O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira, 18, manter a cassação do mandato do ex-deputado Chiquinho Brazão, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e do motorista Anderson Gomes em 2018. A decisão partiu do ministro Flávio Dino, que rejeitou o pedido da defesa para suspender a medida adotada pela Mesa da Câmara dos Deputados.
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Brazão, atualmente preso preventivamente, argumentou que a cassação por faltas injustificadas seria inconstitucional, pois sua ausência às sessões plenárias se deve à restrição de liberdade. Segundo a defesa, “não se tratava de ausências deliberadas e/ou injustificadas, mas decorrentes do integral cerceamento de sua liberdade e da impossibilidade de acesso remoto às sessões plenárias ocorridas desde a sua prisão”.
Decisão do STF e fundamentação de Flávio Dino
Na análise do caso, Flávio Dino destacou que o regimento interno da Câmara dos Deputados não prevê licença parlamentar motivada por prisão preventiva. O ministro ainda avaliou que não foram identificadas irregularidades no processo de cassação e negou o pedido de medida cautelar. Apesar disso, Dino observou que a decisão da Mesa pode ser anulada conforme o resultado final do processo criminal que envolve o assassinato de Marielle Franco.
O ex-deputado foi preso em março de 2024, junto com o irmão Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), depois de ambos serem denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como mandantes do crime, a partir da delação do ex-policial militar Ronnie Lessa, executor confesso do homicídio. O relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, autorizou a prisão preventiva de Chiquinho Brazão em 11 de abril, apontando “múltiplas comorbidades graves” no quadro de saúde do réu.
Situação política e desdobramentos
Mesmo com a prisão, o gabinete de Chiquinho Brazão na Câmara permanece ativo, com mais de 20 assessores, e o ex-parlamentar segue recebendo salário. O processo de cassação tramita na Comissão de Ética da Casa. Além dos irmãos Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio delegado Rivaldo Barbosa também permanece preso preventivamente há mais de um ano, acusado de planejar e ordenar o assassinato de Marielle Franco.
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