Desenvolvedor da urna eletrônica critica novo modelo do equipamento

Engenheiro Carlos Rocha ressaltou que o problema da segurança da máquina ainda não foi resolvido
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Novo modelo da urna eletrônica lançada pelo TSE - 13/12/2021 | Foto: Divulgação/TSE
Novo modelo da urna eletrônica lançada pelo TSE - 13/12/2021 | Foto: Divulgação/TSE

A nova urna eletrônica não vai resolver o seu principal problema: a falta de segurança. A constatação é de Carlos Rocha, engenheiro formado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica e CEO da Samurai Digital Transformation.

Líder do desenvolvimento e da fabricação da urna eletrônica nos anos 1990, Rocha sustenta que as máquinas estão suscetíveis à manipulação, que pode interferir no resultado da disputa. “Isso sem deixar rastro”, disse a Oeste.

“O modelo do equipamento é irrelevante”, afirmou Rocha. “O problema está no poder absoluto dos códigos dos programas e chaves criptográficas nas mãos de alguns técnicos do TSE, que não sofrem nenhum controle externo”, resumiu.

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Conforme o especialista, dois terços das invasões de sistemas têm origem nas organizações. “Não há sistema 100% seguro”, observou. “Deve-se implantar a segregação de funções, com a certificação independente de equipamentos”.

“Além disso, é preciso haver programas e auditorias independentes da integridade do sistema e da assertividade dos resultados”, explicou Rocha, defensor da impressão do comprovante do voto.

Voto auditável

Em agosto, o Congresso Nacional derrubou a proposta de emenda à Constituição que tratava do voto auditável. A queda ocorreu depois de reuniões de integrantes do STF com membros do Parlamento.

Amílcar Brunazo, engenheiro especialista em segurança de dados e voto eletrônico, afirmou que a confiabilidade das urnas eleitorais é duvidosa. De acordo com ele, o equipamento pode ser objeto de fraude.

“O software é desenvolvido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seis meses antes [das eleições], compilado com 15 dias de antecedência, transmitido por internet pelos tribunais regionais e por cartórios, e gravado num flashcard”, explicou.

“A equipe do professor Diego Aranha, dentro do TSE, mostrou ser possível pegar esse cartão, inserir nele um código espúrio, que não foi feito pelo TSE, e colocar na urna eletrônica”, salientou o especialista, ao mencionar que os brasileiros acabam tendo de confiar no servidor que vai pôr o dispositivo na máquina.

“Muitas vezes é um profissional terceirizado. Realmente, o processo eleitoral brasileiro depende da confiança de todos os funcionários envolvidos. Isso é um equívoco”, lamentou Brunazo.

Com a palavra, o TSE

Durante a cerimônia de lançamento da nova urna eletrônica, o TSE informou que a urna utiliza o que há de mais moderno em termos de criptografia, assinatura e resumo digitais. “Tudo isso garante que somente o sistema desenvolvido pelo TSE e certificado pela Justiça Eleitoral seja executado nos equipamentos”.

O TSE voltou a ressaltar que as urnas eletrônicas “não se conectam a nenhum tipo de rede, internet ou bluetooth. Dessa forma, para que fosse possível fraudar o equipamento, seria necessário superar mais de 30 barreiras de proteção”.

Leia também: “É proibido modernizar a urna eletrônica?”, reportagem publicada na Edição 69 da Revista Oeste

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18 comentários Ver comentários

  1. Eu também tenho a percepção que o sistema eleitoral brasileiro pode ser fraudado. Mas, esses técnicos respitáveis têm a obrigação de peticionarem junto ao STF, TSE, Ministério Público, AGU e o que mais seja externando essas dúvidas concretas. Senão fica o dito pelo não dito.

  2. Prezados
    Além das questões colocadas pelo idealizador, na matéria acima, minha preocupação é ainda maior, pois a empresa POSITIVO foi adquirida por um grupo chinês e pode produzir urnas ainda mais manipuláveis. Afinal estão sendo produzidas mais de 50% de urnas “NOVAS”(????????)

  3. A ignorância técnica do TSE só é menor que a arrogância desses indivíduos, cúmplices até involuntários dos beneficiários das fraudes. Veja se alguma instituição financeira os contrataria para cuidar da segurança cibernética!

