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Política

Lewandowski rejeita novo código de ética para ministros do STF

No mês passado, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, defendeu a criação de um manual específico de conduta para os ministros

Lewandowski
O ex-ministro deu a declaração durante o II Congresso Ibero-Brasileiro de Governança Global, realizado em Salamanca, na Espanha, nesta segunda-feira, 23 | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Em meio ao debate sobre a necessidade de um novo código de conduta para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro da Corte e ex-titular da pasta da Justiça e Segurança, Ricardo Lewandowski, afirmou que as normas atuais já garantem parâmetros éticos suficientes para os magistrados, incluindo os membros do STF.

Lewandowski deu a declaração durante o 2º Congresso Ibero-Brasileiro de Governança Global, realizado em Salamanca, na Espanha, nesta segunda-feira, 23.

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Em entrevista ao site Migalhas, o ex-ministro afirmou que a magistratura no Brasil já conta com um amplo conjunto de regras, como a Lei Orgânica da Magistratura, que determina direitos e deveres abrangentes.

Lewandowski ressaltou também a existência de um Código de Ética e de mecanismos de controle, inclusive de natureza penal, assegurando que o arcabouço vigente garante a orientação adequada da conduta dos juízes.

Lewandowski defende autonomia do STF

Lewandowski destacou, no entanto, que a decisão sobre possíveis normas adicionais cabe apenas ao Supremo.

“Se o STF entender que é necessário criar algumas normas adicionais, é um problema interno do Supremo”, afirmou Lewandowski. “Mas que nós temos normas suficientes para nortear a conduta de todos os magistrados brasileiros, isso é indiscutível.”

A discussão ganhou força a partir de janeiro deste ano, quando o presidente do STF, Edson Fachin, defendeu a criação de um código específico de conduta para os ministros.

Fachin afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que tal iniciativa deveria partir do próprio Tribunal, como forma de autorregulação.

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“Ou nos autolimitamos ou poderá haver limitação por um Poder externo”, disse Fachin ao citar riscos de interferências alheias caso não haja regras claras.

Segundo Fachin, o debate abrange padrões éticos para atos institucionais além da atividade jurisdicional, citando a necessidade de disciplinar pontos como participação societária de magistrados e atuação profissional de familiares.

O presidente do STF frisou que a discussão envolve avaliar a necessidade e a viabilidade das normas, destacando divergências sobre o momento adequado, especialmente em ano eleitoral.

Transparência

Edson Fachin defendeu que a transparência seja elemento central do eventual código, que deveria representar uma mudança de cultura, e não apenas gesto simbólico.

Ele mencionou experiências internacionais e o envolvimento de ex-ministros na elaboração de propostas semelhantes no Brasil, apontando que tais medidas podem fortalecer o Tribunal e prevenir crises diante do desgaste de sua imagem pública.

Leia também: “Doutores em safadeza”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 309 da Revista Oeste

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