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Política

Hacker tentou destruir computadores de Vorcaro

David Henrique Alves foi flagrado pela PRF em 4 de março, data da prisão do banqueiro

Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federa - 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube master
Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal - 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube

A investigação da Polícia Federal referente à sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 14, revela que David Henrique Alves, o líder do grupo de hackers contratados por Daniel Vorcaro, foi flagrado, em 4 março, com o carro cheio de computadores durante abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

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Ele teria a intenção de destruir as máquinas e eliminar possíveis provas do “A Turma”, grupo criminoso do banqueiro. A abordagem ocorreu na mesma data em que Vorcaro foi preso, pela segunda vez, por ordem de André Mendonça, agora relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião também foi preso Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Posteriormente, ele suicidou-se na cadeia.

Também estava no carro, no momento da abordagem, Katherine Venâncio Teles, outra investigada no caso. Eles transportavam um desktop, dois ou três notebooks, caixas e malas. A Polícia Federal avaliou que o contexto sugeria uma fuga em andamento e tentativa de ocultação de provas digitais.

Lula PRF
David Henrique Alves foi abordado pela PRF em 8 de março | Foto: Divulgação/Agência Brasil

O policial rodoviário relatou que Alves não explicou de forma convincente por que dirigia o automóvel de Sicário. Dentro do carro, foi localizado o documento de identidade de uma terceira pessoa, o que, segundo a Polícia Federal, reforçou o comportamento suspeito do investigado.

“O quarto aspecto de seu comportamento, igualmente relevante, refere-se à postura adotada por DAVID na data da deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, em 04/03/2026. Conforme registrado pela Polícia Rodoviária Federal, DAVID foi abordado às 23h30 conduzindo uma Range Rover pertencente a FELIPE MOURÃO, acompanhado de KATHERINE VENÂNCIO TELES. Dentro do veículo havia um computador grande de mesa, dois ou três notebooks, caixas e malas, além de um conjunto de objetos que, no contexto investigativo, foi interpretado pela Polícia Federal como indicativo de fuga em andamento e possível destruição, remoção ou ocultação de provas digitais. O policial rodoviário relatou, ainda, que DAVID não soube explicar com clareza por que estava com o veículo de FELIPE MOURÃO e que, no interior do automóvel, foi encontrado documento de identidade de terceiro, circunstância que se soma ao quadro de anormalidade da conduta”, informa trecho da decisão de Mendonça desta quinta-feira, 14.

Movimentações suspeitas depois do flagrante

No dia seguinte ao flagrante, um homem associado ao círculo de Alves foi ao imóvel alugado por ele, com autorização prévia de Katherine, para retirar pertences, o que, para a Polícia Federal, indica tentativa de desmobilização imediata após a operação policial.

As investigações revelam ainda que Alves teria alugado um apartamento em Lagoa Santa (MG) com o objetivo de praticar crimes e, no dia da operação, tentou devolver o imóvel às pressas. A proprietária descreveu Alves como pessoa reservada e pouco participativa na vizinhança, tendo toda a negociação feita por meio de imobiliária.

Consta no relatório policial que, às 10h do mesmo dia 4 de março, Alves telefonou para a corretora e afirmou que precisava entregar o apartamento urgentemente, alegando necessidade de ajudar um parente em São Paulo. O porteiro do condomínio relatou que Alves saiu por volta das 15h, de forma apressada, “cantando pneus”, o que gerou queixas dos moradores.

Nova fase da Operação Compliance Zero

Deflagrada nesta quinta-feira, 14, a Operação Compliance Zero resultou na prisão do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, e no cumprimento de outros seis mandados de prisão. A ação teve como alvo integrantes de um grupo suspeito de acessar ilegalmente informações confidenciais e invadir sistemas públicos.

Durante a operação, a delegada da Polícia Federal Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada do cargo, e o policial federal Francisco José Pereira da Silva foi preso. As acusações envolvem ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

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