  4. PROPOSTA DE APERFEIÇOAMENTO QUANTO AO TESTE DE INTEGRIDADE DA URNA ELETRÔNICA

    Como é de conhecimento geral, a Proposta de Emenda Constitucional do Voto Impresso não foi aprovada pela Câmara dos Deputados. No entanto, existe a possibilidade de aperfeiçoar uma das etapas implementadas pelo Tribunal Superior Eleitoral para dar confiabilidade, ainda maior, ao resultado das eleições. Se faz necessário o conhecimento prévio de como se deu o teste de integridade da votação paralela realizada em 2018. É esse o contexto da presente proposta

    Muitos não sabem que a confiabilidade do resultado eleitoral, não precisa ser, necessariamente, com o voto impresso.

    A seguir, serão descritos dez procedimentos adicionais de como deve ser realizada a verificação de confiabilidade sobre o resultado das eleições. De se destacar que estas medidas podem ser implementadas para qualquer eleição futura, inclusive a próxima.

    A premissa mais importante a ser seguida é a de que a urna eletrônica não pode “saber” que ela está em teste de confiabilidade. Para que se obtenha um aumento sobre a auditabilidade da urna eletrônica, a inserção do voto simulado deve ser, sob a ótica daquele aparelho, exatamente, como a de um eleitor qualquer.

    Até que seja aprovado, em alguma legislatura futura, o voto impresso, são esses, os dez procedimentos para que o teste de confiabilidade do resultado eleitoral final, seja realmente eficaz, no dia da eleição:

    ● Primeiro: Algumas horas, antes do início da votação, sorteia-se, de forma aleatória, 2% das urnas eletrônicas, operadas em cada zona eleitoral, o que dá, aproximadamente, em nível nacional, dez mil urnas. Esse sorteio tem que se dar por meio não eletrônico, ou seja, com a utilização daqueles globos de bolas de madeira em jogos de entretenimento caseiro. Este é um requisito importante para que a ciência estatística garanta a confiabilidade do resultado final da eleição.

    ● Segundo: sorteadas, aleatoriamente, as urnas eletrônicas, os juízes eleitorais providenciam urnas paralelas completas, incluindo mecanismo extra de autorização de voto aos mesários, o qual se destina à votação do eleitor, com a garantia de sigilo ao seu voto. Esclarecendo, nas sessões eleitorais, que tiverem urnas, com procedimento de votação paralela, estarão presentes duas urnas, a original (a ser auditada), destinada a inserção de uma votação simulada de votos e outra, paralela, para a captação real dos votos dos eleitores.

    ● Terceiro: Inicia-se a votação nas sessões que tiveram urnas escolhidas aleatoriamente, da seguinte forma: Após o eleitor conceder duas vezes, a sua biometria, a mesa receptora de votos concede duas autorizações de voto, uma para a entidade civil (cuja participação resta definida no décimo procedimento), que vai inserir um voto aleatório na urna a ser auditada e outra, para o eleitor fazer a sua votação na urna paralela. É importante deixar este ponto bastante claro. Para cada uma das duas validações da biometria do eleitor votante, ocorrem dois movimentos dentro da sessão eleitoral: em um movimento, o eleitor se dirige à urna paralela para sua votação regular e, paralelamente, a entidade civil faz a inserção de um voto simulado na urna original.

    ● Quarto: Os mesários ficarão encarregados de registrar, em planilha manual, fornecida pela Justiça Eleitoral, quais foram os votos inseridos, aleatoriamente, pela entidade civil. Além disso, a entidade civil deverá providenciar régua ou “T” elétrico, cabo de extensão de energia, tripé de fixação e uma câmera para filmagem, em baixa resolução, da tela da urna eletrônica original, objeto de teste de integridade. A câmera, inclusive, pode ser um simples smartphone e com cartão de memória suficiente para a gravação em baixa resolução.

    ● Quinto: sempre de forma contínua, será realizada a filmagem de todo processo, que deve se iniciar com imagens do número da sessão eleitoral, fixado na entrada da porta, de seus mesários, da emissão da zerézima, indo para a fixação da câmera no tripé para a filmagem da tela da urna auditada. Em seguida, será filmada a inserção dos votos simulados. Por fim, a planilha de votos simulados e o registro dos dados constantes nas totalizações do Boletim de Urna (BU), gerado ao final da votação pela urna auditada. Concluindo a filmagem, repetem-se, as gravações dos mesários e o número da sessão eleitoral.

    ● Sexto: como a premissa maior é a de que a urna eletrônica jamais possa saber que está sob votação paralela, deve ser vedado ao TSE a inserção de quaisquer códigos de controle, que não sejam as próprias captações das duas biometrias do eleitor, uma para a inserção simulada dos votos pela entidade civil na urna a ser auditada e, outra, para a votação regular do eleitor na urna paralela.

