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Piauí: esquema de corrupção atinge tribunal e família de governador petista

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras detalham transferências feitas por lobista

Rafael Fonteles (PT), governador do Estado do Piauí | Foto: Gabriel Paulino/Governo do Piauí
Rafael Fonteles (PT), governador do Estado do Piauí | Foto: Gabriel Paulino/Governo do Piauí

A investigação sobre a venda de sentenças no Tribunal de Justiça (TJ) do Piauí ultrapassou o Judiciário e passou a envolver personagens ligados ao núcleo do governo estadual. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou as informações nesta terça-feira, 16.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam transferências realizadas pelo lobista Juarez Chaves de Azevedo Júnior, indicado como operador do esquema.

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A Polícia Federal atribui a Juarez a função de intermediário na negociação de decisões judiciais proferidas pelo desembargador José James Gomes Pereira. Segundo o inquérito, o lobista movimentou pelo menos R$ 21 milhões em pagamentos ilícitos relacionados ao esquema.

Os documentos do Coaf analisam transações realizadas entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024. Nesse período, Juarez efetuou repasses financeiros a agentes públicos, auxiliares do governo e à faculdade iCEV, ligada à família do governador Rafael Fonteles (PT).

De acordo com o Coaf, a instituição recebeu transferências que somam R$ 20 mil. A mãe do governador, Nereida Maria Fonteles, atua como diretora da empresa TF3 Participações, que detém participação societária no grupo.

O próprio governador figurava como sócio de uma unidade do iCEV em São Luís (MA) — que encerrou suas atividades dez meses depois de Fonteles assumir o comando do Executivo.

Em nota, o iCEV afirmou que os valores correspondem a um patrocínio destinado à realização do Congresso de Direito, Negócios e Tecnologia, ocorrido em 2023. A instituição informou que outros escritórios de advocacia e patrocinadores também apoiaram o evento.

Coaf cita repasse de R$ 90 mil a novo desembargador

Além da instituição de ensino, os relatórios do Coaf mostram repasses diretos a integrantes do Judiciário.

O advogado Mario Basílio de Melo, que tomou posse como desembargador do TJ em 11 de dezembro, aparece como beneficiário de seis depósitos em sua conta pessoal, no valor total de R$ 90 mil. Outro repasse, de R$ 15 mil, teve como destino o escritório do magistrado.

O Estadão teve acesso a um extrato bancário que registra ainda uma transferência de R$ 2 milhões, realizada em fevereiro de 2024. Pessoas próximas a Basílio afirmam que o montante se refere a um serviço de consultoria em regularização fundiária.

Leia também: “Diretor jurídico da J&F aparece em investigação sobre venda de sentenças no TJ do Piauí”

Segundo essa versão, Juarez teria sido contratado inicialmente e recebido adiantado, mas não concluiu o trabalho. Diante da demora, o serviço teria sido repassado a Basílio, que recebeu os valores.

Basílio liderou a lista tríplice da Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí e ocupou a vaga do quinto constitucional no tribunal por escolha de Fonteles.

Relatório indica depósitos a dirigente da comunicação estadual

O inquérito também identificou repasses para a área de comunicação do governo estadual. Mussoline Marques de Sousa Guedes, presidente da Fundação Antares, responsável pelas rádios e pelas TVs públicas do Estado, recebeu 11 depósitos feitos por Juarez, que totalizam R$ 27,5 mil.

Mussoline ocupou o cargo de secretário de Comunicação do governo até fevereiro de 2025. Interlocutores afirmam que os valores correspondem a uma assessoria de comunicação privada prestada ao lobista, em razão de uma amizade de cerca de 20 anos. O acordo mensal, de R$ 2,5 mil, teria vigorado enquanto ele exercia função no Executivo.

Juarez também integrou a equipe jurídica da campanha eleitoral de 2022 que elegeu Fonteles ao governo do Piauí e de Wellington Dias (PT), atual ministro do Desenvolvimento Social, em 2022.

Em nota enviada ao Estadão, Wellington afirmou que Juarez prestou serviços à coalizão partidária, sem vínculo formal com o ministro. Segundo a manifestação, o advogado não recebeu procuração nem atuou no registro da candidatura ou na prestação de contas.

A defesa de José James Gomes Pereira, representada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, negou qualquer irregularidade. Segundo ele, o magistrado não solicitou nem autorizou práticas ilegais, e a defesa rejeita conclusões antecipadas. A defesa de Juarez informou que não comentará o caso em razão do sigilo do processo.

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3 comentários
  1. Moisés Fróes
    Moisés Fróes

    Estados governados pelo PT e esquerdalha essas notícias de CORRUPÇÃO é NOVIDADE ZERO. TAL QUAL NO DESGOVERNO DO LULADRÃO..SE TIVÉSSEMOS O JUDICIÁRIO DO LADO DO POVO, E TB SENÃO FOSSE COMPARSAS…

  2. João Carlos de Souza Carvalho
    João Carlos de Souza Carvalho

    Não falha , aonde existem petistas sempre há corrupção e mentiras !

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