O deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira, 3. Aos 45 anos, Bacellar é o terceiro presidente da Casa detido em exercício do cargo. O vice-presidente da Alerj, Zaqueu Teixeira (PDT), assume interinamente a presidência da Casa.
Nascido em 5 de abril de 1980, em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, Rodrigo da Silva Bacellar é advogado tributarista de formação e começou a carreira pública em 2007, como assessor da Secretaria-Geral de Planejamento do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Ele ingressou na política por influência do pai, Marcos Bacellar, que fora vereador por três mandatos e presidente da Câmara Municipal local.
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Em 2009, assumiu a presidência da Fundação Estadual do Norte Fluminense, cargo que ocupou por dois anos. Durante o exercício da função, o Ministério Público do Rio de Janeiro investigou um suposto esquema de “aluguel” da Prefeitura de Cambuci, na região noroeste fluminense, no qual Bacellar estaria envolvido.

Depoimentos de políticos locais, em um processo de mais de mil páginas, revelaram que Bacellar e o pai teriam combinado pagar R$ 160 mil mensais ao então prefeito Oswaldo Botelho, o Vavado, para controlar a administração municipal, em meio a denúncias de fraudes em licitações. O caso resultou apenas no afastamento temporário de Vavado, mas surgiram acusações contra o atual presidente da Alerj de intimidação e influência indevida.
Rodrigo Bacellar passou por PT e PL antes de se estabelecer no centrão
O ingresso de Bacellar na esfera partidária se deu no Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual foi filiado por quatro anos. Em 2018, já pelo Solidariedade, Bacellar foi eleito deputado estadual pela primeira vez, com pouco mais de 26 mil votos. Quatro anos depois, em 2022, migrou para o Partido Liberal (PL) e ampliou sua base eleitoral para quase 100 mil votos, garantindo a reeleição com folga.
A articulação política de Bacellar se consolidou em 2023, quando assumiu a presidência da Alerj, reconduzido por unanimidade em 2025. Para chegar ao cargo, ele teve apoio de siglas como Psol, PDT e PSD.
Veja o histórico de filiações de Rodrigo Bacellar:
- PT: 2001-2005;
- PTB: 2005-2009;
- PTdoB: 2009-2011;
- PDT: 2011-2013;
- Solidariedade: 2013-2016;
- PL: 2022-2024; e
- União Brasil: 2024-atualmente.
Antes de presidir a Alerj, Bacellar ocupou cargos executivos de peso. De 2021 a 2022, foi secretário de Governo no Estado, sob a administração de Cláudio Castro, em que liderou iniciativas como a licitação de veículos para o programa Segurança Presente e a coordenação do programa de inclusão social RJ Para Todos.
Aliado próximo do governador, ele também acumula processos no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, julgado ao lado de Castro e do ex-vice-governador Thiago Pampolha por abuso de poder econômico. Sua influência se estendia a nomeações estratégicas, como em Cambuci, onde indicados por ele ainda atuam como aliados fiéis.

Presidente da Alerj foi preso sob acusação de ajudar deputado ligado ao CV
A prisão desta quarta-feira, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ocorreu durante um depoimento na sede da PF, no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun. A ação, deflagrada em setembro, resultou na prisão do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (MDB), acusado de ligações com o Comando Vermelho (CV).
Segundo a PF, Bacellar teria ligado para TH Joias na véspera da Zargun, repassando orientações que obstruíram a operação — que prendeu 18 pessoas, incluindo lideranças do CV e assessores do então deputado estadual. Agentes da PF cumpriram oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado, como o gabinete na Alerj e um apartamento em Botafogo, na zona sul carioca.





































O Rio de Janeiro continua lindo .