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Política

Big techs estão por trás das tarifas impostas ao Brasil, afirma ex-embaixador

Rubens Barbosa vê ligação direta entre as sanções norte-americanas e as ações do STF contra as redes sociais

Embora reconheça que a crise atual é grave, o embaixador minimiza seus efeitos a longo prazo | Foto: Pedro França/Agência Senado
Embora reconheça que a crise atual é grave, o embaixador minimiza seus efeitos a longo prazo | Foto: Pedro França/Agência Senado

O ex-embaixador Rubens Barbosa, um dos mais experientes diplomatas brasileiros, avalia que as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, com a elevação das tarifas de importação para 50%, não decorrem diretamente das ações do ministro Alexandre de Moraes nem da atuação do governo Lula na política externa. Para Barbosa, o cerne da questão está na reação das big techs às medidas de “regulação” em curso no Brasil, que atingem diretamente os interesses comerciais dessas empresas. “Estão implicando com o que a gente está fazendo no país”, afirma.

Na visão do diplomata, que já chefiou as embaixadas do Brasil em Londres e Washington, a recente ofensiva norte-americana contra produtos brasileiros — agora ampliada por uma nova investigação — reflete pressões econômicas motivadas por interesses empresariais, e não por um embate ideológico. Elon Musk, Mark Zuckerberg, Sundar Pichai, Tim Cook e Sam Altman, líderes das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, estariam por trás das movimentações que culminaram na retaliação comercial.

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Para o ex-embaixador, cabe ao governo brasileiro abandonar a retórica ideológica e agir pragmaticamente, como estão fazendo a Europa e o Japão, que já negociam reduções de tarifas. “O Brasil precisa negociar tranquilamente, pedir a volta da tarifa a 10%”, recomenda o diplomata, ao criticar o enfraquecimento do Itamaraty na condução das relações internacionais.

Embora reconheça que a crise atual é grave, o ex-embaixador minimiza seus efeitos a longo prazo. Segundo Barbosa, trata-se de um episódio pontual, alimentado pelas divergências entre o governo Lula e a administração Trump. “Isso vai passar”, resume.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Por que os EUA impuseram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros?

Há um conjunto de fatores que confluíram para a imposição das tarifas. As ações do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro contribuíram, mas não são a causa principal. O que está por trás disso são os processos contra as grandes empresas de redes sociais, que estão em atrito com a Justiça do Brasil. Isso envolve a derrubada do X e a regulamentação das big techs. O Supremo brigou com Elon Musk. Nesta terça-feira, os EUA anunciaram uma nova investigação contra o Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio Norte-Americana — também por influência das big techs. A questão vai além da parte comercial, incluindo até a área ambiental e o desmatamento da Amazônia.

Como o Brasil poderia reduzir as tarifas impostas pelos EUA?

O Brasil tem de agir como todos os demais países: deixar de negociar ideologicamente, negociar com tranquilidade e pedir a volta da tarifa a 10%. A tarifa de 10% já está precificada. Isso vai valer para todo mundo enquanto o presidente Donald Trump estiver na Presidência dos Estados Unidos. A Europa e o Japão estão negociando a redução de 25% ou 30% para 10%. Além disso, o Brasil precisa dar uma resposta às big techs. A carta trata desse tema. Para isso, é necessária uma ação política do governo. O presidente Lula, o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) e o vice-presidente Geraldo Alckmin: alguém tem de ir aos Estados Unidos, como todos os demais estão fazendo. O Brasil, por questões ideológicas, não está querendo participar.

De que maneira o senhor avalia o papel do Itamaraty nesta crise?

O Itamaraty perdeu espaço. Agora, é necessária uma decisão política do governo para se expor. Mandar outra carta aos Estados Unidos, na minha visão, não vai adiantar nada. O governo está em contato com o governo norte-americano desde maio e não recebeu nenhuma resposta até agora. Isso está sendo tratado em um nível muito baixo. O Brasil precisa elevar o nível dessa discussão, se realmente quiser obter algum avanço. Há um componente ideológico muito forte que impede uma atuação técnica do Itamaraty.

O governo Lula deveria seguir com retaliações?

