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Política

O chefe da PF que não vê o PCC

Se as facções fossem tão limitadas quanto Andrei Rodrigues sugere, os bancos não teriam do que temer

Diretor-geral da PF responderá na Câmara sobre escolta sem respaldo legal a procurador do INSS, alvo de investigação | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Andrei Rodrigues não está errado por incompetência técnica: está errado por conveniência política | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Em outubro de 2025, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, minimizou a atuação das facções criminosas, afirmando que a mídia exagera sua importância. Em junho de 2026, ele criticou a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas pelos EUA, alegando que atuam apenas para lucro. Após o Departamento do Tesouro americano sancionar brasileiros e empresas por conexão com o PCC, Rodrigues negou a relação, apesar das evidências de movimentações financeiras significativas.

Em outubro de 2025, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues — indicado ao cargo pelo PT —, concedeu uma entrevista em que afirmou que “a dimensão dada às facções criminosas pela imprensa brasileira é exagerada” e que “pessoas que querem se projetar na mídia tentam supervalorizar a ação das facções, quando nem sempre elas têm algo a ver com o crime.”

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Em junho de 2026, o mesmo chefe da polícia luloalexandrina condenou a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas por parte do governo americano. Na sua avaliação, as facções atuam prioritariamente com foco em atividades ilícitas “voltadas à obtenção de lucro”, e isso as distinguiria do terrorismo propriamente dito. Que essas organizações controlem cerca de 30% do território nacional e submetam as populações sob o seu governo a um regime de terror não foi considerado pelo servidor petista.

E agora, quando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sanciona dois brasileiros e quatro empresas por conexão com o PCC, Andrei Rodrigues volta à carga e nega a conexão. Entre as sancionadas estava a Pixwave Soluções de Pagamentos — uma fintech instalada na Faria Lima cujo capital social saltou de R$ 100 mil para R$ 9 milhões em poucos meses e que operava como correspondente bancária de um banco brasileiro até a véspera da sanção. Segundo o Tesouro americano, o esquema movimentou aproximadamente US$ 30 milhões em criptoativos, conectando traficantes no Brasil com fornecedores mexicanos, com operações em Miami, Chicago, Los Angeles e Houston.

Washington viu. Brasília, como sempre, preferiu não ver.

Há uma lógica interna nessa cegueira seletiva que merece ser chamada pelo nome. Andrei Rodrigues não está errado por incompetência técnica: está errado por conveniência política. O argumento de que a imprensa “supervaloriza” as facções serve precisamente para desacreditar quem documenta a penetração do crime organizado nas instituições, no mercado financeiro e no Estado — e para tornar impronunciável, dentro do governo, qualquer iniciativa que trate o PCC como o que ele é: uma organização criminosa de alcance transnacional, com braços no sistema bancário, na política e nas finanças formais.

Que o mesmo governo que nega o poder das facções tenha se alarmado, segundo o G1, com o risco de que bancos brasileiros sejam afetados por sanções americanas relacionadas ao PCC é, em si, uma confissão involuntária. Se as facções fossem tão limitadas quanto Andrei Rodrigues sugere, os bancos não teriam do que temer. O fato de que têm — e de que o Palácio do Planalto sabia disso antes de qualquer sanção — diz tudo sobre o que o governo sabe e o que prefere não dizer.

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