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Política

Master: Daniel Vorcaro e a 'prisão domiciliar relâmpago' em Brasília

Por determinação de Dias Toffoli, o executivo foi impedido de voltar a São Paulo em aeronave fretada e acabou passando a noite na capital federal, acompanhado por agentes da PF

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso pela Polícia Federal | Foto: Reprodução/Redes sociais
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Foto: Reprodução/Redes sociais

Depois de comparecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para uma acareação que se estendeu até tarde, o banqueiro Vorcaro não conseguiu retornar a São Paulo em voo comercial, como previa a restrição judicial. A defesa tentou autorização para que ele utilizasse um jatinho particular fretado pelo advogado Roberto Podval, que o acompanhou durante os depoimentos, alegando que já não havia mais voos diretos disponíveis depois das 21h30. A informação foi revelada pelo jornal O Globo.

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A desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, determinou que Vorcaro use tornozeleira eletrônica e só deixe São Paulo com permissão da Justiça. Diante do impasse, o juiz auxiliar Carlos Vieira von Adamek consultou o ministro Dias Toffoli, que negou o pedido para o uso do avião privado. Assim, Vorcaro foi obrigado a passar a noite em sua residência em Brasília, localizada no Lago Sul, sob a condição de retornar a São Paulo no dia seguinte em voo comercial, acompanhado de policiais federais.

Caso Master: restrições e medidas cautelares de Vorcardo

Fontes próximas ao caso consideraram que o banqueiro viveu uma espécie de “prisão domiciliar” temporária na capital federal, até que pudesse cumprir as medidas cautelares em São Paulo. Essas restrições incluem a proibição de contato com outros investigados e a retenção do passaporte, já entregue à Justiça. Durante a audiência, a defesa ainda solicitou o relaxamento das cautelares, o que também foi negado.

No depoimento, Vorcaro recusou fornecer a senha de seu celular à delegada Janaina Palazzo, que fez o pedido depois da apreensão do aparelho em 17 de novembro. O conteúdo do celular preocupa autoridades políticas e jurídicas, pois pode envolver nomes relevantes no avanço das investigações sobre o escândalo. No aparelho, foi encontrado o contrato entre o banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes (STF), que previa pagamento de cerca de R$ 130 milhões em três anos por serviços ao banco de Vorcaro.

Segundo a defesa, as mensagens armazenadas no celular teriam caráter privado e não estariam ligadas à apuração de fraudes no Master. Questionado sobre suas relações políticas, Vorcaro reconheceu vínculos sociais com diversas autoridades, sem citar nomes, e não foi questionado sobre o contrato milionário de Viviane. O clima durante o depoimento foi de tensão entre a equipe da Polícia Federal, liderada por Janaina Palazzo, e os procuradores da República presentes.

Depoimento sob tensão e participação do STF

O ministro Toffoli enviou 82 perguntas para serem feitas a Vorcaro, divididas em seis blocos, tratando de temas como a venda do Master ao BRB e reuniões com o Banco Central em 17 de novembro, data da prisão do banqueiro. A delegada Janaina Palazzo só aceitou questionar Vorcaro sobre as perguntas de Toffoli depois de registrar em ata que elas partiram do gabinete do relator. Durante o depoimento, Vorcaro afirmou que comunicou previamente ao Banco Central sobre viagem a Dubai para se encontrar com investidores estrangeiros.

Uma das perguntas do ministro Toffoli solicitava que Vorcaro avaliasse se o Banco Central atuou com a “celeridade necessária” diante dos indícios de fraude e da liquidação do Master em novembro passado.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Ralf Pol
    Ralf Pol

    Juíz pedindo a opinião do suspeito sobre a ação do agente regulador…
    Só no Brazew!

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