    ● Sétimo: ao final da votação, com a planilha em mãos, os mesários, em conjunto com os representantes da sociedade civil e dos Partidos Políticos, providenciam a totalização manual dos votos inseridos pela entidade civil, os quais devem bater com os constantes no BU. Se não houver divergência, a urna estará funcionando exatamente como deveria funcionar. Se houver divergência, podem ocorrer três situações, ou houve registro errôneo no lançamento da planilha pelo mesário, ou a urna apresentou defeito de funcionamento em um certo período (perda de energia/bateria), ou, no pior caso, a possibilidade de que o código fonte foi, de alguma forma, fraudado.

    ● Oitavo: onde houver divergência entre a totalização dos votos simulados inseridos e a do BU, o arquivo de filmagem é transferido para o juiz eleitoral da zona eleitoral, ficando uma cópia para a entidade civil e para os representantes de partidos. A urna é lacrada para investigação posterior, em conjunto com a ata da mesa receptora, que deverá registrar o ocorrido, bem como a planilha de inserção de votos simulados.

    ● Nono: com base no princípio da transparência, os Partidos Políticos poderão realizar filmagem paralela das telas das urnas eletrônicas originais, em ângulo diverso ao das entidades civis, inclusive, com a sua transmissão ao vivo, por meio de serviços de streaming de vídeo como o YouTube.

    ● Décimo: antes das eleições, a Caixa Econômica Federal cadastrará as entidades civis interessadas em participar da inserção de votos simulados e da filmagem do voto auditável, realizando sorteio, por zona eleitoral, nos mesmos moldes seguidos nos seus sorteios de jogos. Não havendo número de interessados suficiente para os 2% de urnas a serem sorteadas, será aberto novo cadastramento e novo sorteio para qualquer eleitor interessado, desde que esteja vinculado a sua própria zona eleitoral. Persistindo a insuficiência, mesários ficarão encarregados da inserção dos votos simulados, porém, sem filmagem.

    Seguindo-se, rigorosamente, estes dez procedimentos, poderemos ter a garantia de que 95% do resultado das eleições, com 1% de margem de erro, corresponda, de fato, à realidade.

    Importa mencionar que, retiradas as constatações de que a urna parou de funcionar, ou de que houve, por parte do mesário, falha de lançamento da inserção dos registros de votos simulados em sua planilha, ou de que houve falha na totalização dos votos simulados pelos mesários, ou que houve inserção errônea do próprio voto simulado – todas essas ocorrências serão verificáveis pela filmagem realizada – o que restará é, sim, a possibilidade de fraude no software interno da urna, que é o que interessa saber aos eleitores em geral.

    Neste último caso, o TSE, em conjunto com os Partidos Políticos e os peritos da Polícia Federal, devem aprofundar as investigações para saber o que realmente houve. Quinze dias depois da eleição, o TSE anuncia em quais e quantas urnas, objeto de voto auditável, houve divergência entre a inserção de votos simulados e os respectivos BU’s, incluindo as respectivas causas.

    Caso se constate um percentual, acima de 5% (cinco por cento) em fraude no software interno da urna, resta caracterizada violação de confiabilidade no sistema eleitoral de votação eletrônica como um todo e novas eleições devem ser realizadas, com a utilização de cédulas de papel.

    Em um universo de, aproximadamente, 500.000 urnas eletrônicas, precisamos usar a Estatística como Ciência e como instrumento de confiabilidade ao resultado final das eleições.

    Com o passar dos anos, basta aumentar o percentual de urnas auditáveis, em votação paralela, para 3%, 4% e 5% por cento, de forma a incrementar a confiabilidade do resultado eleitoral para 98% ou 99%, com reduzidas margens de erro.

    Não podemos deixar de mencionar que essa ideia não se sujeita ao Princípio da Anualidade no processo eleitoral porque diz respeito a mero procedimento eleitoral, sem voto impresso, e, melhor, não precisa de aprovação por meio de proposta de emenda constitucional. Aliás, ela pode ser implementada pelo próprio TSE, se forem seguidas rigorosamente, reiteram-se, de forma resumida, estas três premissas:

    1) a de que a urna não possa “saber” que está sendo objeto de teste de confiabilidade;

    2) a de que o eleitor tem que “emprestar” a sua biometria, duas vezes, para a inserção da votação simulada pelas entidades civis ou pelos cidadãos sorteados pela Caixa; e,

    3) de que o sorteio dos 2% das urnas eletrônicas sejam realmente aleatórias, ou seja, por meio da utilização de dispositivos não eletrônicos.

