Lewandowski, o amigo de Lula

Ministro quer, acima de tudo, eliminar até o último fiapo qualquer culpa que existe contra o petista
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Lula e Lewandowski se conhecem há muito tempo
Lula e Lewandowski se conhecem há muito tempo | Foto: Reprodução/Mídias Sociais

(J. R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 1º de julho de 2021)

A empreiteira de obras públicas Odebrecht, uma das que mais roubou no governo Lula — é a empresa que revelou ao mundo o “amigo do amigo do meu pai” —, assinou um notável acordo com a Justiça brasileira em que confessa a prática de crimes de corrupção, promete devolver ao erário público uma parte do que roubou e, em troca desse seu misto de colaboração-delação-confissão, recebe do Estado um tratamento mais suave na punição dos seus delitos.

Ninguém forçou a Odebrecht a fazer nada. Foi o seu próprio presidente, com a assistência plena de toda uma equipe milionária de advogados, quem concordou em fazer “delação premiada” a respeito dos crimes cometidos na esfera de atuação da empresa — especialmente na ladroagem monumental da Petrobras lulista. Também foi a construtora, por sua livre e espontânea vontade, que devolveu R$ 8,6 bilhões aos cofres públicos. Em função do acordo, o presidente Marcelo Odebrecht foi solto da cadeia em dezembro de 2017, após dois anos e meio de xadrez em Curitiba.

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Qual é a dúvida em relação a isso tudo? Existe no mundo alguém que aceita devolver R$ 8,6 bilhões de dinheiro roubado – mais de US$ 2,5 bilhões, pela cotação da época — se não roubou nada? Há alguém que invente crimes para delatar a si mesmo? Não há nada de errado com nenhuma dessas coisas. Ao contrário, trata-se de um momento histórico: foi feita justiça neste Brasil onde sempre reinou, durante séculos, a impunidade para os ricos e poderosos.

Não, não há mesmo nada de errado — salvo para o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal. Em compensação, para ele, está tudo absolutamente errado. O ministro acha que esse exemplo de justiça é tão ruim, mas tão ruim, que tem de ser anulado da primeira à última letra. Isso mesmo: nada do que Odebrecht confessou, delatou e pagou vale mais coisíssima nenhuma. Só está faltando dizer, agora, que o pagador de impostos tem de devolver à empresa os bilhões que ela pagou para fechar o seu acordo.

Não se trata de nenhum surto de loucura — ou, mais precisamente, é loucura com muito método. Lewandowski quer, acima de qualquer outra coisa na vida, eliminar até o último fiapo qualquer culpa que existe contra Lula — condenado, como se sabe, em terceira e última instância, por nove juízes diferentes, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Atuando em conjunto, e em perfeita harmonia, com os ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, ele opera na equipe de advogados que trabalha em tempo integral para Lula no mais alto tribunal de Justiça do Brasil. Deixaram de lado, há anos, a função de juízes, pagos pelo público para prover justiça. Seu trabalho, com o pleno apoio dos demais colegas de STF, é servir aos interesses processuais, políticos e eleitorais do ex-presidente.

Lewandowski, Gilmar, Fachin e os demais decidiram não apenas anular todas as ações penais contra Lula, mas apontar como único culpado por tudo o juiz Sergio Moro — e, agora, declarar inválidas todas as provas reunidas contra ele, para que nunca mais possam ser utilizadas em qualquer processo que se tente fazer para retomar os que foram anulados. Mesmo provas como a confissão de Marcelo Odebrecht? Sim, mesmo provas como a confissão de Marcelo Odebrecht.

Lewandowski, Gilmar, Fachin etc. são o retrato acabado do tipo de justiça que se pratica no Brasil de hoje — dentro das “instituições”, da pregação diária da “democracia” e dos alertas diários sobre a “ditadura” que virá se Lula perder a eleição de 2022.

Leia também: “A CPI da Covid quer exterminar o governo federal”, artigo de J. R. Guzzo publicado em Oeste

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16 comentários

  1. Com certeza isso jamais poderá acabar bem.
    Forçam uma barra como se no Brasil só existissem corruptos e/ou interessados nas benesses oferecidas pelos sistemas socialista-comunista para se manter.
    A enorme maioria do povo brasileiro é constituída de pessoas de bem, honestas e capazes de lutar por seus direitos, sabem de sua responsabilidade para com as futuras gerações e a própria soberania do Brasil!

  2. Prendam-se ministros militantes.
    Prendam-se políticos corruptos, ladões.
    Prendam-se advogados militantes.
    Prendam-se então os bandidos.
    Salva-se o Brasil!

  3. O 5TF está fazendo o que o chefe manda, soltá-lo, torná-lo elegível e elegê-lo com as urnas fraudadas. Mas as urnas vão nos livrar desses lixos, mesmo com toda a campanha da “imprensa” para eleger o ladrão de 9 dedos.

  4. Ser parcial no STF não seria motivo Impeachment?
    Esta claro e evidente que a oposição estão querendo rebaixar o presidente ao mesmo nível do nove dedos para tentar fazer de frente nas eleições.
    Mais não da outra é Bolsonaro o melhor presidente de todos os tempos.

  5. Por tudo isso Guzzo, dá para acreditar nas urnas eletrônicas do BARROSO?. O TSE pede que Bolsonaro comprove que houve fraudes nas urnas eletrônicas, mas não pede a Barroso que comprove que NUNCA houve fraude nas urnas eletrônicas se elas jamais foram auditadas. Que ditadura é essa do Judiciário?

  6. LAMENTAVELMENTE ESTA É A NOSSA COMPOSIÇÃO DO STF !!!
    ESTE SRs. FORMA ALI COLOCADOS SEM QUALQUER RESPONSABILIDADE POR LADRÕES – COMPROVADOS !!!!
    E HOJE QUEREM TRANSFORMAR LADRÃO EM CIDADÃO OU SEJA BANDIDO PRENDENDO XERIFE !!! ATÉ ONDE VAMOS ??????

  7. O que não é possivel entender e muito menos aceitar é como até agora as nossas FFAA não moveram uma palha para acabar com essa podridão sustentada pela corja de canalhas que ocupa o “stf”. Eles apostam na inércia do povo, acreditam que somos cordeiros que se deixam conduzir ao seu bel prazer. Vão quebrar a cara. Não passa da próxima quarta-feira, caso eles derrubem a PEC do voto auditável. A corda arrebenta na semana que vem.

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