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Política

Encenação política: Polícia Federal desarticula esquema de R$ 3,5 bilhões

O grupo era financiado por dinheiro desviado de contratos públicos

Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no RJ e MG
Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no RJ e MG | Foto: Reprodução/PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira, 16, a segunda fase da Operação Teatro Invisível. O objetivo é desarticular uma suposta rede criminosa que empregava atores para manipular o voto popular e espalhar desinformação durante as eleições.

As encenações eram cuidadosamente roteirizadas e estrategicamente disseminadas nas redes sociais. Elas eram financiadas por recursos públicos desviados por meio de contratos genéricos de serviços inexistentes com prefeituras do Estado do Rio de Janeiro.

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De acordo com as investigações, os atores recebiam até R$ 250 por dia para representar eleitores indignados, fazer falsas denúncias contra adversários políticos e simular conflitos e escândalos em locais públicos, como feiras livres e terminais de transporte. As cenas eram gravadas com celulares e divulgadas como se fossem espontâneas.

A Polícia Federal estima que cerca de R$ 3,5 bilhões foram desviados para financiar campanhas e influenciar o resultado das eleições de 2024. No centro das investigações estão figuras políticas como o prefeito de Cabo Frio, Dr. Serginho (PL-RJ), além de candidatos derrotados, como Valdecy da Saúde (PL-RJ), Aarão (PP-RJ) e Rubão (Podemos-RJ), que foi eleito em Itaguaí (RJ), mas impedido de assumir o cargo.

Polícia Federal cumpre dez mandados

Como parte das investigações, a Justiça determinou a execução de dez mandados de busca e apreensão, o bloqueio de R$ 3,5 bilhões nas contas dos investigados e a suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas. As diligências foram realizadas em cidades como Cabo Frio (RJ), Itaguaí, Mangaratiba (RJ), Rio de Janeiro e Juiz de Fora (MG).

Os roteiros das encenações, conforme relataram os atores, abordavam temas sensíveis, como segurança pública, corrupção, racismo e violência, com potencial para viralização nas redes sociais.

Segundo a PF, as cenas simulavam desde brigas em comícios até denúncias de corrupção que nunca aconteceram, com o intuito de manipular a percepção do eleitorado, atacar adversários políticos e influenciar o voto por meio da emoção e do choque.

A primeira fase da operação, realizada em setembro 2024, já havia revelado a contratação de “elencos de rua” que atuavam em pelo menos 13 cidades fluminenses. Agora, a Polícia Federal mostra que a estrutura de financiamento estava vinculada a esquemas de caixa dois, fraude em licitações, obstrução da Justiça e lavagem de dinheiro.

Os envolvidos poderão responder por corrupção eleitoral, obstrução de Justiça, associação criminosa, falsidade ideológica eleitoral, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. As penas para esses crimes podem ultrapassar 27 anos de reclusão.

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