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Política

Eduardo Bolsonaro lamenta fim das sanções impostas pelos EUA a Moraes

Ex-deputado afirmou que a decisão de cancelar a Lei Magnitsky contra o ministro partiu de Trump

Eduardo condiciona a volta a uma mudança de postura de Moraes nos inquéritos contra políticos da oposição | Foto: Reprodução/Flickr/Partido Liberal
Ao responder sobre sua atuação nos EUA, Eduardo salientou que não fez lobby para a imposição de tarifas alfandegárias ao Brasil | Foto: Reprodução/Flickr/Partido Liberal

Em entrevista ao canal SBT News, neste sábado, 20, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o governo dos Estados Unidos retirou o ministro Alexandre de Moraes da lista de sancionados pela Lei Magnitsky por ordem direta do presidente norte-americano, Donald Trump.

O parlamentar criticou as eventuais contrapartidas oferecidas pelo governo brasileiro, como a concessão de terras raras para exploração norte-americana, o fim da censura às redes sociais, a colaboração brasileira no combate ao crime organizado e o término da cooperação entre Brasil e China no setor de satélites, o que beneficiaria o empresário Elon Musk. Todas as contrapartidas vieram à tona em reportagem exclusiva de Oeste, divulgada em 4 de dezembro, oito dias antes de os EUA retirarem as sanções impostas a Moraes e à mulher dele, Viviane Barci de Moraes.

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Nesse cenário, o ex-deputado lamentou a possível cessão de recursos estratégicos brasileiros em troca do fim da punição ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). “Se vocês fossem presidentes, entregariam aquilo que temos de mais precioso, em termos de recursos naturais, em troca de uma sanção individual contra uma pessoa?”, perguntou. “Não me surpreenderia, mas ficaria enojado se isso tivesse sido feito.”

Segundo Eduardo, a decisão norte-americana também teria sido influenciada por pressões externas. Ele citou, por exemplo, grupos de senadores brasileiros e representantes de instituições financeiras e comerciais, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que teriam ido ao Departamento de Estado dos EUA para pressionar os norte-americanos.

Ao responder sobre sua atuação nos EUA, Eduardo salientou que não fez lobby para a imposição de tarifas alfandegárias ao Brasil. “Isso exigiria credenciamento, e que o que ocorreu foram reuniões parlamentares e contatos com autoridades”, disse.

PL da Dosimetria: mais uma moeda de troca

Durante a entrevista, um dos jornalistas do SBT News, Leandro Magalhães, citou um suposto acordo que envolvia a aprovação do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria como contrapartida para a retirada das sanções impostas a Moraes. Ao comentar o assunto, Eduardo disse que tal informação não é confirmada. Como antecipou Oeste, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foram os principais responsáveis pela articulação da proposta.

Questionado se Trump estaria se distanciando da direita brasileira e da família Bolsonaro, Eduardo negou. “Tentam criar essa narrativa”, afirmou o ex-deputado, ao lembrar uma das cartas escritas pelo governo norte-americano para justificar a imposição de tarifas ao Brasil. No texto, o presidente norte-americano citava a perseguição contra Jair Bolsonaro e seus aliados.

Hugo Motta é ameaçado por Moraes, afirma Eduardo Bolsonaro

Além do tema Magnitsky, Eduardo Bolsonaro usou a entrevista para atribuir sua perda de mandato a pressões do STF e para relatar o que chamou de perseguição. “Em bom português, Hugo Motta está sendo ameaçado por Alexandre de Moraes”, afirmou o ex-deputado, ao comentar a decisão da Mesa Diretora da Câmara de cassá-lo. Eduardo citou ainda que Motta teria mudado de posicionamento depois de uma operação da Polícia Federal (PF) na Prefeitura de Patos, na Paraíba, administrada por Nabor Wanderley Filho, pai do presidente da Câmara Federal. A Justiça apura possíveis fradeus em licitação e superfaturamento em obras públicas no município paraibano.

Eduardo também comentou a possibilidade de ser preso caso retorne ao país de origem. “Alguém duvida que, se retornar ao Brasil, serei preso por qualquer acusação que eles inventem?”, perguntou. “É a primeira vez que um deputado federal é cassado sem que isso passe necessariamente pelo plenário da Câmara.”

Indagado sobre as eleições presidenciais de 2026, Eduardo afirmou que pretende apoiar Flávio Bolsonaro. Ele disse ter trabalhado para a escolha do irmão, a quem qualificou de “nome viável” para a Presidência da República. O ex-deputado acrescentou que sua contribuição nesse processo se daria na área internacional, incluindo diálogos com países árabes, com Israel e com os EUA.

Por fim, Eduardo afirmou não ter ido recentemente a Washington e disse que mantém contatos de WhatsApp com autoridades norte-americanas. Ele atribuiu a redução de visitas à capital norte-americana ao período de shutdown nos EUA (paralisação parcial do governo quando o Congresso não aprova o orçamento dentro do prazo legal).

Leia também: “Itamaraty S.A.”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 301 da Revista Oeste

2 comentários
  1. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    Deveria dar entrevista para um orgao de direita não para esse lixo SPT NEWS

  2. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Todos temos que resistir ,evitar os banqueiros e falsos industriais que são os que mandados da China continental.e dos EUA. Trump está de mãos dadas com China usando o Brasil para tirar vantagens ( papel dele) mas como o rabo de Da Silva está preso no STF….

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