publicidade
Política

Ex-presidente do INSS diz ter levado 'um susto' ao ser alvo de operação da PF

Alessandro Stefanutto afirma que nunca esteve envolvido em ações policiais

A operação afastou Stefanutto e outros cinco servidores de seus cargos | José Cruz/Agência Brasil

O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto afirmou que levou um susto ao ser acordado pela Polícia Federal (PF) no dia 23 de abril. A abordagem ocorreu durante a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes sobre descontos em aposentadorias e pensões.

“Foi uma surpresa”, disse Stefanutto , em entrevista à CNN Brasil. “Nunca, ao longo da minha carreira como servidor público, estive envolvido em qualquer operação policial. Ser acordado pela Polícia Federal foi, de fato, uma situação inesperada e difícil.”

Receba nossas atualizações

A operação afastou Stefanutto e outros cinco servidores de seus cargos. O ex-presidente do órgão disse estar “tranquilo” e ter “plena consciência” da própria inocência. Também defendeu o andamento das investigações e a punição dos responsáveis.

Leia mais: “Governo Lula decide não rebater vídeo de Nikolas sobre fraude no INSS”

“Considero natural, diante do desgaste gerado, a substituição da presidência do INSS”, afirmou. “Mas isso, por si só, não significa que eu tenha cometido irregularidade.”

Alessandro Stefanutto presidia o INSS desde julho de 2023, quando foi nomeado pelo então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. É procurador federal de carreira, com 25 anos de atuação na autarquia. Foi procurador-geral do INSS entre 2011 e 2017.

Stefanutto nega omissão diante das fraudes no INSS

Segundo a PF, Stefanutto foi omisso diante do aumento das fraudes. O prejuízo estimado é de R$ 6,5 bilhões de 2019 a 2024.

“Como presidente da autarquia, atuei justamente para criar mecanismos e procedimentos de segurança”, disse Stefanutto . “Muitos deles estão em uso hoje, como o passo a passo para consultar descontos ativos e pedir o cancelamento deles, por exemplo.”

O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, nomeou Alessandro Stefanutto para o cargo em 5 de julho de 2023
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, nomeou Alessandro Stefanutto para o cargo em 5 de julho de 2023 | Foto: Divulgação/ Previdência Social

O ex-presidente também citou outras medidas de segurança criadas por sua gestão, como a exigência de biometria no cadastro e um procedimento para a consulta e o cancelamento de descontos. “É claro que medidas estruturantes como essas levam tempo para serem implementadas, especialmente em uma instituição do porte do INSS, com obrigações complexas e voltadas à proteção de milhões de segurados”, afirmou.

Indagado sobre o aumento dos desvios entre 2023 e 2024, Stefanutto disse que não firmou novos Acordos de Cooperação Técnica durante sua gestão. Segundo ele, nenhuma nova entidade foi conveniada ao INSS.

“O que ocorreu foi o aumento no número de segurados cadastrados por entidades que já possuíam acordos vigentes”, argumentou o ex-presidente do INSS. “Como gestor público, não poderia simplesmente cancelar esses acordos sem um processo formal de apuração e respeito ao contraditório.”

Ele informou que determinou a abertura de procedimento apuratório e solicitou amostragens das entidades para comprovar a autorização dos descontos pelos beneficiários.

Ex-presidente fala sobre anotações suspeitas

A PF apreendeu uma anotação com Stefanutto que dizia “agradecer o CNPS – 150.000.000”, e outra com o lobista Antônio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, com a mensagem “5% Stefa”. Sobre o assunto, Stefanutto afirmou que se tratava de um pedido de “reforço orçamentário” ao Conselho Nacional da Previdência Social.

“O INSS, como todos sabem, tem limitações orçamentárias históricas, e solicitações de incremento são parte da rotina administrativa de qualquer gestor público”, disse o ex-presidente do INSS.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Em relação à anotação ligada ao lobista, acusado de receber R$ 53,5 milhões e apontado como figura central no esquema, Stefanutto disse que sua defesa ainda não teve acesso ao material. “O que posso afirmar com absoluta convicção é que essa anotação não corresponde a qualquer vantagem recebida por mim nem direta nem indiretamente”, concluiu.

Leia também:

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Dmitri
    Dmitri

    Um certo ex-presidente disse uma vez: “É só não roubar, não matar e não estuprar, que não vai pra cadeia, p*rr*!”

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.