Está escrito na carta: se o Brasil retaliar, os EUA retaliam de novo. Os norte-americanos impuseram 50% de tarifas. Está dito na carta: se vocês colocarem 10%, 20%, 30%, 50% contra nós, colocaremos esse número em cima dos 50%. Não existe espaço para isso. Os empresários pediram muito que não houvesse retaliação. O presidente Lula falou em retaliação e tal, mas acho impossível pensar em retaliar os Estados Unidos. A gente não tem cacife político-econômico para agir dessa forma. Nem o Brasil, nem a Europa, nem o Japão. Ninguém tem cacife político para retaliar fortemente os EUA. A União Europeia anunciou que retaliaria, mas vai esperar até 1º de agosto e ainda tem esperança de negociar uma redução das tarifas.

Qual é o risco de essa crise comercial evoluir para um enfraquecimento das relações diplomáticas entre os EUA e o Brasil?

Isso vai passar. Já tivemos outras crises tão ou mais graves do que esta. E passaram. Sai Trump, e a crise acaba. Se Trump não for reeleito daqui a dois anos, a crise acaba. É uma crise circunstancial, provocada pela distância ideológica entre o governo Lula e o governo Trump. Esse é o fato. Quando saírem os personagens, a crise termina. Do ponto de vista histórico, olhando para a frente, não passará de mais um episódio nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

Os EUA reagiram à regulamentação das big techs por questões pragmáticas (as empresas são norte-americanas) ou por questões morais, em defesa das liberdades?

Você assistiu à posse do presidente Trump? Todos os líderes das big techs estavam lá: Elon Musk, CEO da [Tesla] e da [SpaceX]; Jeff Bezos, ex-CEO da [Amazon]; Mark Zuckerberg, CEO da [Meta]; Sundar Pichai, CEO da [Alphabet/Google]; Tim Cook, CEO da [Apple]; e Sam Altman, CEO da [OpenAI]. Todos reunidos, juntos, ali na frente, com os ministros. A sanção é uma questão de interesse puro, comercial, econômico. No Brasil, estamos discutindo assuntos que não têm nada a ver. O que estamos conversando agora não saiu em lugar algum. A gente fica pensando que a carta de sanção é por causa de Bolsonaro, por causa de não sei o quê. Na verdade, essa questão toda está ligada a um grupo de empresas poderosíssimas, que tem uma visão crítica sobre a regulamentação das big techs.

A questão comercial pode ser descartada?

Não tem a ver com a parte comercial, porque o Brasil é superavitário. Trump está mirando países que são superavitários em relação aos norte-americanos. No caso do Brasil, os EUA têm superávit. Por que suscitaram essa tarifa comercial? Por alguma razão muito forte. E a razão muito forte, que no Brasil ainda não foi entendida, é a visão das big techs contra o que está acontecendo com as plataformas aqui no país.

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8 comentários
  1. Guilherme Araujo Drago
    Guilherme Araujo Drago

    Este rapaz foi embaixador do Brasil nos EUA e desconhece que é vedada uma nova reeleição para o Trump?

    A 22ª emenda à Constituição norte-americana proíbe que um presidente seja eleito para mais do que dois mandatos, sejam eles consecutivos ou não.

  2. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    Visão pequenina e sectária , pra quem já foi um embaixador.
    Demonstra a tragédia , que se tornou, o antigo respeitado Itamarati brasileiro

  3. MB
    MB

    Kkkkk Trump sair daqui a dois anos, Embaixador?! Atualize o seu calendário. 🥴😂

  4. Renato Perim
    Renato Perim

    Velhote gagá, já morreu e nem sabe, só falou merd@ nessa entrevista, o jumento não leu a carta do Trump? Ele citou textualmente que enquanto não cessar a perseguição à direita no brasil as tarifas vão continuar. O cavalo decrépito tirou diretamente da sua cabeça baldia que é por causa das big techs. Pensa num véio burro.

  5. Luiz Renato
    Luiz Renato

    Será senhor ex embaixador! Creio que sua análise 6muito rasa

  6. Giovanni MPdC
    Giovanni MPdC

    Esses canalhas ainda vão conseguir emplacar essa narrativa. O povo brasileiro, mantido na ignorância e na miseria, ressentido na sua pobreza, é facilmente manipulável …

  7. Paulo
    Paulo

    Afff…

    É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida. Maurice Switzer

  8. Regina de Fatima Leme dos Santos
    Regina de Fatima Leme dos Santos

    Tb as fintechs do PCC e CV, estão no prisma = por que a justiça tupiniquense nada faz? Será que quem pariu o PCC o protege ate hj?

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