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Política

Funcionários tratam Toffoli como dono em resort com jogos de azar

Hotel no interior do Paraná reúne máquinas 'caça-níquel' e blackjack

O então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) na época, Dias Toffoli | Foto: Carlos Moura/SCO/STF
O então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) na época, Dias Toffoli | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Um resort de alto padrão no interior do Paraná voltou ao centro do debate público por reunir jogos de apostas com dinheiro em um ambiente frequentado por autoridades. A apuração do portal Metrópoles revela que o Tayayá, em Ribeirão Claro, mantém máquinas eletrônicas e mesas de cartas acessíveis a hóspedes. O caso ganhou repercussão por envolver a família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

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O hotel ficou conhecido na cidade como “resort do Toffoli”. Funcionários tratam o ministro como proprietário, ainda que seu nome não apareça em registros oficiais. A reportagem do portal se hospedou no local e registrou a existência de jogos que valem dinheiro, sem controle formal de acesso. Em duas ocasiões, crianças apareceram próximas às máquinas, em meio a adultos que consumiam bebidas.

Jogos e apuração no ‘resort do Toffoli’

O espaço reservado à jogatina reúne 14 máquinas de vídeo loteria, modalidade autorizada no Paraná, embora funcione de forma similar a caça-níqueis. O ambiente reproduz o padrão visual de cassinos, com carpetes, luzes artificiais e painéis luminosos. Fora do horário regular, os repórteres do Metrópoles alegaram receber convite para partidas de cartas contra um dealer, incluindo blackjack, jogo proibido no Brasil quando há aposta em dinheiro.

A apuração também identificou mesas usadas para partidas com cartas e apostas diretas. A legislação nacional não permite esse tipo de prática presencial. Mesmo assim, os jogos ocorreram sem barreiras de entrada e sem fiscalização visível.

O histórico do empreendimento envolve mudanças societárias recentes. O resort foi construído por irmãos e um primo de Toffoli. Mais tarde, essas participações passaram a um advogado ligado ao grupo J&F. Antes dessa etapa, um fundo com investimento de Fabiano Zettel, empresário e cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master, adquiriu ações do hotel. Toffoli atua como relator de investigação que envolve o banco no STF e já analisou processos ligados à J&F.

No fim de 2025, o hotel fechou para uma celebração privada com familiares e convidados do ministro. Funcionários relataram mobilização total da equipe. O evento contou com artistas e com o ex-jogador Ronaldo Nazário. Segundo relatos, ele participou da abertura da área de jogos. Ronaldo atua como jogador profissional de pôquer, modalidade permitida no país.

Voto no Supremo e uso do espaço

No Supremo, Toffoli acompanhou, em 2020, o entendimento que autorizou Estados a explorarem vídeoloterias, em julgamento sob relatoria de Gilmar Mendes. A decisão não liberou jogos de cartas com apostas presenciais. Mesmo assim, a prática foi registrada no resort, conforme o Metrópoles.

Toffoli visita o Tayayá com frequência. Ele dispõe de uma casa em área reservada a hóspedes de alto padrão e de uma embarcação mantida no píer do hotel. Outra residência no complexo é usada por um irmão do ministro. Colegas do STF também se hospedaram no local, segundo funcionários.

O resort fica às margens da Represa de Xavantes, perto da divisa entre Paraná e São Paulo. As diárias chegam a R$ 2 mil. A estrutura inclui piscinas, quadras esportivas e atividades infantis. O acesso aéreo exige voo fretado até Ourinhos, em São Paulo, com deslocamento final de helicóptero.

Procurado pelo Metrópoles, o advogado Paulo Humberto negou a existência de jogos ilegais. Ele afirmou que as máquinas seguem autorização estadual e que mesas de cartas servem apenas para lazer, sem estímulo à jogatina. Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos.

Leia também: “Banco Central liquida a Will Financeira, instituição ligada a Vorcaro”

1 comentário
  1. JOSE ROBERTO CARRARA
    JOSE ROBERTO CARRARA

    troca constante de “proprietarios”, follow the money…..

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