E se Lula não for candidato?

Bolsonaro ainda tem a hegemonia das ruas; o ex-presidente ainda não teve coragem de fazer o teste de rua
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Studart: "Lula tem um patamar histórico de eleitores fiéis entre 25% e 30% — com cerca de 50% de taxa de rejeição" | Foto: Reprodução/Mídias Sociais
Studart: "Lula tem um patamar histórico de eleitores fiéis entre 25% e 30% — com cerca de 50% de taxa de rejeição" | Foto: Reprodução/Mídias Sociais

Por Hugo Studart*

Artigo publicado no site hugostudart.com.br

Quase todas as análises e articulações políticas partem do pressuposto de que Luiz Inácio será candidato à Presidência. E se na hora H não vier a ser?

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Vou mais longe nas provocações. Hoje Lula vence Bolsonaro no primeiro turno. E se lá na frente Lula cair e Bolsonaro subir? Fato é que há alguns vetores e ponderações que precisam ser levados em conta nos cenários prospectivos sobre as eleições de 2022.

E o primeiro deles diz respeito à saúde do ex-presidente. Lula tem hoje 75 anos. Completa 76 em outubro e terá 77 durante o pleito. Todos nós sabemos que seu corpo carrega cerca de 50 anos de alcoolismo, que aliás voltou. Mais quase dez anos de câncer, um carcinoma que vem sendo controlado com sessões de químio a cada três semanas.

“E se ainda houver algum juiz em Brasília? Ainda há tempo de Lula se tornar inelegível”

Enfim, durante a campanha eleitoral Lula terá 76 para 77 anos, mas a saúde com desgaste de alguém de 87 a 90 anos. É certo que não terá força física para fazer campanha de rua em uma eleição que vai ser pau puro.

O segundo fator a ser considerado é o judicial. O Supremo escrachou com todas as leis a fim de usar Lula para acossar Bolsonaro. Mas foi só no processo do tríplex. Tem outros cinco processos em andamento, sendo o do sítio em Atibaia o mais adiantado. Há que indagar: e se ainda houver algum juiz em Brasília? Ainda há tempo de Lula se tornar inelegível.

O terceiro fator, aliás o mais relevante, é eleitoral. Hoje Lula estaria com cerca de 45% das intenções de voto e ganharia de lavada de Bolsonaro, de acordo com a média das pesquisas — pesquisas nas quais eu acredito.

Contudo, o número está inflado artificialmente por conta de uma conjunção de circunstâncias, como a novidade de sua volta, o saudosismo dos bons tempos diante do desemprego e a impopularidade recorde de Bolsonaro.

Mas política é como nuvem, reza o velho ditado, uma hora você olha e está de um jeito, depois olha de novo e já mudou.

Lula tem um patamar histórico de eleitores fiéis entre 25% e 30% — com cerca de 50% de taxa de rejeição. Quando a campanha começar para valer, por volta de abril ou maio de 2022, ele deverá estar nesse patamar. Dificilmente estará em 35%.

No caso de Bolsonaro, a nuvem deve se mover no inverso contraditório de Lula. Ele está em seu piso, no patamar de 25%, com 50% de taxa de rejeição. Quando a campanha começar para valer, ele deve retornar a seu patamar de 30% a 35% de eleitores fiéis (Não estou considerando aqui a hipótese do impeachment, extremamente difícil, mas não impossível.)

Alguns vetores devem ajudar Bolsonaro. Para começar, a pandemia tende a despencar por volta de outubro, no máximo na virada do ano. A economia tende a dar sinais de melhora, puxada pelo agronegócio, voltando aos níveis de 2019, quando Henrique Meirelles entregou os números bem arrumados para Paulo Guedes.

Por fim, deverá haver uma chuva de obras e boas notícias no Nordeste, região que deve decidir a disputa.

Em conclusão, Bolsonaro deverá largar mais forte em votos do que Lula. O atual presidente está ganhando o estigma de incompetente — o ex já consolidou a imagem de ladrão. Bolsonaro ainda tem a hegemonia das ruas; Lula ainda não teve coragem de fazer o teste de rua.

Ao fim e ao cabo, Lula deve perder para Bolsonaro.

E, diante desse quadro hoje polarizado, é quase certo que lá na frente apareça alguém para canalizar os votos dos 40% nem-nem, nem um nem outro. Quem? Ora, ora, deve aparecer entre abril e junho.

Por esse conjunto de fatores, aposto que Lula não deve sair candidato à Presidência. Mas deve esticar ao máximo sua suposta candidatura e, na hora H, pode sair candidato a senador por São Paulo e ungir nome de sua confiança para o Planalto. Ninguém sabe ainda quem. Acredito que o candidato do PT seja o ex-governador Jaques Wagner. Pois Fernando Haddad é por demais molenga e já perdeu.

Enfim, comecem a pensar por outros paradigmas: e se Lula não for candidato?

Leia também: “Vale tudo, menos Jair Bolsonaro-22”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 67 da Revista Oeste

*Hugo Studart é graduado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em Ciência Política e mestrado e doutorado em História, pela UnB. Atuou como repórter investigativo, editor, colunista ou diretor em veículos como Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, revistas Veja, Manchete, Dinheiro e IstoÉ. É professor associado do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares, no Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas, NP3/Ceam, UnB.

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