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Política

Hugo Motta lidera, de forma velada, movimento contra anistia

De acordo com deputados, o presidente da Câmara articula, nos bastidores, para frear avanço da proposta no Congresso

Com articulação discreta, presidente da Câmara impede avanço da proposta de anistia | Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
Um auxiliar direto de Motta comunicou o posicionamento a Victor Ohana, presidente do Comitê de Imprensa da Casa | Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Se, por um lado, o acordo entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avança na disputa pela anistia aos presos do 8 de Janeiro no Congresso Nacional, por outro, um fator ainda mais determinante atrasa as negociações: a influência do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos‑PB), contrário à proposta.

“A intenção de Motta é ganhar tempo.” A declaração é do líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ). Apesar disso, Sóstenes acredita que Motta “não conseguirá” sustentar, por muito tempo, a tentativa de travar a pauta. “Uma hora a coisa tem que andar.”

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José Medeiros (PL‑RS) | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
José Medeiros (PL‑RS) | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Além dessa análise, um deputado de centro vê em Motta o principal obstáculo ao avanço da proposta.

Motta está enrolando?

“Só enrolação”, avaliou o parlamentar, em caráter reservado. “Quer ganhar tempo. Deixar esfriar o assunto.”

Na avaliação desse congressista, enquanto Motta permanecer no comando da Câmara, a pauta da anistia aos presos e condenados pelo 8 de janeiro de 2023 dificilmente avançará. “Se quisesse, já tinha feito força. Colocou barreiras. A oposição venceu. Ele criou novas”, detalhou. Em seguida, indagou: “Agora, a pergunta que fica é: ele trocou esse recuo pelo quê? Não prenderem o pai? Cargos? Emendas?”

O deputado José Medeiros (PL‑RS) afirmou que o presidente da Câmara está “entre a cruz e a espada”, em virtude da pressão imposta pelo Supremo. “Não tive acesso ao texto costurado pelo STF e sou contra o avanço desse texto.”

Jantar sintomático

Medeiros também afirmou que o jantar ente o presidente do Senado e o ministro Alexandre de Moraes é “sintomático” da “relação duvidosa” entre o Parlamento e o Legislativo.

“Fiquei sabendo do jantar e isso me preocupa muito”, disse o deputado. “Toda vez que o ministro Alexandre visita o Congresso ou o presidente do Senado, perdemos uma pauta importante. Da última vez que ele esteve no Congresso, o projeto de contagem pública de votos foi para o arquivo. As instituições estão funcionando, mas cada uma deveria se manter no seu quadrado.”

O acordo entre os presidentes da Câmara e do Senado com ministros do STF representa uma articulação silenciosa, mas decisiva, para moldar os rumos da proposta de anistia. Apesar das divergências públicas e do impasse dentro da Câmara, parlamentares veem na aproximação entre as cúpulas do Congresso e do Judiciário um esforço coordenado para controlar a pauta.

O que preocupa os parlamentares, no entanto, é que esse entendimento ocorre longe dos holofotes e à margem do debate público.

7 comentários
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Será que alguém acredita que o motta está lá porque acreditaram nele? Não colocaram o motta, um cara eleito com 150 mil votos por um estado insignificante como a Paraíba à toa. Queriam um pau mandado e é isso que eles tem. Um Legislativo que não passa de um “banana boat” que ao invés de um só bananeiro pilotando, tem mais de 500 bananas.

  2. Carlos Pommer
    Carlos Pommer

    Sob o ponto de vista do brasileiro médio, está corretíssimo o senador: o bolso primeiro.
    Imagina quanto não está levando nessa.

  3. R Fortes
    R Fortes

    Seguem como perversos donatários das Capitanias Hereditárias. São muitas gerações de população tão mal tratada, que não acredita mais em “alforria”.
    Esse Povo é pobre mas não é estúpido. Se rendeu à esmolas de Brasília para sobreviver, mas com esperança em lideranças incorruptíveis e corajosas, que transformem a verborragia das tribunas em ação objetiva, e os liberte.
    O pleito de 2018 mostrou que é possível.

  4. Rosângela Gomes
    Rosângela Gomes

    Motta nunca foi confiável e tem “rabo preso”, aliás não só ele, mas toda a sua família. Os deputados podem defenestrá-lo do cargo.

    1. Osmar Martins Silvestre
      Osmar Martins Silvestre

      Não tem como fazer isso e nem querem Quando o puseram lá já sabiam de tudo e é exatamente isso que eles queriam. Não têm coragem de afrontar o sistema e nada como ter um paspalho para justificar a incapacidade de agir dos demais quinhentos e tanto.

  5. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    Esse é um moleque sem carater , que o estado dele que nem sei qual e não o reelega esse canalha.

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