A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) subiu o tom contra a Medida Provisória (MP) n° 1.343/2026, que reforça a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário e institui um piso salarial nacional para motoristas de longa distância.
A Câmara dos Deputados aprovou a MP na última quarta-feira, 17, e o texto agora será analisado pelo Senado. Para ser convertido em lei e não perder a validade, o projeto tem de ser aprovado pelos senadores até o dia 16 de julho.
Receba nossas atualizações
A MP aprovada pela Câmara modifica as regras de cálculo do piso mínimo do transporte rodoviário de cargas. Segundo a proposta, a tabela deverá levar em consideração os custos operacionais da atividade – combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
O que diz a Fiesp
Em nota divulgada nesta segunda-feira, 22, a Fiesp critica a “forma açodada e sob nítido apelo eleitoral na condução do texto da Medida Provisória do Frete”.
“Se a Lei 13.703, de 2018, já atropelava o livre mercado e impunha intervenção estatal descabida na economia, o novo texto, que agora será debatido no Senado, vai ampliar ainda mais os custos de todos os brasileiros, com impacto direto nos preços das mercadorias”, afirma a entidade.
Segundo a Fiesp, o texto estabelece “multas desproporcionais e a cassação de registros, instaurando um ambiente de insegurança jurídica para todas as atividades econômicas”.
“No seu artigo 5º, por exemplo, a proposta invade a competência legal da própria agência reguladora ao definir as variáveis do piso mínimo do frete, engessando, ainda mais, a relação entre agentes econômicos, que deveria ser pautada pelas leis de mercado”, alerta a federação industrial.

Como consequência, observa a Fiesp, “para os produtos de menor valor agregado o custo do frete, em muitos casos, será maior do que o preço da própria carga”.
“Chegamos ao absurdo de a logística de transporte de calcário agrícola, insumo essencial para o agronegócio, por exemplo, chegar a custar quase o dobro do valor da carga”, criticou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
“Instamos o Senado, como Casa revisora, a exercer seu papel institucional de corrigir as graves distorções contidas no texto apresentado”, prossegue a entidade. “Novamente, se nada for feito, perde o Brasil e também os motoristas autônomos com a aceleração da verticalização da frota por parte das empresas.”
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
MP do Frete Mínimo
Além de mudar as regras de cálculo do piso mínimo do transporte rodoviário de cargas, o texto da MP também anistia caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias após as eleições de 2022. O perdão das multas não estava na medida editada pelo governo federal e foi incluído pela comissão mista que analisou o projeto.
O texto ainda cria a definição de veículo de carga de pequeno porte, com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas; e de carga a granel pressurizada, categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado.
A atualização da tabela de frete deverá ser feita semestralmente. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.
Fiesp publica carta de apoio à PEC do trabalho flexível
Presidente da Fiesp critica proposta sobre escala 6×1
CVM multa ex-presidente da Fiesp por atraso em balanço da Coteminas
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.