Documentos bancários, mensagens trocadas e propostas contratuais expõem um esquema milionário para cooptar influenciadores digitais com a missão de lançar suspeitas sobre o Banco Central (BC) durante a liquidação do Banco Master, alvo de investigação da Polícia Federal (PF). A jornalista Malu Gaspar publicou as informações nesta quinta-feira, 8, em sua coluna no jornal O Globo.
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A estratégia recebeu o nome de “projeto DV”, uma referência ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Master. Registros obtidos pela reportagem mostram que os valores oferecidos variavam conforme o número de seguidores do influenciador, com contratos que chegavam a R$ 2 milhões por três meses de publicação.
O acordo previa sigilo absoluto, de modo a criar a aparência de um movimento espontâneo nas redes sociais.
Um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores recebeu a proposta de R$ 2 milhões, em troca de oito postagens mensais. Outro, com menos de 500 mil seguidores, foi sondado por R$ 250 mil no mesmo período, com a mesma frequência de publicações. Em um dos casos, o pagamento foi feito antes mesmo da primeira postagem.
Agência ligada ao caso Master atuou com múltiplos interlocutores
Segundo o jornal, a contratação partia da Agência Mithi, comandada por Thiago Miranda, ex-CEO e sócio do Grupo Leo Dias. Prints de transferências bancárias confirmam que pelo menos uma das quantias saiu da conta do próprio Miranda. Além dele, o empresário Flávio Carneiro detém 60% das cotas da agência.
O empresário Flavio Carneiro entrou em contato com a reportagem para informar que não é sócio da agência, conforme consta no texto. Ele é sócio do portal Leo Dias, com 60% de participação.
O jornalista Leo Dias negou qualquer relação entre o portal que leva seu nome e a Agência Mithi. Ele também informou que Miranda deixou o grupo em junho. Já Miranda não respondeu aos contatos do O Globo.
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Entre os influenciadores abordados está o deputado estadual Leo Siqueira (Novo-SP), conhecido por críticas ao atual presidente do BC, Gabriel Galípolo. Ele recusou a proposta e interrompeu o contato ao perceber que a campanha visava blindar Vorcaro.
“Quando me dei conta de que a única figura do mercado que poderia estar em busca de uma gestão de crise naquela data era o Daniel Vorcaro, eu imediatamente cortei contato”, disse o parlamentar. “Só tive a confirmação de que se tratava do Banco Master com a divulgação das propostas na imprensa, que eram idênticas e envolviam os mesmos interlocutores.”
Prints mostram que Siqueira recebeu a abordagem no Instagram em 21 de dezembro, por meio do publicitário André Salvador, da UNLTD Brasil.
Outro agente envolvido nas abordagens foi Junior Favoreto, do Portal Group BR. Ele recebeu a proposta para integrar a campanha de gestão de crise. No entanto, os contratantes só revelariam nomes e valores depois que o influenciador assinasse um contrato de confidencialidade.
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