publicidade
Política

Governo Lula: MEC deixa estudantes com deficiência visual sem livros

Cerca de 45 mil estudantes com deficiência visual iniciam o ano letivo sem material adaptado

Pela primeira vez em quarenta anos, o Ministério não apresentou um cronograma oficial para os alunos que leem em Braille | Foto: Pixabay/Myriams
Pela primeira vez em quarenta anos, o Ministério não apresentou um cronograma oficial para os alunos que leem em Braille | Foto: Pixabay/Myriams

O Ministério da Educação (MEC), neste quarto ano do governo Lula, começou o ano letivo de 2026 sem entregar livros didáticos em Braille para mais de 45 mil alunos cegos ou com baixa visão.

De acordo com informações do jornal O Globo, a Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva (Abridef) afirma que esta é a primeira vez em 40 anos que o governo federal não apresenta um cronograma oficial nem garante orçamento para o material acessível.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

A falta dos livros atinge estudantes de turmas regulares e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em todo o país. O Instituto Benjamin Constant, órgão federal vinculado ao próprio MEC e pioneiro no ensino para deficientes visuais, confirmou que 2026 será um ano de “Braille zero” nas escolas brasileiras. A entidade recebeu a informação diretamente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Decisão política e impacto cognitivo

Entidades do setor ouvidas pelo jornal argumentam que a ausência do material didático reflete uma decisão política, e não financeira. O custo para atender todos os alunos cegos gira em torno de R$ 40 milhões, valor que representa menos de 1% do orçamento total do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), superior a R$ 5 bilhões. Especialistas ressaltam que a falta desse recurso essencial pode causar um déficit cognitivo irrecuperável nos estudantes em fase de alfabetização.

Dados do IBGE revelam que o Brasil possui 45 mil estudantes cegos em idade escolar, mas o Ministério da Educação identifica apenas 7.321 em seus sistemas oficiais. No ano passado, menos da metade desses alunos cadastrados recebeu os livros adaptados. Se o cenário atual persistir, nem mesmo essa parcela reduzida terá acesso aos conteúdos em relevo necessários para o acompanhamento das aulas.

Ausência de Braille escancara crise no programa de livros didáticos

O MEC declarou que possui contratos vigentes para atender os alunos e que o edital para materiais da EJA está em andamento. Contudo, a pasta não respondeu diretamente sobre o motivo da interrupção nas entregas das obras em Braille. O jornal O Globo destaca que os problemas com o PNLD se tornaram recorrentes na atual gestão, que já havia deixado de comprar milhões de exemplares de disciplinas como ciências e história por falta de verbas.

Desde 2022, o programa de livros sofre com cortes orçamentários sucessivos e adiamentos no cronograma de compras. O descumprimento dos prazos de entrega acumulou atrasos, que afetam o ensino fundamental e médio em diversas redes estaduais e municipais. A situação atual agrava o isolamento pedagógico de alunos com deficiência, que dependem exclusivamente do sistema tátil para o aprendizado efetivo.

Leia também: “Mais de 30% dos cursos de medicina reprovam em exame nacional”

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.