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Política

Lupi começa a depôr na CPMI do INSS

O ex-ministro da Previdência nega ter envolvimento nas fraudes bilionárias do instituto

Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência, em coletiva de imprensa realizada em 23/4/2025 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

O ex-ministro da Previdência Social do governo Lula 3, Carlos Lupi (PDT), começou o seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, na tarde desta segunda-feira, 8. Ele precisa prestar esclarecimentos sobre as fraudes bilionárias no instituto. 

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Lupi negou ter participado das fraudes no INSS — a qual levou à sua demissão da gestão petista. “Acobertar desvios? Nunca na minha vida”. Argumentou o ex-ministro, que disse ter exercido seus cargos dentro do governo do PT com “honestidade e profundo amor ao povo brasileiro”.

Ao longo de sua fala, Lupi confirmou que desde março de 2023 recebia denúncias de associações de aposentados e as encaminhava às instâncias competentes. “Como eu fiz em público o que eu recebi sobre o INSS, despachei imediatamente à presidência da instituição”, declarou. 

O ex-ministro citou a atuação conjunta com a Polícia Federal e a criação de grupos de trabalho para modernizar os sistemas do instituto: “Em maio de 2023, o INSS e a Polícia Federal (PF) fizeram uma reunião para apurar a fraude”.

Lupi nega ser alvo de investigação

Ainda em depoimento, o ex-integrante do alto escalão alegou não ser alvo da investigação da PF: “Quero explicar aos senhores parlamentares que eu não sou denunciado, eu não sou citado”. 

“Foram feitas dezenas de investigações, de depoimentos, meu nome sequer é citado”, argumentou. “Tanto que houve um pedido ao Ministério Público Federal, e o procurador-geral não abriu investigação.”

Em tom pessoal, Lupi encerrou sua primeira fala antes de responder às indagações dos parlamentares da CPMI e citou sua trajetória política — que inclui sua passagem como ministro nos governos Lula e Dilma, sendo que, em 2011, ele deixou a pasta do Trabalho por denúncias de corrupção.

“Errar em um ano eu posso ter errado várias vezes, mas eu nunca tive que acobertar desvios, nunca tive na minha vida” disse. “Eu tenho 46 anos no mesmo partido, já fui secretário, senador, ministro duas vezes. Só pode ter certeza que as minhas falhas jamais serão de má-fé. Jamais serão de maldição.”

Esquema bilionário 

Segundo a CGU e a Polícia Federal, o esquema funcionava por meio de falsificação de autorizações de idosos para que o INSS realizasse descontos automáticos em folha em favor de associações. 

Os beneficiários acreditavam se tratar de contribuições voluntárias, mas o dinheiro era desviado. A estimativa é que, entre 2019 e 2024, o prejuízo aos segurados tenha alcançado R$ 6,3 bilhões, atingindo quase 7 milhões de aposentados e pensionistas.

+ CPMI do INSS: relator quer proteção policial a advogado que apurou fraude

Nesta semana, a diretora de Auditoria de Previdência da CGU, Eliane Viegas Mota, revelou à CPMI que a própria Controladoria havia alertado o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, em 2024, para suspender os descontos. Mesmo assim, ele manteve os acordos com entidades e só interrompeu os repasses após a operação policial.

Além de auditores, a comissão já ouviu o advogado Eli Cohen, responsável por revelar detalhes do esquema. Cohen afirmou ter identificado em “dez minutos” a fraude e apontou Maurício Camisotti como o principal beneficiário, com repasses de até 27,5% das contribuições para o lobista “Careca do INSS”.

+ ‘Careca do INSS’ é alvo de rastreamento e pedido de intimação policial pela CPMI

Avanço da CPMI do INSS

Em meio à série de depoimentos, a CPMI amplia o cerco a sindicatos e associações, incluindo o Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi), em que ocupa cargo de vice-presidente o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Frei Chico.

+ Relator da CPMI do INSS pede prisão preventiva de principais acusados da fraude

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), têm reiterado que não haverá blindagem a autoridades nem entidades ligadas ao caso.

Na próxima quinta-feira, 11, a CPMI ouvirá outro ex-ministro da Previdência, José Carlos Oliveira, que comandou a pasta no governo Jair Bolsonaro (PL).

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3 comentários
  1. O BELFORROXENSE
    O BELFORROXENSE

    Esse “cara de chapisco” envolvido até o pescoço nos roubos dos velhinhos aposentados.

  2. IVAN SEVERO DA SILVA
    IVAN SEVERO DA SILVA

    Lupp , Greice Hofman Paulo Bernardes adora os aposentados , tio Mário

  3. IVAN SEVERO DA SILVA
    IVAN SEVERO DA SILVA

    Lupp ,Greice Hofman,Paulo Bernardes adora aposentados , “tio Mário “

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