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Política

Sou simplório e acho ótimo americano punir quem lava grana para o PCC

Como todo sujeito simplório, incapaz de perceber nuances da realidade, vejo como solução a punição dos EUA

Marcas do PCC em rua brasileira | Foto: Reprodução/X
Marcas do PCC em rua brasileira | Foto: Reprodução/X

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

Em sua coluna, Mario Sabino defende as sanções dos EUA sobre brasileiros envolvidos com o PCC. Ele afirma: "Os americanos deram uma enxadada e encontraram um minhocão que as autoridades brasileiras ou não viram, ou fingiram não ver durante anos. Quer melhor cooperação internacional?"

O meu assunto de hoje são as sanções aplicadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos contra cidadãos e empresas brasileiras que, a partir de território ianque, lavam dinheiro para o PCC.

A facção, já classificada pelo governo americano como grupo terrorista, foi apontada por Washington como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental, o que dá um tremendo orgulho de ser brasileiro.

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Sou um sujeito simplório e, como todo sujeito simplório, alheio por incapacidade intelectual a nuances da realidade, vejo como solução o que é um problema para gente mais atilada do que eu.

É o caso dessas sanções. Juristas (só há juristas no Brasil) acusam os Estados Unidos de ter praticado ato imperialista (curioso, achei que fosse ato de soberania) e os criticam por agir à margem de “mecanismos ordinários de cooperação internacional”.

Tal foi a expressão usada pelo governo brasileiro em uma nota divulgada por uma secretaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Reproduzo o que publicou o Metrópoles:

“’Medidas unilaterais suscitam preocupação, uma vez que podem ser sucedidas por providências ainda mais gravosas, adotadas à margem dos mecanismos ordinários de cooperação internacional’, disse a pasta. Na nota, a secretaria também afirma que a ‘decisão não surpreende o governo brasileiro’, pois já era esperada após a decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas.”

Até o ministro da Fazenda, o apparatchik Dario Durigan, ficou indignado. Ele disse o seguinte à TV Record:

“Quem tem que cuidar de segurança pública no Brasil são os brasileiros. É a polícia brasileira, são os investigadores brasileiros, é o Coaf, a Receita Federal… São as nossas instituições que têm que vir. E defendo, com rigor, fazer o combate ao crime organizado.”

E Durigan completou:

“E se eles, a pretexto de quererem combater o Comando Vermelho e o PCC, atingirem uma empresa legal? Esse é o problema. O cidadão não sabe como recorrer.”

Este sujeito simplório tem a impressão de que o apparatchik não leu o texto do Tesouro americano que acompanha a aplicação das sanções aos lavadores de dinheiro de crime: nele, está escrito que será também alcançado por punições quem “conscientemente conduza ou facilite qualquer transação significativa” em nome dos sancionados.

O advérbio e o adjetivo dão conta, acho eu, de proteger empresas idôneas e cidadãos insuspeitos de serem classificados como cúmplices do  PCC. Além de dar, digamos assim, um estímulo para que o Banco Central e o pessoal da Faria Lima redobrem os seus cuidados com certos bancos e corretoras.

Mesmo Dario Durigan há de convir que uma “empresa legal” não lava conscientemente dinheirama para criminosos. Ou, pelo menos, não deveria, se quiser continuar na legalidade.

Houve quem dissesse que as sanções anunciadas ontem pegaram peixes pequenos — e que, se houvesse cooperação com autoridades brasileiras, os peixes seriam muito maiores.

Na quinta-feira 2, porém, o Metrópoles estampou em manchete que a Victory Trading, um dos alvos do Tesouro dos Estados Unidos, recebeu R$ 514 milhões da rede de lavagem do Careca do INSS — aquele patriota que teria colocado Lulinha no bolso, assunto que só será investigado depois das eleições, como fez saber a PF ao ministro André Mendonça, em outro exemplo edificante de como se cuida da segurança pública no Brasil.

Quer dizer, os americanos deram uma enxadada e encontraram um minhocão que as autoridades brasileiras ou não viram, ou fingiram não ver durante anos. Quer melhor cooperação internacional?

Por essas e outras, como sou sujeito simplório, acho excelente chamar o PCC e o Comando Vermelho de tudo quanto é nome feio (mas não nutro ilusões farmacêuticas a respeito), bem como aplicar sanções unilaterais, multilaterais, plurilaterais, seja o que for, contra essa bandidagem que nos enche de orgulho.

Leia também: “Brasileiro considera criminalidade e corrupção os maiores problemas do Brasil, diz pesquisa”

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1 comentário
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Caro Mario Sabino, sua ironia finíssima me fez dar boas risadas. O Brasil é assim, ou se ri ou se chora. Se o choro é livre, conforme aquela “erutita” da Globo, imagino que o riso também o seja. Fantástico, meu caro “simplório”.

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