.

A Operação Escudo teve início em 28 de julho, um dia depois de bandidos assassinarem o soldado Patrick Bastos Reis, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). De lá para cá, a Polícia Militar (PM) prendeu 84 pessoas. Deste total, 54 foram presos em flagrante. A corporação também capturou 30 foragidos da Justiça.

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A PM vistoriou 2.155 automóveis, dos quais 152 foram removidos; e 1.143 motocicletas, das quais 117 foram recolhidas. Dez veículos com queixa de furto ou roubo foram localizados. Até terça-feira 1º foram apreendidas 21 armas, entre pistolas e fuzis. Mais de 600 agentes integram a megaoperação.

“A população não quer ver policial levando tiro”

Para o secretário, esses números mostram que a megaoperação no litoral paulista obteve êxito. “A população de bem apoia a polícia”, afirmou, ao ser interpelado sobre a maneira como os civis receberam os policiais no Guarujá. “A população não quer ver policial levando tiro.”

Derrite esclareceu o número de mortos na Operação Escudo, que se tornou alvo de críticas de instituições autodeclaradas defensoras dos direitos humanos. Ao todo, 11 suspeitos morreram no Guarujá.

Leia também: “Europol classifica PCC como cartel”

“O confronto é sempre uma opção do criminoso”, salientou Derrite, ao lembrar que os policiais reagiram aos tiros dos bandidos. “Criminosos estavam acostumados a atirar em policiais e a não enfrentar consequências. Agora, a história mudou.”

De acordo com o secretário, as mortes dos suspeitos geraram incômodo nas instituições de direitos humanos, enquanto o assassinato do soldado Patrick Bastos Reis não teve o mesmo impacto.

A ascensão dos criminosos

Derrite explicou que a ascensão do crime organizado teve início quando as facções criminosas perceberam que o tráfico de drogas é uma atividade lucrativa. A partir dessa constatação, os bandidos começaram a dominar os territórios fronteiriços e as rotas comerciais.

Operação Escudo Guarujá
A megaoperação no litoral paulista ocorre desde 28 de julho | Foto: Reprodução/TV Globo

As cidades do litoral paulista compõem o segundo grupo, visto que têm portos e saídas para o mar. O Guarujá, especificamente, tem um agravante: seu território é semelhante ao do Rio de Janeiro, com muitos morros e vielas. Essa característica geográfica facilita a vida dos criminosos, que têm uma visão mais ampla e conseguem se antecipar às operações policias repentinas.

Conforme Derrite, a escalada do crime organizado é reflexo do abandono do Estado. “A Polícia Rodoviária Federal [PRF] tinha uma tropa especializada nas fronteiras, mas o governo federal as desmobilizou”, constatou. “Não há mais grandes apreensões de drogas. Se não enfrentarmos o crime, o Brasil virará um narcoestado.”

O Supremo entra em cena

O secretário também criticou as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a descriminalização das drogas. Na quarta-feira, por exemplo, a Corte voltou a analisar a pauta.

O julgamento está paralisado desde 2015, quando o então ministro do Supremo Teori Zavascki, morto em janeiro de 2017, pediu vista. Em 2019, o ministro Alexandre de Moraes, que sucedeu Zavascki, devolveu o pedido de vista. Contudo, apenas neste ano o tema foi à agenda da Corte.

Nesse período, três magistrados votaram sobre a questão: Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e o relator do processo, Gilmar Mendes. Não houve consenso entre os membros da Suprema Corte a respeito dos parâmetros da decisão.

Leia também: “Comissão da Câmara pede ao STF suspensão do julgamento de descriminalização de drogas”

Agora, com o voto favorável de Moraes à descriminalização do porte, faltam ainda as decisões dos ministros André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Cristiano Zanin.

“O Judiciário está fazendo o papel do Legislativo”, resumiu Derrite, ao argumentar que a Câmara dos Deputados e o Senado devem estar à frente do assunto que envolve a descriminalização das drogas. “A mãe dos crimes é o tráfico de drogas, não os pequenos furtos nem roubos.”

A intervenção do STF gerou desconforto no presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). “Se pretender legalizar ou descriminalizar, o foro de definição desta realidade é o Congresso Nacional”, disse o parlamentar, antes de receber aplausos dos senadores que acompanhavam o discurso. “É uma invasão de competência do Poder Legislativo.”

Leia mais: “Saiba como votou cada ministro do STF no julgamento sobre porte de drogas”

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3 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Estamos vivendo um surrealismo na política, um absurdo suigêeris, precisamos sair desse pântano, estamos correndo sério risco de virarmos um país rico e com sua população esfacelada por tiranos que se encontram no poder. Temos que reverter urgente esse processo

  2. José Garcia
    José Garcia

    Parabéns Secretário Guilherme Derrite, estamos ao seu lado !!

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