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Política

Ministros negam informações sobre palestras e despesas, diz jornal

Silêncio quanto a eventuais cachês reforça polêmica acerca da falta de ética e transparência

O ministro do STF Flávio Dino: sem explicações | Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro do STF Flávio Dino: sem explicações | Foto: Gustavo Moreno/STF

Pedidos de dados a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) revelaram um padrão de respostas incompletas — e, em alguns casos, de silêncio — quando o assunto envolve eventuais cachês recebidos por participação em palestras e conferências.

Questionamentos parecidos foram encaminhados aos magistrados sobre o pagamento de despesas como hospedagem ou passagens aéreas por organizadores. Parte dos gabinetes respondeu sem apresentar valores ou detalhes, enquanto outros optaram por não se manifestar.

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Ministros Dino e Fux: “atividades de natureza privada”

A consulta foi feita pelo jornal O Globo. Entre os ministros que não responderam dentro do prazo está Flávio Dino. Em manifestação posterior, o gabinete afirmou que a Lei de Acesso à Informação não se aplicaria a atividades de natureza privada. O ministro Luiz Fux também não apresentou resposta.

Houve ainda retornos evasivos. O ministro Kassio Nunes Marques, por exemplo, afirmou que não existe obrigação legal de divulgar compromissos ou atividades desse tipo, apesar de os questionamentos tratarem especificamente de possíveis pagamentos por palestras.

Leia também: “O pior STF da história”, reportagem publicada na Edição 313 da Revista Oeste

Alguns integrantes do tribunal adotaram posição diferente. Edson Fachin, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin afirmaram não receber cachês por esse tipo de participação e são conhecidos por divulgar regularmente suas agendas públicas.

Outros ministros preferiram não informar valores. Gilmar Mendes declarou apenas que segue as normas éticas da magistratura e que não aceita vantagens que possam comprometer sua independência, sem detalhar eventuais remunerações.

Leia ainda: “Ironias”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 313 da Revista Oeste

A falta de transparência ocorre em meio a discussões internas sobre a adoção de um código de ética para os ministros do Supremo — proposta que enfrenta resistência dentro da própria Corte.

Especialistas em transparência pública afirmam que a ausência de resposta ou a recusa em fornecer dados solicitados via LAI contraria a legislação, que prevê a prestação de informações por órgãos públicos sempre que houver interesse coletivo envolvido.

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