    De se mencionar, que a votação paralela, realizada em 2018 pelo TSE, não atendeu a nenhuma daquelas três premissas e com as sugestões ora mencionadas se espera que as urnas eletrônicas possam ser aperfeiçoadas.

    Ricardo Luiz Rocha Cubas, é Auditor do Tribunal de Contas da União, Advogado e formado em Ciências da Computação pela Universidade de Brasília (Nota: todas as considerações deste artigo não representam o posicionamento do TCU sobre o tema).

  5. Falta sensibilidade a esse iluminado Barroso, para entender os graves conflitos que poderão ser causados e o trabalho que terão as Forças Armadas para solucioná-los. Já que tudo fez junto com sua turminha para eliminar o VOTO IMPRESSO, terá que aceitar que os Ministérios da Defesa e da Ciência e Tecnologia imponham a coordenação e desenvolvimento do software dessas urnas eletrônicas, por TIs desses ministérios em conjunto com TIs independentes como o engenheiro Carlos Rocha e sua equipe. Só assim, acreditaremos nos resultados das eleições de 2022, com tanta gente inescrupulosa participando.
    Penso que esses ministérios deveriam se manifestar sempre que esse iluminado fala que as urnas eletrônicas são seguras e utilizando recursos públicos propaga a grave FAKE que são auditáveis, conforme diariamente ouvimos a ativista Ludmila em todos os meios de comunicação.

  6. Suspeita, incrível, inacreditável, a resistência deste ministro em tornar a urna auditável e desfazer de vez esta legitimíssima desconfiança de 11 em cada 10 eleitores nesta malfadada urna. Que gente difícil de dar um passo adiante, de fazer as coisas com clareza !!!

  7. depois dessa notícia abaixo, esqueçamos tudo, pois se as FFAA recusaram participar do teste, nada mais se pode esperar de sério nesse assunto.

    CNN Brasil, 22.Nov.21: As Forças Armadas decidiram não participar do teste público de segurança da urna que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza nesta semana. A decisão ocorre em razão da percepção das Forças de que o formato adotado pelo TSE para fazer o teste dará a segurança necessária para atestar que a urna é segura. A avaliação foi a de que uma eventual participação das Forças daria credibilidade ao teste e a segurança da urna, algo que tem sido contestado pelos militares.

  8. Essa notícia não sairá na mídia canalha. O negócio é já se preparar para a gangue voltar ao poder. E aí fico me perguntando aonde nós, bocós “direitos”, nos manifestaremos, com sangue nos olhos na frente da Globo, da cnn (que é na paulista), na folha, no estadão, na Band, na cultura, no Uol, no STF, no congresso, na frente de alguém qg das gangues… ? Acho que nada disso, o máximo um passeio na paulista em um lindo domingo de sol.

  9. Não devemos confiar nos sistemas da NASA, Pentágono e dos sistemas eleitorais de Alemanha, Índia e Japão, por exemplo.
    Na vanguarda mundial, só mesmo Brasil, Butão e Bangladesh.
    É o top G3 da segurança eleitoral.

  10. No final é a opinião do Barroso que vale e todos tem que obedecer de pronto. Esse engenheiro aí que se recolha à sua insignificância. É assim que as coisas funcionam nessa bagaça. Assunto encerrado. Todos vocês devem desculpas à sua Eminência, o Cardeal Barroso, portanto retratem-se diante de sua colossal figura. O Barroso é um colosso, o Bozzo sabe muito bem disso.

  11. E agora? Vamos confiar em quem? Tomara que os integrantes militares do grupo que vai fiscalizar os trabalhos façam o seu trabalho com patriotismo! O povo está de olho!

  12. Uma besta quadrada que acredita em João de Deus mas não acredita em Deus. Acredita em um terrorista mas não acredita na Constituição. É comprovadamente mais uma besta quadrada nesse Brasil. Falaram para ele que a urna eletrônica é segura e ele acreditou. Essa besta quadrada acredita em tudo, menos o que é certo. Ficaram 6 meses acessando os computadores do TSE. Deletaram os logs. E ele ainda acredita que mesmo ficando 6 meses nos computadores do TSE não conseguiriam acessar ou modificar dados. E o pior que ninguém interdita gente assim. É uma pena ter nesse país um monte de malucos de todas as espécies desde a fauna até a flora comandando. Bandidos são soltos a vontade e gente do bem fica presa.

    1. Perfeito seu comentário! Também penso assim. A própria resistência em tornar o sistema seguro com auditoria impressa, torna o sistema suspeito. Complementado depois com a célebre frase “eleição não se ganha, se toma”, as coisas começam a fazer todo sentido.

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